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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg094538
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
Paciente com estenose aórtica e ecocardiograma transtorácico demonstra área valvar aórtica de 0,7cm²; FE: 40% e gradiente médio de 35mmHg.O mais importante exame complementar a ser solicitado para prosseguimento de elucidação da valvopatia, é:
  1. Aressonância magnética cardíaca.
  2. Bescore de cálcio da valva.
  3. CECO stress com dobutamina.
  4. Decocardiograma transesofágico em repouso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ECO stress com dobutamina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente: o papel do eco stress com dobutamina

Gabarito: letra C. O caso descreve estenose aórtica com área valvar < 1 cm², FE reduzida (40%) e gradiente médio < 40 mmHg — o cenário clássico de estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente. Nesse contexto, o exame complementar mais importante é o eco stress com dobutamina em baixas doses, pois ele diferencia estenose grave verdadeira de estenose moderada e avalia a reserva contrátil do ventrículo esquerdo, conforme as diretrizes de valvopatias e de insuficiência cardíaca.

A estenose aórtica é o estreitamento da valva aórtica que obstrui a saída do sangue do ventrículo esquerdo para a aorta. A gravidade é definida por três parâmetros ecocardiográficos: área valvar, gradiente médio e velocidade de pico. Na forma clássica, a estenose grave cursa com área < 1 cm², gradiente médio ≥ 40 mmHg e velocidade de pico ≥ 4 m/s. Porém, existe uma situação particular — a estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente — em que a área é pequena (grave), mas o gradiente é baixo (< 40 mmHg), porque o ventrículo esquerdo está disfuncionante (FE < 50%) e não consegue gerar pressão suficiente para produzir um gradiente alto. É exatamente o caso do paciente: área de 0,7 cm², FE de 40% e gradiente médio de 35 mmHg.

Nesse cenário, a dúvida diagnóstica é: a estenose é realmente grave (área pequena por doença valvar) ou apenas parece grave porque o ventrículo está fraco e não abre bem a valva? Para responder, a diretriz recomenda o eco stress com dobutamina em baixas doses. A dobutamina aumenta a contratilidade e o débito cardíaco; se a valva for realmente estenótica, o gradiente aumenta e a área permanece pequena (estenose grave verdadeira); se a estenose for moderada, o aumento do fluxo faz a área calculada aumentar (a área é calculada pela equação de continuidade, que depende do fluxo). Além disso, o exame avalia a reserva contrátil — se o ventrículo aumenta a FE durante o estresse, o prognóstico é melhor e o risco cirúrgico é menor.

A diretriz brasileira de insuficiência cardíaca é explícita ao tratar desse cenário: "a ecocardiografia sob estresse com dobutamina em baixas doses pode ser considerada, visando diferenciar os pacientes com estenose aórtica moderada daqueles com estenose grave verdadeira, além de permitir a identificação de reserva contrátil ventricular esquerda, que é marcador prognóstico nestes casos". Esse é o fundamento direto da alternativa correta.

As demais opções não são o exame de primeira linha nesse contexto: a ressonância magnética cardíaca pode quantificar fibrose e área valvar, mas não diferencia a gravidade funcional; o escore de cálcio da valva aórtica ajuda a confirmar estenose grave em casos de baixo fluxo com gradiente baixo, mas é um exame complementar que não avalia a reserva contrátil; o ecocardiograma transesofágico em repouso é útil para avaliar morfologia valvar, mas não resolve a questão funcional do baixo fluxo.

A pegadinha da questão está em reconhecer que, apesar de a área valvar ser pequena (0,7 cm²), o gradiente baixo e a FE reduzida configuram um cenário específico que exige um exame funcional — e não apenas anatômico. O candidato que decora os critérios de gravidade da estenose aórtica sem entender a fisiopatologia do baixo fluxo tende a escolher o escore de cálcio ou a ressonância, mas a diretriz aponta claramente o eco stress com dobutamina.

  1. 1Área < 1 cm²
  2. 2FE < 50%
  3. 3Gradiente < 40 mmHg
  4. 4Eco stress com dobutamina
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ressonância magnética cardíaca é um excelente método para avaliar fibrose miocárdica, volume e função ventricular, e pode até quantificar a área valvar. Porém, no cenário de estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente, ela não é o exame mais importante para diferenciar estenose grave verdadeira de moderada, nem avalia a reserva contrátil. O papel da RM nesse contexto é secundário, geralmente quando há dúvida sobre fibrose ou quando o eco é inconclusivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O escore de cálcio da valva aórtica (tomografia computadorizada) é útil para confirmar estenose grave em pacientes com baixo fluxo e baixo gradiente, pois a calcificação valvar é um marcador de gravidade anatômica. Porém, ele não avalia a reserva contrátil do ventrículo esquerdo, que é um dado prognóstico fundamental nesse cenário. A diretriz prioriza o eco stress com dobutamina, que fornece tanto a diferenciação de gravidade quanto a reserva contrátil.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O eco stress com dobutamina em baixas doses é o exame de escolha na estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente. Ele permite: (1) diferenciar estenose grave verdadeira (gradiente aumenta, área permanece pequena) de estenose moderada (área aumenta com o fluxo); (2) avaliar a reserva contrátil do ventrículo esquerdo, que é marcador prognóstico e influencia a decisão terapêutica. A diretriz brasileira de insuficiência cardíaca recomenda explicitamente esse exame nesse cenário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O ecocardiograma transesofágico em repouso é útil para avaliar a morfologia da valva aórtica (número de cúspides, calcificação, mobilidade) e para excluir endocardite ou trombos, mas não resolve a questão funcional do baixo fluxo e baixo gradiente. Ele não diferencia estenose grave verdadeira de moderada, nem avalia a reserva contrátil. Portanto, não é o exame mais importante nesse contexto.

Gabarito: letra C — eco stress com dobutamina, pois é o exame que diferencia a gravidade funcional da estenose aórtica de baixo fluxo e baixo gradiente e avalia a reserva contrátil ventricular esquerda.

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