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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg094532
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
Paciente homem, 57 anos, previamente hipertenso, diabético, tabagista, com dor retroesternal em caráter de queimação, irradiando para membro superior esquerdo, iniciada em repouso há 30 minutos, atenuada parcialmente após uso de dinitrato de isossorbida. Durante o atendimento no prontoatendimento, troponina ultrassenssível com curva enzimática positiva.Durante a internação realizou cineangiocoronariografia:Q71.png 302×303BRAUNWALD. Tratado de Doenças Cardiovasculares. 9ª Ed. Fig. 58-10; pág.1309.O diagnóstico e a artéria acometida são, respectivamente.
  1. Ainfarto agudo do miocárdio; descendente anterior terço médio.
  2. Binfarto agudo do miocárdio; descendente anterior terço proximal.
  3. Cangina instável; artéria circunflexa.
  4. Dinfarto agudo do miocárdio; artéria circunflexa.
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GabaritoA — infarto agudo do miocárdio; descendente anterior terço médio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infarto agudo do miocárdio: diagnóstico e artéria culpada

Gabarito: letra A. O quadro clínico (dor retroesternal em queimação > 30 min em repouso, irradiação para membro superior esquerdo, alívio parcial com nitrato) associado à troponina ultrassensível com curva enzimática positiva confirma o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio (IAM). A cineangiocoronariografia evidencia obstrução na artéria descendente anterior em seu terço médio, o que corresponde à alternativa A.

O diagnóstico diferencial entre as síndromes coronarianas agudas (SCA) é um dos pilares da cardiologia de emergência. A angina instável (AI) e o IAM compartilham a fisiopatologia de ruptura de placa aterosclerótica com trombose, mas se distinguem pela presença de necrose miocárdica — que é justamente o que a troponina detecta. No IAM, a dor é mais intensa, dura mais de 30 minutos, frequentemente inicia em repouso e não é totalmente aliviada por nitratos, como no caso descrito. A elevação da troponina com curva enzimática positiva é o marcador definitivo de necrose, separando o IAM da angina instável, que não cursa com elevação de marcadores de necrose.

A identificação da artéria culpada é essencial para o manejo e prognóstico. A artéria descendente anterior (ADA) irriga a parede anterior, septal e apical do ventrículo esquerdo, sendo a mais frequentemente acometida no IAM. Sua oclusão proximal (terço proximal) compromete grande área miocárdica, com alto risco de choque cardiogênico e morte; a oclusão no terço médio compromete área intermediária, enquanto a oclusão distal compromete área menor. A artéria circunflexa irriga a parede lateral do ventrículo esquerdo, e sua oclusão causa IAM de parede lateral, com apresentação clínica e eletrocardiográfica distinta.

A figura da cineangiocoronariografia mostra a obstrução na ADA em seu terço médio, o que é compatível com o quadro clínico de IAM anterior. A alternativa A é a correta, pois associa o diagnóstico de IAM à artéria descendente anterior em seu terço médio. As demais alternativas erram ao apontar a artéria circunflexa ou o terço proximal da ADA, ou ao sugerir angina instável, que não cursa com elevação de troponina.

Guarde a fronteira entre IAM e angina instável (presença de necrose) e a localização da obstrução na ADA (terço proximal vs. médio vs. distal): é exatamente nesses dois critérios que as alternativas se dividem.

Síndromes coronarianas agudas
  • 1Angina instável
    • Sem necrose (troponina negativa)
  • 2IAM
    • Necrose (troponina positiva)
    • Artéria culpada
      • Descendente anterior
        • Terço proximal (grande área)
        • Terço médio (área intermediária)
        • Terço distal (área menor)
      • Circunflexa (parede lateral)
      • Coronária direita (parede inferior)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque o quadro clínico (dor > 30 min em repouso, irradiação para MSE, alívio parcial com nitrato) associado à troponina positiva confirma IAM, e a cineangiocoronariografia mostra obstrução na artéria descendente anterior em seu terço médio. A ADA irriga a parede anterior, septal e apical do VE, e sua oclusão no terço médio é uma apresentação comum de IAM anterior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao localizar a obstrução no terço proximal da ADA. A figura mostra a obstrução no terço médio. A oclusão proximal comprometeria área miocárdica maior, com maior risco de choque cardiogênico, o que não é o caso descrito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C erra ao sugerir angina instável. A angina instável não cursa com elevação de troponina, pois não há necrose miocárdica. O paciente apresenta troponina com curva enzimática positiva, o que confirma IAM. Além disso, a artéria acometida é a descendente anterior, não a circunflexa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D erra ao apontar a artéria circunflexa como a culpada. A figura mostra obstrução na descendente anterior. A circunflexa irriga a parede lateral do VE, e sua oclusão causaria IAM de parede lateral, com apresentação clínica e eletrocardiográfica distinta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a localização da obstrução na ADA (terço proximal vs. médio) e a artéria culpada (ADA vs. circunflexa). O candidato que não analisa a figura com atenção pode confundir o terço proximal com o médio, ou associar a dor à circunflexa. Fique atento à anatomia coronariana e à correlação com o território irrigado.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de IAM com cineangiocoronariografia, identifique primeiro a artéria culpada pela figura e depois correlacione com o território irrigado. A ADA irriga parede anterior/septal/ápice; a circunflexa, parede lateral; a coronária direita, parede inferior. A presença de troponina positiva exclui angina instável.

Gabarito: letra A

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