Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Queimaduras — FGV 2024

MedicinaQueimaduras
Código
fg094563
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente vítima de agressão sofreu queimaduras extensas por líquido inflamável, em parte da face anterior do abdome, 12% do membro inferior direito, principalmente face anterior e lateral, e 4,5% do membro inferior esquerdo, face medial. Relata muita dor na perna direita, principalmente ao estiramento passivo.No exame desse segmento, observa-se edema tenso, parestesia do pé homolateral e pulso pedioso presente.Assinale a afirmativa que indica a melhor conduta para esse caso.
  1. AAnalgesia, reposição volêmica e elevação do membro afetado.
  2. BIndicar escarotomia longitudinal na pele íntegra da perna direita.
  3. CIndicar escarotomia com fasciotomia englobando toda a área afetada da perna direita.
  4. DIndicar escarotomia, que deve ser realizada no centro da área queimada da perna direita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Indicar escarotomia, que deve ser realizada no centro da área queimada da perna direita.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimaduras: síndrome compartimental e escarotomia

Gabarito: letra D. O quadro descrito — queimadura extensa de membro inferior com edema tenso, parestesia e dor ao estiramento passivo — configura síndrome compartimental, cuja conduta imediata é a escarotomia, incisão longitudinal que deve ser realizada no centro da área queimada, onde a escara é mais espessa e a pele íntegra não limita a expansão. As demais alternativas ou são insuficientes (analgesia e elevação isoladas) ou descrevem técnicas incorretas (incisão na pele íntegra ou fasciotomia desnecessária).

A síndrome compartimental é uma complicação grave das queimaduras circunferenciais ou extensas de extremidades. A escara — pele queimada de espessura total — perde a elasticidade e funciona como um "cinto" que impede a expansão do edema subjacente. Como o membro está contido em compartimentos osteofasciais rígidos, o aumento da pressão interna compromete a perfusão capilar, levando a isquemia de nervos e músculos. Os sinais clássicos são justamente os descritos no enunciado: dor desproporcional, parestesia distal, edema tenso e dor à movimentação passiva (estiramento). O pulso pedioso presente não exclui o diagnóstico, pois a pressão compartimental pode estar elevada antes de comprometer o fluxo arterial principal.

A escarotomia é o procedimento que incide apenas sobre a escara (pele queimada), seccionando-a longitudinalmente para aliviar a pressão. Deve ser feita no centro da área queimada, pois é onde a escara é mais espessa e a pele íntegra adjacente não precisa ser cortada. A incisão deve atravessar toda a espessura da escara até o tecido subcutâneo, sem atingir fáscia muscular — a fasciotomia (incisão da fáscia) é reservada para casos de lesão elétrica, queimaduras de 4º grau ou quando há comprometimento muscular direto, o que não é o caso descrito.

A alternativa A (analgesia, reposição volêmica e elevação) é parte do tratamento de suporte, mas não resolve a síndrome compartimental — a elevação do membro, inclusive, pode piorar a isquemia ao reduzir a pressão de perfusão. A alternativa B erra ao indicar incisão na pele íntegra, que não é a escara e não precisa ser seccionada. A alternativa C erra ao associar fasciotomia desnecessariamente, procedimento mais invasivo com maior morbidade.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre escarotomia (incisão da escara) e fasciotomia (incisão da fáscia muscular). A banca explora a confusão entre esses dois procedimentos, além de testar o conhecimento da localização correta da incisão.

Síndrome compartimental em queimadura
  • 1Sinais clássicos
    • Edema tenso
    • Parestesia distal
    • Dor ao estiramento passivo
    • Pulso presente (não exclui)
  • 2Mecanismo
    • Escara perde elasticidade
    • Compartimento osteofascial rígido
    • Pressão interna ↑ → isquemia
  • 3Conduta
    • Escarotomia (incisão da escara)
      • Longitudinal
      • Centro da área queimada
    • Fasciotomia (incisão da fáscia)
      • Só em lesão elétrica/4º grau
      • Não indicada no caso
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Analgesia, reposição volêmica e elevação do membro são medidas de suporte importantes no paciente queimado, mas não tratam a síndrome compartimental. A elevação do membro, inclusive, pode reduzir a pressão de perfusão e agravar a isquemia. A conduta definitiva para aliviar a pressão compartimental é cirúrgica (escarotomia).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A escarotomia deve ser realizada na escara (pele queimada), não na pele íntegra. Incisar a pele íntegra não alivia a pressão exercida pela escara e cria uma ferida desnecessária. A incisão deve ser feita no centro da área queimada, onde a escara é mais espessa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fasciotomia (incisão da fáscia muscular) é indicada em casos específicos, como queimaduras elétricas, lesões de 4º grau ou quando há comprometimento muscular direto. No caso descrito (queimadura térmica por líquido inflamável), a escarotomia é suficiente para aliviar a pressão. Associar fasciotomia desnecessariamente aumenta a morbidade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A escarotomia é o procedimento correto para aliviar a síndrome compartimental em queimaduras. A incisão deve ser longitudinal, atravessando toda a espessura da escara, e deve ser realizada no centro da área queimada, onde a escara é mais espessa e a pele íntegra não limita a expansão. Essa é a técnica padrão descrita na literatura.

Gabarito: letra D — escarotomia no centro da área queimada da perna direita.

Link permanente: /questoes/fg094563