Uma grave síndrome do compartimento não tratada pode resultar na perda da extremidade envolvida. Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
AA escarotomia do membro inferior deve poupar o nervo tibial anterior sempre que possível.
BUm valor alto de LDH (desidrogenase lática) é o principal indicador laboratorial de lesão muscular.
COs principais sinais da síndrome compartimental incluem ausência de dor inicial, calor e hiperemia do membro.
DA cirurgia das áreas profundas nos casos de queimaduras deve ser realizada tardiamente.
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GabaritoA — A escarotomia do membro inferior deve poupar o nervo tibial anterior sempre que possível.
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Síndrome Compartimental Aguda: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra A. A escarotomia do membro inferior deve poupar o nervo tibial anterior sempre que possível, pois a fasciotomia (ou escarotomia, no contexto de queimaduras) visa descomprimir os compartimentos musculares sem lesar estruturas nobres — e o nervo tibial anterior é uma delas. As demais alternativas distorcem o quadro clínico e o manejo da síndrome compartimental, que é uma emergência cirúrgica com dor desproporcional como principal sintoma.
A síndrome compartimental aguda (SCA) é uma condição em que o aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado compromete a perfusão tecidual, levando a isquemia muscular e nervosa. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento é a fasciotomia de urgência. A demora no diagnóstico ou no tratamento pode resultar em necrose muscular, deformidades por contratura (como a contratura de Volkmann) e até amputação do membro.
O quadro clínico clássico é marcado por dor desproporcional ao trauma, dor à extensão passiva dos músculos do compartimento, parestesias e paresia. Sinais como edema, congestão venosa e hipoperfusão indicam processo tardio. A ausência de pulso é um sinal tardio e não deve ser aguardada para o diagnóstico. A evolução temporal é crítica: lesão nervosa inicia-se em 1 hora, torna-se permanente em 4 horas, e a necrose muscular ocorre em 8 horas, com disfunção definitiva.
O tratamento é a fasciotomia, que deve ser realizada o mais rápido possível. No contexto de queimaduras, a escarotomia (incisão da escara) pode ser necessária para aliviar a pressão, e deve ser feita com cuidado para preservar estruturas neurovasculares, como o nervo tibial anterior no membro inferior. A cirurgia das áreas profundas em queimaduras, por sua vez, deve ser precoce, não tardia, para evitar infecção e sepse.
A pegadinha da banca está em inverter o quadro clínico (alternativa C) e em associar marcadores laboratoriais que não são específicos (alternativa B). A alternativa D também erra ao afirmar que a cirurgia deve ser tardia, quando o desbridamento precoce é a conduta recomendada.
Síndrome compartimental aguda
1Quadro clínico
Dor desproporcional ao trauma
Dor à extensão passiva
Parestesias e paresia
Sinais tardios: ausência de pulso
2Evolução temporal
1h: lesão nervosa inicia
4h: lesão nervosa permanente
8h: necrose muscular
3Tratamento
Fasciotomia de urgência
Escarotomia (queimaduras)
Preservar nervo tibial anterior
Desbridamento precoce
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A escarotomia do membro inferior deve poupar o nervo tibial anterior sempre que possível. A escarotomia é uma incisão através da escara (pele queimada) para aliviar a pressão em queimaduras circunferenciais, e deve ser realizada com técnica meticulosa para evitar lesão de estruturas nobres, como o nervo tibial anterior, que passa pelo compartimento anterior da perna. A preservação do nervo é fundamental para manter a função motora e sensitiva do membro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Um valor alto de LDH (desidrogenase lática) não é o principal indicador laboratorial de lesão muscular. O marcador mais específico e utilizado é a creatinofosfoquinase (CPK), que se eleva significativamente na rabdomiólise (acima de 5.000 U/L). O LDH é uma enzima inespecífica, presente em diversos tecidos, e não é o padrão para avaliar lesão muscular na síndrome compartimental.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os principais sinais da síndrome compartimental incluem dor intensa e desproporcional, não ausência de dor inicial. A alternativa inverte completamente o quadro clínico: em vez de dor, calor e hiperemia, o correto é dor à extensão passiva, parestesias, paresia e, em fases tardias, palidez e ausência de pulso. Calor e hiperemia não são características da síndrome compartimental, que cursa com membro edemaciado e tenso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cirurgia das áreas profundas nos casos de queimaduras deve ser realizada precocemente, não tardiamente. O desbridamento precoce e a cobertura da ferida são essenciais para reduzir o risco de infecção e sepse. A demora na intervenção cirúrgica aumenta a morbimortalidade. A escarotomia e a fasciotomia, quando indicadas, também devem ser feitas de imediato.