Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
fg094561
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente de 43 anos, feminina, dá entrada na emergência com quadro de hematêmese vultuosa, hipotensa e taquicárdica. Não tem história de doença péptica prévia.Foi submetida a endoscopia digestiva alta de urgência que evidenciou uma Lesão de Dieulafoy na pequena curvatura, à 5,0 cm da cárdia.Assinale a afirmativa que indica a melhor conduta para esse caso.
AGastrectomia subtotal alargada.
BEmbolização angiográfica com molas.
CGastrotomia cirúrgica com sutura da lesão.
DInfiltração de sustância esclerosante por EDA.
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GabaritoD — Infiltração de sustância esclerosante por EDA.
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Lesão de Dieulafoy: conduta na hemorragia digestiva alta
Gabarito: letra D. Na Lesão de Dieulafoy, a conduta de primeira linha é a terapêutica endoscópica, incluindo a infiltração de substância esclerosante, pois se trata de um vaso submucoso aberrante que sangra de forma recorrente e maciça, sem úlcera primária associada. As opções cirúrgicas (gastrectomia, gastrotomia) e a embolização angiográfica são reservadas para falha do tratamento endoscópico ou sangramento incontrolável.
A Lesão de Dieulafoy é uma causa rara, porém importante, de hemorragia digestiva alta (HDA). Trata-se de um vaso submucoso aberrante e dilatado que erode o epitélio de revestimento sobrejacente, sem associação com úlcera primária. O sangramento é tipicamente recorrente e maciço, podendo ser necessário mais de um exame endoscópico para o diagnóstico. A apresentação clínica é de hematêmese vultuosa, com instabilidade hemodinâmica, como no caso da paciente.
O tratamento da HDA por Lesão de Dieulafoy é primordialmente endoscópico. As modalidades incluem: injeção de substância esclerosante (como adrenalina ou etoxisclerol), coagulação com plasma de argônio, hemoclipe, ligadura elástica e terapia combinada. A infiltração de esclerosante é uma técnica clássica e eficaz, promovendo hemostasia por compressão e trombose do vaso. A taxa de sucesso da terapêutica endoscópica é alta, em torno de 90%.
A cirurgia (gastrectomia ou gastrotomia com sutura) fica reservada para os casos de falha do tratamento endoscópico, sangramento recorrente ou quando a lesão não é acessível endoscopicamente. A embolização angiográfica é uma alternativa em casos selecionados, especialmente quando a endoscopia não é possível ou não controla o sangramento, mas não é a primeira escolha. A gastrectomia subtotal alargada é um procedimento radical, indicado apenas em situações extremas, como neoplasias, e não para uma lesão vascular benigna.
A pegadinha desta questão está em considerar a cirurgia como primeira opção, quando na verdade a endoscopia é o padrão-ouro terapêutico. O aluno deve lembrar que, na HDA, a endoscopia é tanto diagnóstica quanto terapêutica, e que as opções cirúrgicas são de resgate.
11ª linha: terapêutica endoscópica
2Falha endoscópica: embolização
3Resgate: cirurgia (gastrotomia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A gastrectomia subtotal alargada é um procedimento radical, indicado para neoplasias gástricas ou complicações graves, não para a Lesão de Dieulafoy. A conduta inicial é sempre endoscópica, e a cirurgia, quando necessária, é mais conservadora (gastrotomia com sutura do vaso).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A embolização angiográfica com molas é uma opção para HDA quando a endoscopia falha ou não é possível, mas não é a primeira linha de tratamento. Além disso, é um procedimento invasivo, com riscos de isquemia, e deve ser reservado para casos selecionados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A gastrotomia cirúrgica com sutura da lesão é uma opção de resgate, mas não a conduta inicial. O tratamento endoscópico é menos invasivo, eficaz e deve ser tentado primeiro. A cirurgia fica para falha endoscópica ou sangramento incontrolável.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A infiltração de substância esclerosante por EDA é uma das modalidades de tratamento endoscópico da Lesão de Dieulafoy. É a conduta de primeira linha, pois é minimamente invasiva, eficaz e permite hemostasia imediata. A endoscopia é o padrão-ouro tanto para diagnóstico quanto para tratamento da HDA.