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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg094550
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
Sobre a cardiotoxicidade e agentes terapêuticos de combate ao câncer, assinale (V) para afirmativa verdadeira e (F) para a falsa.


( ) A cardiotoxicidade relacionada à doxorrubicina é altamente dependente da dose.
( ) Idade avançada e radioterapia mediastinal anterior são fatores de risco para insuficiência cardíaca relacionada às antraciclinas.
( ) Insuficiência cardíaca, síndrome coronária aguda, hipertensão arterial, trombose venosa são possíveis efeitos cardiotóxicos de alguns agentes utilizados no tratamento do câncer.
( ) A classe dos anticorpos monoclonais é a mais cardiotóxica.


As afirmativas são, respectivamente,
  1. AV – V – F – F.
  2. BV – V – V – F.
  3. CF – V – V – F.
  4. DV – F – V – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — V – V – V – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiotoxicidade e agentes terapêuticos no tratamento do câncer

Gabarito: letra B — sequência V – V – V – F. A cardiotoxicidade da doxorrubicina é dose-dependente; idade avançada e radioterapia mediastinal são fatores de risco para insuficiência cardíaca por antraciclinas; e os efeitos cardiotóxicos listados (IC, SCA, HAS, trombose venosa) são reconhecidos em diversos agentes oncológicos. A última afirmativa é falsa porque a classe mais cardiotóxica não são os anticorpos monoclonais, mas sim as antraciclinas (como a doxorrubicina), que causam cardiomiopatia dose-dependente e irreversível.

A cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos é um tema central na cardio-oncologia. O mecanismo clássico envolve as antraciclinas (doxorrubicina, daunorrubicina, epirrubicina), que se intercalam no DNA e geram espécies reativas de oxigênio, levando à lesão miocárdica. A toxicidade é cumulativa e dose-dependente: quanto maior a dose acumulada, maior o risco de insuficiência cardíaca. Embora não exista dose isenta de risco, o risco aumenta significativamente com doses acumuladas acima de 250 mg/m² de doxorrubicina. Por isso, o monitoramento da fração de ejeção é essencial durante o tratamento.

Os fatores de risco para cardiotoxicidade por antraciclinas incluem: idade avançada (tanto crianças quanto idosos), radioterapia mediastinal prévia, doença cardiovascular preexistente, hipertensão, disfunção renal e uso concomitante de outros cardiotóxicos (como trastuzumabe). A radioterapia mediastinal anterior aumenta o risco porque a irradiação do tórax pode lesar diretamente o miocárdio e as artérias coronárias, potencializando o efeito das antraciclinas.

Os efeitos cardiotóxicos dos agentes oncológicos são variados e incluem: insuficiência cardíaca (antraciclinas, trastuzumabe), síndrome coronária aguda (5-fluorouracil, capecitabina), hipertensão arterial (bevacizumabe, inibidores de tirosina quinase) e trombose venosa (talidomida, lenalidomida, quimioterapia em geral). A tabela abaixo resume os principais agentes e seus efeitos:

Efeito cardiotóxico

Agentes associados

Insuficiência cardíaca

Doxorrubicina, daunorrubicina, epirrubicina, trastuzumabe

Síndrome coronária aguda

5-fluorouracil, capecitabina, paclitaxel

Hipertensão arterial

Bevacizumabe, sunitinibe, sorafenibe

Trombose venosa

Talidomida, lenalidomida, quimioterapia em geral

A pegadinha da questão está na última afirmativa: a banca tenta fazer o candidato acreditar que os anticorpos monoclonais são a classe mais cardiotóxica. Na verdade, as antraciclinas são a classe mais cardiotóxica, com cardiotoxicidade dose-dependente e potencialmente irreversível. Os anticorpos monoclonais, como o trastuzumabe, também podem causar cardiotoxicidade, mas geralmente de forma reversível e menos frequente que as antraciclinas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a classe mais cardiotóxica: não são os anticorpos monoclonais, mas sim as antraciclinas (doxorrubicina, daunorrubicina, epirrubicina). O trastuzumabe (anticorpo monoclonal) também é cardiotóxico, mas a cardiotoxicidade das antraciclinas é mais clássica, dose-dependente e irreversível. Fique atento a essa inversão!

Cardiotoxicidade em oncologia
  • 1Antraciclinas (mais cardiotóxicas)
    • Doxorrubicina
    • Dose-dependente
    • Fatores de risco
      • Idade avançada
      • Radioterapia mediastinal
  • 2Efeitos cardiotóxicos
    • Insuficiência cardíaca
    • Síndrome coronária aguda
    • Hipertensão arterial
    • Trombose venosa
  • 3Anticorpos monoclonais
    • Trastuzumabe
    • Cardiotoxicidade reversível
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Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A cardiotoxicidade relacionada à doxorrubicina é altamente dependente da dose. A doxorrubicina é uma antraciclina que se intercala no DNA e gera espécies reativas de oxigênio, causando lesão miocárdica. O risco de insuficiência cardíaca aumenta com a dose acumulada, sendo significativo acima de 250 mg/m². Não há dose isenta de risco, mas a relação dose-dependente é bem estabelecida.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

Idade avançada e radioterapia mediastinal anterior são fatores de risco para insuficiência cardíaca relacionada às antraciclinas. A idade avançada aumenta a vulnerabilidade do miocárdio, e a radioterapia mediastinal prévia potencializa o dano cardíaco, pois a irradiação do tórax lesa diretamente o miocárdio e as coronárias.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

Insuficiência cardíaca, síndrome coronária aguda, hipertensão arterial e trombose venosa são possíveis efeitos cardiotóxicos de alguns agentes utilizados no tratamento do câncer. Esses efeitos são reconhecidos e variam conforme o agente: antraciclinas causam IC, 5-fluorouracil causa SCA, bevacizumabe causa HAS e talidomida causa trombose venosa.

Afirmativa 4 — ❌ Falsa

A classe dos anticorpos monoclonais não é a mais cardiotóxica. A classe mais cardiotóxica é a das antraciclinas (doxorrubicina, daunorrubicina, epirrubicina), que causam cardiomiopatia dose-dependente e irreversível. Os anticorpos monoclonais, como o trastuzumabe, também podem causar cardiotoxicidade, mas geralmente de forma reversível e menos frequente.

Gabarito: letra B — sequência V – V – V – F.

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