Paciente vítima de agressão sofreu queimaduras extensas por líquido inflamável, em parte da face anterior do abdome, 12% do membro inferior direito, principalmente face anterior e lateral, e 4,5% do membro inferior esquerdo, face medial. Relata muita dor na perna direita, principalmente ao estiramento passivo.No exame desse segmento, observa-se edema tenso, parestesia do pé homolateral e pulso pedioso presente.Assinale a afirmativa que indica a melhor conduta para esse caso.
AAnalgesia, reposição volêmica e elevação do membro afetado.
BIndicar escarotomia longitudinal na pele íntegra da perna direita.
CIndicar escarotomia com fasciotomia englobando toda a área afetada da perna direita.
DIndicar escarotomia, que deve ser realizada no centro da área queimada da perna direita.
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GabaritoD — Indicar escarotomia, que deve ser realizada no centro da área queimada da perna direita.
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Queimaduras: síndrome compartimental e escarotomia
Gabarito: letra D. O quadro descrito — queimadura extensa de membro inferior com edema tenso, parestesia e dor ao estiramento passivo — configura síndrome compartimental, cuja conduta imediata é a escarotomia, incisão longitudinal que deve ser realizada no centro da área queimada, onde a escara é mais espessa e a pele íntegra não limita a expansão. As demais alternativas ou são insuficientes (analgesia e elevação isoladas) ou descrevem técnicas incorretas (incisão na pele íntegra ou fasciotomia desnecessária).
A síndrome compartimental é uma complicação grave das queimaduras circunferenciais ou extensas de extremidades. A escara — pele queimada de espessura total — perde a elasticidade e funciona como um "cinto" que impede a expansão do edema subjacente. Como o membro está contido em compartimentos osteofasciais rígidos, o aumento da pressão interna compromete a perfusão capilar, levando a isquemia de nervos e músculos. Os sinais clássicos são justamente os descritos no enunciado: dor desproporcional, parestesia distal, edema tenso e dor à movimentação passiva (estiramento). O pulso pedioso presente não exclui o diagnóstico, pois a pressão compartimental pode estar elevada antes de comprometer o fluxo arterial principal.
A escarotomia é o procedimento que incide apenas sobre a escara (pele queimada), seccionando-a longitudinalmente para aliviar a pressão. Deve ser feita no centro da área queimada, pois é onde a escara é mais espessa e a pele íntegra adjacente não precisa ser cortada. A incisão deve atravessar toda a espessura da escara até o tecido subcutâneo, sem atingir fáscia muscular — a fasciotomia (incisão da fáscia) é reservada para casos de lesão elétrica, queimaduras de 4º grau ou quando há comprometimento muscular direto, o que não é o caso descrito.
A alternativa A (analgesia, reposição volêmica e elevação) é parte do tratamento de suporte, mas não resolve a síndrome compartimental — a elevação do membro, inclusive, pode piorar a isquemia ao reduzir a pressão de perfusão. A alternativa B erra ao indicar incisão na pele íntegra, que não é a escara e não precisa ser seccionada. A alternativa C erra ao associar fasciotomia desnecessariamente, procedimento mais invasivo com maior morbidade.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre escarotomia (incisão da escara) e fasciotomia (incisão da fáscia muscular). A banca explora a confusão entre esses dois procedimentos, além de testar o conhecimento da localização correta da incisão.
Síndrome compartimental em queimadura
1Sinais clássicos
Edema tenso
Parestesia distal
Dor ao estiramento passivo
Pulso presente (não exclui)
2Mecanismo
Escara perde elasticidade
Compartimento osteofascial rígido
Pressão interna ↑ → isquemia
3Conduta
Escarotomia (incisão da escara)
Longitudinal
Centro da área queimada
Fasciotomia (incisão da fáscia)
Só em lesão elétrica/4º grau
Não indicada no caso
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Analgesia, reposição volêmica e elevação do membro são medidas de suporte importantes no paciente queimado, mas não tratam a síndrome compartimental. A elevação do membro, inclusive, pode reduzir a pressão de perfusão e agravar a isquemia. A conduta definitiva para aliviar a pressão compartimental é cirúrgica (escarotomia).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A escarotomia deve ser realizada na escara (pele queimada), não na pele íntegra. Incisar a pele íntegra não alivia a pressão exercida pela escara e cria uma ferida desnecessária. A incisão deve ser feita no centro da área queimada, onde a escara é mais espessa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fasciotomia (incisão da fáscia muscular) é indicada em casos específicos, como queimaduras elétricas, lesões de 4º grau ou quando há comprometimento muscular direto. No caso descrito (queimadura térmica por líquido inflamável), a escarotomia é suficiente para aliviar a pressão. Associar fasciotomia desnecessariamente aumenta a morbidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A escarotomia é o procedimento correto para aliviar a síndrome compartimental em queimaduras. A incisão deve ser longitudinal, atravessando toda a espessura da escara, e deve ser realizada no centro da área queimada, onde a escara é mais espessa e a pele íntegra não limita a expansão. Essa é a técnica padrão descrita na literatura.
Gabarito: letra D — escarotomia no centro da área queimada da perna direita.