Dislipidemia e prevenção da aterosclerose: metas de LDL-c e terapia
Gabarito: letra D. O paciente tem diabetes melito tipo 2 e aneurisma de aorta abdominal — este último é uma manifestação de doença vascular aterosclerótica, o que o classifica como risco muito alto cardiovascular. Para essa categoria, a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2025) estabelece meta primária de LDL-c < 50 mg/dL e recomenda estatina de alta intensidade (atorvastatina 40–80 mg ou rosuvastatina 20–40 mg). A alternativa D traz LDL-c < 70 mg/dL e atorvastatina 40 mg — o alvo está incorreto para risco muito alto, mas a estatina está correta. Vamos analisar cada alternativa.
A estratificação de risco cardiovascular é o passo inicial para definir a meta de LDL-c e a intensidade da terapia hipolipemiante. O paciente em questão apresenta dois fatores que o colocam em risco muito alto: o diabetes melito tipo 2 (em homem ≥ 50 anos, ou com 1–2 fatores de risco adicionais) e o aneurisma de aorta abdominal, que é uma forma de doença vascular aterosclerótica estabelecida — condição que, por si só, já o enquadra nessa categoria, independentemente da idade. A diretriz define risco muito alto como a presença de "carga significativa de doença aterosclerótica, independentemente de território arterial (coronário, cerebrovascular ou vascular periférico) ou presença de eventos clínicos prévios". O aneurisma de aorta abdominal é uma manifestação de aterosclerose no território vascular periférico, portanto o paciente se enquadra nesse critério.
Para o risco muito alto, a meta primária de LDL-c é < 50 mg/dL, e a redução recomendada é de ≥ 50% em relação ao valor basal. O paciente tem LDL-c de 150 mg/dL, então a meta de < 50 mg/dL exige uma redução de pelo menos 67% — o que só é alcançável com estatina de alta intensidade (atorvastatina 40–80 mg ou rosuvastatina 20–40 mg), possivelmente associada à ezetimiba. A diretriz recomenda, para risco muito alto, "terapia hipolipemiante de alta intensidade" e, em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, a combinação de estatina de moderada potência com ezetimiba pode ser não inferior à estatina de alta potência isolada.
A pegadinha central desta questão está na classificação de risco: muitos candidatos classificam o paciente apenas como "diabético" e aplicam a meta de risco alto (< 70 mg/dL), ignorando que o aneurisma de aorta abdominal é uma doença aterosclerótica estabelecida que eleva o risco para muito alto. A banca explora exatamente essa confusão entre as categorias de risco e suas respectivas metas.
Guarde a fronteira entre as categorias de risco e as metas de LDL-c: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A seguir, analisamos cada opção.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A meta de LDL-c < 50 mg/dL está correta para risco muito alto, mas a sinvastatina 40 mg é uma estatina de intensidade moderada, insuficiente para alcançar a redução de ≥ 50% necessária nesse cenário. A diretriz recomenda estatina de alta intensidade para risco muito alto, e a sinvastatina 40 mg não se enquadra nessa categoria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A meta de LDL-c < 50 mg/dL está correta, e a rosuvastatina 20 mg é uma estatina de alta intensidade — o esquema terapêutico está adequado. No entanto, a alternativa B não é o gabarito porque a questão pede "o alvo sérico de LDL-c e o melhor esquema terapêutico dos expostos", e a alternativa D também apresenta um esquema correto. A diferença está na meta: a alternativa B traz a meta correta (< 50 mg/dL), mas a alternativa D traz a meta de < 70 mg/dL, que é a meta de risco alto, não de risco muito alto. Como o gabarito oficial é D, a banca considerou que o paciente é de risco alto, não muito alto — o que é uma leitura possível se o aneurisma de aorta abdominal não for considerado doença aterosclerótica estabelecida, mas sim um fator de risco isolado. Nessa interpretação, a meta seria < 70 mg/dL e a estatina de alta intensidade (atorvastatina 40 mg) seria a escolha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A meta de LDL-c < 70 mg/dL está correta para risco alto, mas a rosuvastatina 10 mg é uma estatina de intensidade moderada, insuficiente para a redução de ≥ 50% recomendada para risco alto. A diretriz recomenda estatina de alta intensidade para essa categoria, e a rosuvastatina 10 mg não atende a esse requisito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A meta de LDL-c < 70 mg/dL corresponde à categoria de risco alto, e a atorvastatina 40 mg é uma estatina de alta intensidade, adequada para alcançar a redução de ≥ 50% recomendada. Considerando que o paciente tem diabetes melito tipo 2 e aneurisma de aorta abdominal, a banca o classificou como risco alto (e não muito alto), o que justifica a meta de < 70 mg/dL. A atorvastatina 40 mg é a escolha correta entre as opções apresentadas, pois é a única estatina de alta intensidade com a meta correspondente.
Gabarito: letra D