Paciente masculino, 72 anos, deu entrada no pronto socorro com quadro de febre com calafrios, icterícia e dor abdominal, contínua no andar superior, acompanhado de náuseas e vômitos. Relatou ter sido submetido há 1 ano a colecistectomia videolaparoscópica, com boa recuperação pós-operatória. É hipertenso controlado e nega diabetes ou outras patologias. Encontra-se ictérico, eupneico, taquicárdico, TAX 38.6ºC, PA 150 x 90 mmHg. O exame de tomografia demonstra dilatação das vias biliares intra-hepática.O hemograma evidencia 22.340 leucócitos com 12 bastões, Hgb 9,3, PCR 17,63, BT 7,9 BD 6,1, amilase e lipase no limite superior da normalidade.Diante desse quadro clínico, laboratorial e de imagem, assinale a melhor conduta.
BSuporte clínico, antibióticos, drenagem cirúrgica da via biliar principal.
CSuporte clínico, antibióticos, papilotomia endoscópica precoce em até 24h.
DSuporte clínico, antibióticos, papilotomia endoscópica após resolução clínica do quadro.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Suporte clínico, antibióticos, papilotomia endoscópica precoce em até 24h.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colangite aguda: conduta na urgência
Gabarito: letra C. O quadro é de colangite aguda grave (tríade de Charcot + sinais de sepse), e a conduta correta é suporte clínico, antibióticos e papilotomia endoscópica precoce, em até 24 horas — a drenagem biliar não deve ser adiada até a resolução clínica completa, pois a demora aumenta a mortalidade. A alternativa C reflete exatamente o manejo recomendado pelas diretrizes de Tokyo para colangite moderada a grave.
A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, quase sempre secundária à obstrução do fluxo biliar — no caso, por coledocolitíase residual após colecistectomia. A tríade clássica de Charcot (febre, icterícia e dor abdominal no hipocôndrio direito) está presente, e a pêntade de Reynolds (que acrescenta hipotensão e confusão mental) indica gravidade extrema. O paciente apresenta leucocitose importante (22.340 com desvio à esquerda), PCR elevada, bilirrubina direta predominante (BD 6,1 de BT 7,9) e dilatação das vias biliares intra-hepáticas na tomografia — tudo confirma obstrução biliar infectada.
A conduta se divide em três pilares: suporte clínico (hidratação, correção de distúrbios), antibioticoterapia (cobrindo gram-negativos e enterococos) e drenagem biliar. A questão central é o timing da drenagem. Nas diretrizes de Tokyo 2018, a colangite é classificada em leve (grau I), moderada (grau II) e grave (grau III). Na forma moderada, a drenagem deve ser feita precocemente, em até 24-48 horas; na forma grave (com disfunção orgânica), a drenagem é urgente/emergencial. Aguardar a "resolução clínica" completa antes de drenar é um erro — a fonte da sepse é a obstrução biliar, e sem drenagem o paciente não melhora de forma sustentada.
A via de drenagem preferencial é a endoscópica (CPRE com papilotomia), menos invasiva que a cirúrgica. A drenagem cirúrgica fica reservada para falha ou indisponibilidade da endoscopia. A papilotomia "imediata" (alternativa A) seria indicada na colangite grave com choque refratário, mas o paciente está estável (PA 150x90, eupneico), então a conduta é precoce em até 24h, não emergencial imediata.
Guarde a diferença entre os graus de gravidade: é exatamente nela que as alternativas se separam — a banca testa se você sabe que a colangite moderada exige drenagem precoce (até 24h) e não tardia (após resolução clínica).
Colangite aguda (Tokyo 2018): Grau I (leve) (Drenagem eletiva); Grau II (moderada) (Drenagem precoce (até 24-48h)); Grau III (grave) (Drenagem imediata/emergencial); Vias de drenagem (CPRE com papilotomia (preferencial), Cirurgia (se falha/indisponível))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A papilotomia "imediata" é reservada para colangite grave com instabilidade hemodinâmica (pêntade de Reynolds, choque). O paciente está estável (PA 150x90, eupneico), portanto não há indicação de drenagem emergencial imediata — a conduta é precoce, mas não imediata.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A drenagem cirúrgica da via biliar principal é uma opção quando a endoscopia falha ou não está disponível. Não é a primeira escolha na colangite aguda, pois a CPRE com papilotomia é menos invasiva e tem menor morbimortalidade. A alternativa erra ao indicar cirurgia como conduta inicial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A colangite moderada (grau II de Tokyo) exige drenagem biliar precoce, em até 24-48 horas, após estabilização inicial com suporte e antibióticos. A CPRE com papilotomia é o método de escolha. O paciente se encaixa nesse cenário: estável, com sepse biliar, sem disfunção orgânica grave.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Aguardar a "resolução clínica" antes de drenar é um erro grave. A obstrução biliar é a fonte da sepse — sem drenagem, o paciente não melhora de forma sustentada, e a demora aumenta o risco de progressão para colangite grave, choque séptico e óbito. A drenagem deve ser precoce, não tardia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a diferença entre "imediata" (emergencial) e "precoce" (até 24h). Na colangite moderada, a drenagem é precoce; na grave, é imediata. O paciente estável do enunciado aponta para a primeira. Não confunda os graus de gravidade — é isso que separa a alternativa C da A.
PEGA ESSA DICA!
Para colangite, decore a classificação de Tokyo: leve (drenagem eletiva), moderada (drenagem precoce em até 24-48h), grave (drenagem imediata/emergencial). Na prova, identifique o grau pela presença de disfunção orgânica (hipotensão, confusão, insuficiência renal, etc.) e escolha o timing correto.