Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg094584
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
A rejeição a um órgão transplantado, é uma consequência de um sistema que se desenvolveu ao longo de milhares de anos para proteger contra a invasão de patógenos e prevenir doenças subsequentes. Sobre a rejeição, assinale a afirmativa correta.
  1. AA rejeição pode ocorrer imediatamente após o transplante e é primariamente mediada principalmente pelas células T e por anticorpos pré-formados.
  2. BA rejeição aguda é um processo mediado frequentemente por uma resposta adquirida de anticorpos e geralmente ocorre nas primeiras semanas a meses após o transplante.
  3. CA rejeição crônica é uma causa comum de perda do enxerto a longo prazo e é decorrente de um processo fibrótico indolente que ocorre ao longo de meses a anos, secundária à lesão imunológica crônica de processos mediados por células T e B.
  4. DO momento mais crítico para a proteção imunológica são os primeiros dias. O enxerto é fresco e há um estado elevado de inflamação secundário à inevitável lesão do enxerto por isquemia-reperfusão. Por tal motivo, a imunossupressão deve ser progressivamente maior conforme o tempo decorrido do transplante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A rejeição crônica é uma causa comum de perda do enxerto a longo prazo e é decorrente de um processo fibrótico indolente que ocorre ao longo de meses a anos, secundária à lesão imunológica crônica de processos mediados por células T e B.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rejeição de órgãos transplantados: tipos e mecanismos

Gabarito: letra C. A rejeição crônica é a principal causa de perda tardia do enxerto, caracterizada por um processo fibrótico indolente que se desenvolve ao longo de meses a anos, secundário à lesão imunológica crônica mediada por células T e B. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a rejeição hiperaguda (não a imediata descrita) é mediada por anticorpos pré-formados, a rejeição aguda é predominantemente celular (linfócitos T), e a imunossupressão deve ser maior no início, não progressivamente maior com o tempo.

A rejeição é a resposta do sistema imunológico do receptor contra o órgão transplantado, reconhecido como estranho. Esse processo é classificado classicamente em três tipos principais, com base no tempo de ocorrência e no mecanismo imunológico predominante: hiperaguda, aguda e crônica. Compreender essa classificação é essencial para o manejo clínico, pois cada tipo tem apresentação, diagnóstico e tratamento distintos.

A rejeição hiperaguda ocorre em minutos a horas após o transplante. É mediada por anticorpos pré-formados no receptor contra antígenos do doador (sistema ABO, HLA ou endotélio). Esses anticorpos ativam o sistema complemento, levando a trombose microvascular, edema, hemorragia e necrose do enxerto. É uma complicação rara, mas gravíssima, com alta mortalidade, e o tratamento envolve a remoção dos anticorpos (plasmaférese) e imunossupressão agressiva.

A rejeição aguda ocorre tipicamente nas primeiras semanas a meses após o transplante (até 6 meses). Pode ser celular (mediada por linfócitos T, principalmente CD4 e CD8, que infiltram o enxerto) ou humoral (mediada por anticorpos anti-HLA do doador, chamados DSA). A rejeição aguda celular é a mais comum e costuma responder bem à pulsoterapia com corticosteroides. A rejeição aguda humoral tem pior prognóstico e requer tratamento mais agressivo, como plasmaférese e imunoglobulinas.

A rejeição crônica é a principal causa de perda do enxerto a longo prazo. Desenvolve-se ao longo de meses a anos, caracterizada por um processo fibrótico indolente, secundário à lesão imunológica crônica mediada por células T e B. Histologicamente, observa-se fibrose, atrofia tubular (no rim), arteriosclerose obliterativa, ductopenia (no fígado) e bronquiolite obliterante (no pulmão). O diagnóstico é essencialmente histopatológico, e o tratamento é limitado, focando na prevenção e no controle dos fatores de risco.

A imunossupressão é a base do manejo pós-transplante. O momento mais crítico é o período inicial, quando há maior risco de rejeição aguda devido à lesão de isquemia-reperfusão e à ativação do sistema imune. Por isso, a imunossupressão é mais intensa no início e pode ser reduzida progressivamente com o tempo, sempre equilibrando o risco de rejeição com o risco de infecções e outras complicações.

A pegadinha da banca está em inverter os mecanismos e os períodos de cada tipo de rejeição. A alternativa C é a única que descreve corretamente a rejeição crônica, enquanto as demais trocam os conceitos de hiperaguda, aguda e o esquema de imunossupressão.

Tipo de Rejeição

Tempo de Ocorrência

Mecanismo Predominante

Característica Principal

Hiperaguda

Minutos a horas

Anticorpos pré-formados (complemento)

Trombose microvascular, necrose; rara e gravíssima

Aguda

Semanas a meses (até 6 meses)

Celular (linfócitos T) ou humoral (anticorpos DSA)

Infiltrado inflamatório; celular responde a corticoide, humoral tem pior prognóstico

Crônica

Meses a anos

Células T e B (lesão imunológica crônica)

Fibrose indolente, perda tardia do enxerto; diagnóstico histopatológico

1Hiperaguda (minutos a horas)
Anticorpos pré-formados
Trombose e necrose
2Aguda (semanas a meses)
Celular: linfócitos T
Humoral: anticorpos anti-HLA
3Crônica (meses a anos)
Fibrose indolente
Células T e B
Principal causa de perda tardia
4Imunossupressão
Intensa no início
Reduzida com o tempo
Rejeição de transplante
LEVELsoulevel.com.br
Rejeição de transplante: Hiperaguda (minutos a horas) (Anticorpos pré-formados, Trombose e necrose); Aguda (semanas a meses) (Celular: linfócitos T, Humoral: anticorpos anti-HLA); Crônica (meses a anos) (Fibrose indolente, Células T e B, Principal causa de perda tardia); Imunossupressão (Intensa no início, Reduzida com o tempo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A rejeição que ocorre imediatamente após o transplante (minutos a horas) é a hiperaguda, mediada por anticorpos pré-formados. A alternativa erra ao afirmar que é "primariamente mediada principalmente pelas células T" — na rejeição hiperaguda, o protagonista é o anticorpo pré-formado, não a célula T. A resposta celular (células T) é característica da rejeição aguda celular, que ocorre em semanas a meses, não imediatamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A rejeição aguda é predominantemente celular, mediada por linfócitos T, e não "frequentemente por uma resposta adquirida de anticorpos". A rejeição aguda humoral (mediada por anticorpos) existe, mas é menos frequente que a celular. Além disso, o período descrito (primeiras semanas a meses) está correto, mas o mecanismo predominante está errado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A rejeição crônica é, de fato, uma causa comum de perda do enxerto a longo prazo, decorrente de um processo fibrótico indolente que ocorre ao longo de meses a anos. Esse processo é secundário à lesão imunológica crônica, mediada tanto por células T quanto por células B (anticorpos). A descrição está correta e completa, abrangendo o mecanismo, o tempo e a consequência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que "a imunossupressão deve ser progressivamente maior conforme o tempo decorrido do transplante". Na prática, ocorre o oposto: a imunossupressão é mais intensa no período inicial (quando o risco de rejeição é maior) e tende a ser reduzida progressivamente com o tempo, para minimizar os efeitos adversos (infecções, neoplasias, nefrotoxicidade). O momento mais crítico é, de fato, os primeiros dias, mas a conduta correta é reduzir, não aumentar, a imunossupressão ao longo do tempo.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg094584