Paciente feminina de 36 anos alega tumoração dolorosa e redutível, abaixo da cicatriz umbilical, lateralmente a esquerda. O exame clínico foi inespecífico sendo complementado por uma ultrassonografia que evidenciou um abaulamento na parede abdominal, abaixo do músculo oblíquo externo, mais visível à manobra de Valsalva.Diante desse quadro, assinale a afirmativa que indica o diagnóstico e a melhor conduta.
AHérnia tipo III A de Nyhus; correção cirúrgica pela técnica de Stoppa.
BHérnia de Spiegel; correção cirúrgica com uso de prótese no espaço pré-peritoneal.
CHérnia de Spiegel; correção cirúrgica com uso de prótese no espaço supra aponeurótico do oblíquo externo.
DHérnia de Grynfelt; correção cirúrgica com uso de prótese no espaço entre os músculos oblíquo interno e externo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Hérnia de Spiegel; correção cirúrgica com uso de prótese no espaço pré-peritoneal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hérnia de Spiegel: diagnóstico e conduta cirúrgica
Gabarito: letra B. O quadro — tumoração dolorosa e redutível lateralmente à esquerda, abaixo da cicatriz umbilical, com abaulamento na parede abdominal abaixo do músculo oblíquo externo, mais visível à manobra de Valsalva — é a apresentação clássica da hérnia de Spiegel, e a conduta correta é a correção cirúrgica com uso de prótese no espaço pré-peritoneal. O diagnóstico diferencial com a hérnia de Grynfelt (lombar superior) e a classificação de Nyhus (hérnias inguinais) é o que separa as alternativas.
A hérnia de Spiegel é uma hérnia da parede abdominal lateral, que ocorre através da aponeurose do músculo transverso do abdome (a fáscia de Spiegel), localizada entre a borda lateral do músculo reto abdominal e a linha semilunar. Essa aponeurose é uma área de fraqueza natural da parede abdominal, e o conteúdo herniário (geralmente gordura pré-peritoneal ou alça intestinal) protrui através dela, ficando abaixo do músculo oblíquo externo, que permanece íntegro por cima. Por isso, o exame clínico pode ser inespecífico — a hérnia pode não ser palpável com facilidade, e a ultrassonografia com manobra de Valsalva é um método diagnóstico útil, como no caso da paciente.
A localização é o ponto-chave: a hérnia de Spiegel ocorre na parede lateral do abdome, tipicamente abaixo da cicatriz umbilical (na região do flanco ou fossa ilíaca), enquanto a hérnia de Grynfelt (ou hérnia lombar superior) ocorre na região lombar, através do trígono lombar superior (delimitado pela 12ª costela, músculo eretor da espinha e oblíquo interno). A hérnia de Nyhus, por sua vez, é uma classificação específica para hérnias inguinais (tipos I a IV), não se aplicando a hérnias da parede lateral.
Quanto à conduta, a correção cirúrgica é indicada em todas as hérnias de Spiegel sintomáticas, pelo risco de encarceramento e estrangulamento. A técnica preferida é a hernioplastia com tela (prótese), e o espaço de colocação da tela é o que diferencia as alternativas. O espaço pré-peritoneal (entre o peritônio e a fáscia transversalis) é o local ideal para a colocação da prótese, pois permite uma reparação robusta, com baixa taxa de recidiva e menor risco de lesão de estruturas. A colocação da tela no espaço supra-aponeurótico do oblíquo externo (alternativa C) ou entre os músculos oblíquo interno e externo (alternativa D) são posições menos anatômicas e associadas a maior risco de recidiva ou de desconforto.
A pegadinha central desta questão é a troca do espaço anatômico de colocação da prótese e a confusão entre hérnias de localizações diferentes. O candidato que sabe que se trata de uma hérnia de Spiegel pode errar ao escolher a alternativa C, que também menciona hérnia de Spiegel, mas com o espaço de colocação da tela errado. A alternativa B é a única que acerta tanto o diagnóstico quanto a conduta.
Guarde a fronteira entre os espaços anatômicos da parede abdominal e a localização de cada hérnia: é exatamente nesses dois critérios que as alternativas se dividem.
Hérnia de Spiegel
1Localização
Parede lateral do abdome
Abaixo da cicatriz umbilical
Através da aponeurose do transverso
2Diagnóstico
Abaulamento abaixo do oblíquo externo
USG com manobra de Valsalva
3Conduta
Correção cirúrgica com tela
Espaço pré-peritoneal
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A classificação de Nyhus é utilizada para hérnias inguinais, não para hérnias da parede lateral do abdome. A hérnia tipo III A de Nyhus corresponde a uma hérnia inguinal direta, o que não se aplica ao quadro descrito (abaulamento lateral, abaixo do oblíquo externo). Além disso, a técnica de Stoppa é uma reparação pré-peritoneal com tela, mais utilizada para hérnias inguinais complexas ou recidivadas, não sendo a conduta de primeira escolha para hérnia de Spiegel.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico é hérnia de Spiegel, pela localização lateral (à esquerda, abaixo da cicatriz umbilical) e pela ultrassonografia mostrando o abaulamento abaixo do músculo oblíquo externo. A conduta correta é a correção cirúrgica com prótese no espaço pré-peritoneal, que é a técnica de escolha para essa hérnia, proporcionando uma reparação eficaz com baixa taxa de recidiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diagnóstico de hérnia de Spiegel está correto, mas o espaço de colocação da prótese está errado. A tela não deve ser colocada no espaço supra-aponeurótico do oblíquo externo, pois essa posição é menos anatômica, não reforça adequadamente o defeito na aponeurose do transverso e está associada a maior risco de recidiva. O espaço correto é o pré-peritoneal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hérnia de Grynfelt é uma hérnia lombar superior, que ocorre através do trígono lombar superior, na região lombar — não na parede lateral do abdome abaixo da cicatriz umbilical. O quadro descrito é de hérnia de Spiegel. Além disso, a colocação da prótese entre os músculos oblíquo interno e externo não é a técnica recomendada para hérnia de Spiegel; o espaço pré-peritoneal é o preferido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas confusões clássicas: (1) trocar a hérnia de Spiegel pela hérnia de Grynfelt, que tem localização diferente (lombar superior, não lateral abdominal); e (2) trocar o espaço de colocação da prótese — o correto é o pré-peritoneal, não o supra-aponeurótico do oblíquo externo (alternativa C) nem o intermuscular (alternativa D). A alternativa C é a armadilha mais perigosa, pois acerta o diagnóstico mas erra a conduta. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para hérnias da parede abdominal, memorize a localização anatômica de cada uma: Spiegel (lateral, abaixo do umbigo, através da aponeurose do transverso), Grynfelt (lombar superior), Petit (lombar inferior), Spigel (linha semilunar). E lembre-se: a tela pré-peritoneal é o padrão-ouro para a maioria das hérnias da parede lateral, pois reforça o defeito na camada mais profunda.