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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg094564
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente de 78 anos, masculino, sabidamente portador de deficiência de Alfa 1 anti-tripsina, foi submetido a endoscopia digestiva alta que evidenciou varizes gástricas – GOV 2 e gastropatia congestiva acentuada, e elastografia hepática pelo fibroscan que diagnosticou fibrose moderada a avançada. Foi classificado como Child-Pugh classe B, MELD 13.Assinale a afirmativa que indica a melhor conduta para esse caso.
  1. ATransplante hepático.
  2. BBloqueio β-adrenérgico não seletivo.
  3. CShunt espleno renal distal por cirurgia.
  4. DShunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS).
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GabaritoB — Bloqueio β-adrenérgico não seletivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão portal e profilaxia de sangramento por varizes gástricas

Gabarito: letra B. Para o paciente com cirrose (Child-Pugh B, MELD 13) e varizes gástricas GOV 2, a melhor conduta é a profilaxia primária com bloqueio β-adrenérgico não seletivo (propranolol ou carvedilol), conforme as diretrizes de manejo da hipertensão portal. As demais opções — transplante hepático, shunt esplenorrenal distal e TIPS — são reservadas para situações específicas (falha da profilaxia, sangramento refratário ou doença avançada com indicação de transplante), não sendo a primeira escolha neste cenário.

A hipertensão portal é a complicação central da cirrose e se manifesta clinicamente pela formação de varizes esofágicas e gástricas, gastropatia congestiva e ascite. O objetivo do tratamento profilático é prevenir o primeiro episódio de sangramento (profilaxia primária) ou prevenir a recorrência (profilaxia secundária). Os betabloqueadores não seletivos (propranolol, nadolol, carvedilol) atuam reduzindo o débito cardíaco (efeito β1) e causando vasoconstrição esplâncnica (efeito β2), o que diminui o fluxo sanguíneo portal e, consequentemente, a pressão no sistema porta. Essa é a terapia de primeira linha para profilaxia primária em pacientes com varizes de médio/grande calibre, independentemente do Child-Pugh, desde que não haja contraindicações (como asma grave, bradicardia ou bloqueio AV avançado).

No caso apresentado, o paciente tem varizes gástricas GOV 2 (que correspondem a varizes de médio/grande calibre) e gastropatia congestiva acentuada, com Child-Pugh B e MELD 13. A profilaxia primária com betabloqueador não seletivo é a conduta indicada. O transplante hepático (alternativa A) é considerado quando há doença hepática avançada com descompensação recorrente ou MELD elevado (geralmente ≥ 15), mas não é a primeira conduta para profilaxia de sangramento por varizes. O shunt esplenorrenal distal (alternativa C) é uma cirurgia de derivação portal seletiva, indicada em casos selecionados de sangramento refratário, mas não é a primeira linha. O TIPS (alternativa D) é um procedimento de derivação portossistêmica percutânea, indicado para sangramento agudo refratário ou como ponte para transplante, mas não é a primeira escolha para profilaxia primária.

A distinção crucial aqui é entre profilaxia primária (prevenir o primeiro sangramento) e tratamento do sangramento ativo ou profilaxia secundária (prevenir recorrência). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que, por se tratar de varizes gástricas e gastropatia congestiva, seria necessária uma intervenção mais agressiva (TIPS ou cirurgia), quando na verdade a conduta inicial é farmacológica. Além disso, é importante lembrar que a ligadura elástica é a alternativa endoscópica para varizes esofágicas, mas para varizes gástricas (GOV 2) o tratamento de escolha é o betabloqueador, pois a ligadura tem maior risco de recidiva e complicações nessa localização.

Guarde o critério decisivo: na profilaxia primária de varizes gástricas, o betabloqueador não seletivo é a primeira escolha; as opções cirúrgicas e o TIPS são reservados para falha terapêutica ou sangramento refratário — é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Profilaxia de varizes gástricas (GOV 2)
  • 1Profilaxia primária (1º sangramento)
    • Betabloqueador não seletivo
      • Propranolol, nadolol, carvedilol
      • Reduz débito cardíaco (β1)
      • Vasoconstrição esplâncnica (β2)
  • 2Profilaxia secundária (recorrência)
    • Betabloqueador + ligadura
  • 3Sangramento ativo/refratário
    • TIPS
    • Shunt esplenorrenal distal
    • Transplante hepático
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O transplante hepático é indicado para doença hepática terminal com descompensação recorrente, MELD ≥ 15 ou complicações como encefalopatia refratária, ascite refratária ou síndrome hepatorrenal. No caso, o paciente tem MELD 13 e Child-Pugh B, sem indicação imediata de transplante. A profilaxia de sangramento por varizes é feita com betabloqueador, não com transplante.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O bloqueio β-adrenérgico não seletivo (propranolol, nadolol ou carvedilol) é a conduta de primeira linha para profilaxia primária de sangramento por varizes gástricas de médio/grande calibre (GOV 2) em pacientes com cirrose, independentemente do Child-Pugh. O paciente não tem contraindicação aparente, e a gastropatia congestiva também se beneficia da redução da pressão portal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O shunt esplenorrenal distal (cirurgia de Warren) é uma derivação portal seletiva, indicada em casos de sangramento refratário ou quando há contraindicação ao TIPS, mas não é a primeira escolha para profilaxia primária. Além disso, é um procedimento cirúrgico invasivo, com morbidade significativa, reservado para situações específicas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O TIPS é indicado para sangramento agudo refratário, ascite refratária ou como ponte para transplante hepático. Não é a primeira conduta para profilaxia primária de varizes gástricas, pois é um procedimento invasivo com risco de encefalopatia hepática e disfunção do shunt. A profilaxia primária é farmacológica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre profilaxia primária e tratamento do sangramento ativo. O candidato pode achar que, por se tratar de varizes gástricas (GOV 2) e gastropatia congestiva, seria necessária uma intervenção mais agressiva (TIPS ou cirurgia). Mas a conduta inicial é sempre o betabloqueador não seletivo, reservando as opções invasivas para falha terapêutica ou sangramento refratário. Fique atento: a presença de varizes de médio/grande calibre é justamente a indicação clássica de profilaxia primária com betabloqueador.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão trouxer um paciente cirrótico com varizes (esofágicas ou gástricas) e perguntar sobre a melhor conduta, verifique primeiro se há sangramento ativo. Se não houver, a resposta quase sempre será betabloqueador não seletivo (profilaxia primária) ou ligadura elástica (para varizes esofágicas). TIPS, cirurgia e transplante são opções de segunda linha ou para casos específicos.

Gabarito: letra B

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