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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg094569
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente masculino, 48 anos, é atendido na emergência com quadro de dor abdominal de padrão progressivo, de início há mais de 48 horas, de caráter difuso, associada a náuseas e parada de eliminação de gases e fezes. Nega comorbidades exceto ter sido submetido a laparotomia exploradora devido a trauma abdominal contuso aos 30 anos de idade, com ressecção de segmento intestinal e boa evolução no pós-operatório.Ao exame, paciente encontra-se algo desidratado, hemodinamicamente estável. O abdome apresenta-se distendido, tenso, difusamente doloroso, sem piora á descompressão, peristaltismo exacerbado, com timbre metálico e hipertimpanismo difuso. A tomografia evidencia distensão difusa das alças de delgado até a cavidade gástrica, com níveis hidroaéreos; destaca-se transição de calibre na projeção do mesogástrio associado a infiltração líquida e densificação da gordura mesentérica.Diante desse quadro clínico tomográfico, assinale a afirmativa que indica a melhor conduta.
  1. AColonoscopia terapêutica com colocação de stent.
  2. BLaparotomia exploradora imediata para lise de aderências.
  3. CCatéter naso gástrico, hidratação venosa, dieta oral zero e repetir a tomografia com contraste oral em 48h.
  4. DCatéter naso gástrico, hidratação venosa, dieta oral zero. Se não houver melhora clínica em 48h, indicar laparotomia.
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GabaritoC — Catéter naso gástrico, hidratação venosa, dieta oral zero e repetir a tomografia com contraste oral em 48h.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obstrução intestinal por bridas: conduta inicial

Gabarito: letra D. O paciente apresenta quadro clássico de obstrução intestinal por bridas (cirurgia prévia, dor em cólica, distensão, parada de eliminação de gases e fezes, peristaltismo exacerbado com timbre metálico, hipertimpanismo e transição de calibre na TC). A conduta inicial é clínica: cateter nasogástrico, hidratação venosa, dieta oral zero e observação por 48 horas, com indicação cirúrgica apenas se não houver melhora — exatamente o que a alternativa D descreve. A laparotomia imediata (B) é reservada para sinais de estrangulamento, que não estão presentes (sem dor à descompressão, sem instabilidade hemodinâmica).

A obstrução intestinal é uma síndrome caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal, que pode ser mecânica (obstrução por bridas, hérnias, tumores, volvo) ou funcional (íleo paralítico). No pós-operatório de laparotomia, a causa mais comum é a brida ou aderência — uma banda de tecido fibroso que se forma entre alças intestinais ou entre estas e a parede abdominal, comprimindo o lúmen. O diagnóstico é eminentemente clínico, com a tríade clássica de dor abdominal em cólica, distensão e parada de eliminação de gases e fezes, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. Ao exame, o abdome distendido com peristaltismo exacerbado e timbre metálico (sinal de luta) e hipertimpanismo difuso são típicos. A tomografia confirma o diagnóstico ao mostrar distensão de alças a montante, níveis hidroaéreos e o ponto de transição de calibre — exatamente o que o enunciado descreve.

A conduta inicial na obstrução intestinal por bridas, sem sinais de estrangulamento ou peritonite, é sempre clínica e conservadora. O racional é que a maioria dessas obstruções resolve espontaneamente com medidas de suporte, e a cirurgia precoce aumenta a morbidade (novas aderências, complicações de ferida operatória). O tratamento clínico consiste em: cateter nasogástrico para descompressão gástrica e alívio de vômitos, hidratação venosa para correção de distúrbios hidroeletrolíticos (perdas por vômitos e sequestro de líquido para o lúmen), dieta oral zero e observação clínica seriada. O tempo de observação varia, mas 48 horas é um marco razoável: se não houver melhora clínica (persistência de dor, distensão, ausência de eliminação de gases/fezes), indica-se laparotomia para lise de aderências.

Os sinais de alarme que indicam cirurgia imediata são: dor à descompressão (peritonite), instabilidade hemodinâmica, febre, taquicardia, leucocitose importante, pneumoperitônio, sinais de isquemia intestinal (lactato elevado) e achados tomográficos de sofrimento de alça (espessamento de parede, pneumatose, ausência de realce pelo contraste). Nenhum desses está presente no paciente do enunciado: ele está hemodinamicamente estável, sem piora à descompressão, e a TC mostra apenas distensão difusa com transição de calibre e densificação da gordura mesentérica — que, isoladamente, não é critério de estrangulamento. A densificação da gordura mesentérica pode ocorrer em processos inflamatórios locais, mas sem outros sinais, não contraindica o tratamento conservador.

A alternativa C é uma armadilha clássica: ela propõe repetir a tomografia com contraste oral em 48h. Isso é desnecessário e potencialmente prejudicial — a TC inicial já definiu o diagnóstico, e a repetição com contraste oral não muda a conduta. O que se repete é a avaliação clínica, não o exame de imagem. Além disso, a alternativa C omite o critério de decisão cirúrgica (se não houver melhora em 48h), dando a entender que a simples repetição da TC resolveria o caso. A alternativa A (colonoscopia com stent) é absurda: a obstrução é de delgado, não de cólon, e stent não é tratamento para bridas. A alternativa B (laparotomia imediata) é precipitada, pois não há sinais de estrangulamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a conduta inicial (clínica) e a conduta definitiva (cirúrgica). O candidato que vê "obstrução intestinal" e "cirurgia prévia" já pensa em laparotomia, mas a regra é: sem sinais de estrangulamento, o tratamento inicial é conservador. A alternativa C é a mais traiçoeira, pois parece razoável (cateter, hidratação, dieta zero), mas erra ao propor repetir a TC em vez de definir o critério clínico de cirurgia. Fique atento: a repetição de imagem não é rotina; o que se repete é o exame clínico.

  1. 1Cateter nasogástrico
  2. 2Hidratação venosa
  3. 3Dieta oral zero
  4. 4Observação 48h
  5. 5Melhora? [+] Alta / [-] Laparotomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A colonoscopia terapêutica com colocação de stent é um procedimento para obstrução de cólon (geralmente neoplásica), não para obstrução de intestino delgado por bridas. O stent não tem papel no tratamento de aderências, e a colonoscopia não alcança o delgado proximal. Além disso, a obstrução por brida é uma causa mecânica que não se resolve com stent — o tratamento é clínico ou cirúrgico (lise de aderências).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A laparotomia exploradora imediata para lise de aderências seria indicada se houvesse sinais de estrangulamento (peritonite, instabilidade hemodinâmica, isquemia). O paciente está estável, sem dor à descompressão, e a TC não mostra sinais de sofrimento de alça. A cirurgia imediata em obstrução por brida sem complicações aumenta a morbidade e não é a conduta inicial recomendada. O tratamento conservador deve ser tentado primeiro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A conduta inicial (cateter nasogástrico, hidratação venosa, dieta oral zero) está correta, mas o erro está em "repetir a tomografia com contraste oral em 48h". A repetição de imagem não é rotina na obstrução por brida — o que se repete é a avaliação clínica. Além disso, a alternativa não define o critério de decisão cirúrgica (se não houver melhora em 48h), dando a entender que a simples repetição da TC resolveria o caso. A conduta correta é observar clinicamente e operar se não houver melhora.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve exatamente a conduta inicial recomendada: cateter nasogástrico (descompressão), hidratação venosa (correção de distúrbios hidroeletrolíticos), dieta oral zero (repouso intestinal) e observação clínica por 48 horas, com indicação de laparotomia apenas se não houver melhora. Esse é o manejo padrão da obstrução intestinal por bridas sem sinais de estrangulamento, e o paciente do enunciado se encaixa perfeitamente nesse perfil.

Gabarito: letra D — a conduta inicial é clínica, com observação por 48 horas e cirurgia apenas se não houver melhora.

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