Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg094568
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente feminina, 28 anos, é levada ao serviço de emergência com quadro de dor abdominal de forte intensidade, com parada de eliminação de gases e fezes, queda do estado geral e febre de até 38.7ºC. Relata que na adolescência recebeu o diagnóstico de Doença de Crohn, com períodos de exacerbação apesar da aderência ao tratamento clínico.O hemograma mostra 16.500 leucócitos com 12 bastões, hemoglobina 8,3g/dl e albumina de 2,5g/dl. A tomografia de abdome mostra distensão difusa do cólon, com diâmetro máximo no transverso de 80mm.Diante desse quadro, assinale a conduta a ser tomada.
  1. ACirurgia de Hartmann.
  2. BProctocolectomia com ileostomia.
  3. CDieta zero, corticóide venoso, antibioticoterapia.
  4. DÍleo tiflectomia com ileostomia e fístula mucosa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Proctocolectomia com ileostomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Megacólon tóxico na Doença de Crohn: conduta cirúrgica

Gabarito: letra B. O quadro é de megacólon tóxico — complicação grave da colite ulcerativa e, menos frequentemente, da Doença de Crohn — caracterizado por distensão colônica difusa (diâmetro transverso de 80 mm), sinais de toxicidade sistêmica (febre, leucocitose com desvio, queda do estado geral) e falha do tratamento clínico. A conduta de escolha, diante da gravidade e da ausência de resposta ao tratamento clínico, é a proctocolectomia total com ileostomia, que remove todo o cólon e o reto, eliminando a doença e a fonte de sepse. As demais alternativas representam condutas inadequadas para este cenário específico.

O megacólon tóxico é uma emergência cirúrgica que ocorre como complicação de doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa e Doença de Crohn), mas também pode ser desencadeado por infecções (como Clostridium difficile) ou isquemia. O diagnóstico é clínico-radiológico: distensão colônica difusa (diâmetro > 6 cm no cólon transverso, embora valores > 8 cm sejam mais específicos), associada a sinais de toxicidade sistêmica — febre, taquicardia, leucocitose com desvio à esquerda, anemia, hipoalbuminemia e alteração do estado geral. No caso apresentado, a paciente tem todos esses critérios: febre de 38,7°C, 16.500 leucócitos com 12 bastões, hemoglobina de 8,3 g/dL, albumina de 2,5 g/dL e diâmetro transverso de 80 mm.

O tratamento inicial do megacólon tóxico é clínico, com suporte intensivo: dieta zero, descompressão nasogástrica, reposição volêmica, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, corticoides venosos e antibioticoterapia de amplo espectro. A cirurgia está indicada quando há falha do tratamento clínico em 24 a 72 horas, ou na presença de complicações como perfuração, hemorragia maciça ou deterioração clínica progressiva. No caso, a paciente já apresenta sinais de gravidade (anemia, hipoalbuminemia, leucocitose importante) e, embora o enunciado não explicite o tempo de tratamento clínico, a gravidade do quadro e a ausência de resposta ao tratamento clínico prévio (apesar da aderência) indicam a necessidade de intervenção cirúrgica.

A cirurgia de escolha para o megacólon tóxico na Doença de Crohn é a proctocolectomia total com ileostomia definitiva. Essa conduta remove todo o cólon e o reto, eliminando a doença e a fonte de sepse, e é preferida em situações de emergência, pois evita anastomose em um paciente séptico e desnutrido. A cirurgia de Hartmann (alternativa A) é uma opção para ressecção do sigmoide ou reto com colostomia terminal, mas não é adequada para o megacólon tóxico, pois não remove todo o cólon doente. A ileotiflectomia com ileostomia e fístula mucosa (alternativa D) é uma cirurgia mais limitada, indicada para casos de doença localizada (como no íleo terminal e ceco), não para o megacólon tóxico difuso. A alternativa C (dieta zero, corticóide venoso, antibioticoterapia) é o tratamento clínico inicial, mas, diante da gravidade do quadro e da falha do tratamento clínico prévio, a conduta correta é a cirurgia.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora o tratamento clínico seja o primeiro passo no megacólon tóxico, a paciente já apresenta sinais de gravidade e falha do tratamento clínico, indicando a necessidade de cirurgia. A banca explora a confusão entre o tratamento inicial (clínico) e a conduta definitiva (cirúrgica) em um paciente com megacólon tóxico refratário. Além disso, é importante distinguir as diferentes opções cirúrgicas: a proctocolectomia total é a mais radical e adequada para o megacólon tóxico, enquanto a cirurgia de Hartmann e a ileotiflectomia são procedimentos mais limitados, indicados para outras situações.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cirurgia de Hartmann consiste na ressecção do sigmoide ou reto com colostomia terminal e fechamento do coto retal. É indicada para casos de diverticulite complicada, câncer obstrutivo ou trauma, mas não é a conduta adequada para o megacólon tóxico, pois não remove todo o cólon doente. No megacólon tóxico, a doença é difusa e a cirurgia deve ser radical, com proctocolectomia total.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A proctocolectomia total com ileostomia é a cirurgia de escolha para o megacólon tóxico na Doença de Crohn. Ela remove todo o cólon e o reto, eliminando a doença e a fonte de sepse, e é preferida em situações de emergência, pois evita anastomose em um paciente séptico e desnutrido. A paciente apresenta critérios de gravidade (febre, leucocitose com desvio, anemia, hipoalbuminemia, distensão colônica de 80 mm) e falha do tratamento clínico, indicando a necessidade de cirurgia radical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dieta zero, corticóide venoso e antibioticoterapia é o tratamento clínico inicial do megacólon tóxico, mas não é a conduta definitiva para um paciente com sinais de gravidade e falha do tratamento clínico prévio. A paciente já apresenta anemia, hipoalbuminemia e leucocitose importante, indicando a necessidade de intervenção cirúrgica. O tratamento clínico pode ser tentado por 24 a 72 horas, mas, diante da gravidade do quadro, a cirurgia é a conduta correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ileotiflectomia com ileostomia e fístula mucosa é uma cirurgia mais limitada, indicada para casos de doença localizada (como no íleo terminal e ceco), não para o megacólon tóxico difuso. No megacólon tóxico, a doença é difusa e a cirurgia deve ser radical, com proctocolectomia total. A ileotiflectomia não remove todo o cólon doente e, portanto, não é a conduta adequada.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg094568