Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2024

MedicinaPneumologia
Código
fg094685
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Torácico
Em relação à síndrome pós pneumonectomia, assinale a afirmativa correta.
  1. AÉ complicação precoce no pós-operatório.
  2. BÉ decorrente da compressão de via aérea, secundária ao desvio mediastinal.
  3. CÉ mais comum nas pneumonectomias esquerdas.
  4. DPode ser evitada, com reposição hídrica judiciosa no pré-operatório.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — É decorrente da compressão de via aérea, secundária ao desvio mediastinal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome pós-pneumonectomia

Gabarito: letra B. A síndrome pós-pneumonectomia é uma complicação tardia (não precoce) que ocorre por compressão da via aérea (geralmente do brônquio principal contralateral ou da traqueia distal) secundária ao desvio mediastinal e à rotação/hiperinsuflação do pulmão remanescente. É mais comum nas pneumonectomias direitas (pela anatomia do mediastino, que se desvia mais facilmente para a direita) e não é prevenida por reposição hídrica pré-operatória — pelo contrário, o manejo hídrico judicioso visa evitar sobrecarga volêmica e edema pulmonar.

A pneumonectomia é a ressecção pulmonar de maior risco. No pós-operatório imediato, a cavidade pleural remanescente é preenchida por ar; após 24 horas, começa a acumular líquido, que em até 30 dias oblitera o espaço pleural em mais de 90% dos casos. Nesse período inicial, o desbalanço do mediastino pode causar choque obstrutivo por redução do retorno venoso — complicação precoce e distinta da síndrome pós-pneumonectomia. Esta, por sua vez, é uma complicação tardia, que se manifesta meses ou anos após a cirurgia, quando o desvio mediastinal progressivo e a hiperinsuflação compensatória do pulmão remanescente comprimem estruturas mediastinais, especialmente a via aérea.

A fisiopatologia da síndrome pós-pneumonectomia envolve o deslocamento do mediastino em direção ao hemitórax operado, com rotação do coração e dos grandes vasos, e a consequente compressão extrínseca da traqueia ou do brônquio principal contralateral. Isso pode levar a estenose de via aérea, com dispneia, estridor e infecções recorrentes. O tratamento pode ser cirúrgico (mediastinoplastia com próteses ou reposicionamento) ou broncoscópico (stent).

A distinção crucial que a banca explora é entre as complicações precoces e tardias da pneumonectomia. As precoces incluem o choque obstrutivo por desvio mediastinal agudo, a lesão pulmonar aguda (VILI), a pneumonia nosocomial e a congestão pulmonar. A síndrome pós-pneumonectomia é uma complicação tardia, com mecanismo fisiopatológico próprio (compressão de via aérea por desvio mediastinal crônico).

A pegadinha da questão está em associar a síndrome pós-pneumonectomia a um evento precoce ou a uma medida preventiva pré-operatória, quando na verdade ela é tardia e relacionada à mecânica do mediastino. O candidato que confunde as complicações precoces (como o choque obstrutivo) com a síndrome pós-pneumonectomia erra a questão.

Guarde a fronteira entre complicações precoces e tardias da pneumonectomia: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Característica

Síndrome pós-pneumonectomia (complicação tardia)

Complicações precoces (ex.: choque obstrutivo)

Tempo de manifestação

Meses a anos após a cirurgia

Imediato / primeiras 24-48h

Mecanismo fisiopatológico

Compressão extrínseca da via aérea (traqueia/brônquio contralateral) por desvio mediastinal crônico e hiperinsuflação do pulmão remanescente

Desbalanço agudo do mediastino com redução do retorno venoso (choque obstrutivo), lesão pulmonar aguda, congestão

Lateralidade mais comum

Pneumonectomia direita

Não específica (depende da complicação)

Prevenção

Não prevenida por manejo hídrico pré-operatório; tratamento cirúrgico ou broncoscópico (stent)

Manejo hídrico judicioso, cuidados pós-operatórios imediatos

1Complicação tardia
meses a anos após cirurgia
2Mecanismo
desvio mediastinal crônico
compressão de via aérea
hiperinsuflação do pulmão remanescente
3Mais comum
pneumonectomia direita
4Tratamento
mediastinoplastia
stent broncoscópico
Síndrome pós-pneumonectomia
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome pós-pneumonectomia: Complicação tardia (meses a anos após cirurgia); Mecanismo (desvio mediastinal crônico, compressão de via aérea, hiperinsuflação do pulmão remanescente); Mais comum (pneumonectomia direita); Tratamento (mediastinoplastia, stent broncoscópico)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a síndrome pós-pneumonectomia é complicação precoce. Errado: é uma complicação tardia, que se manifesta meses a anos após a cirurgia. As complicações precoces incluem choque obstrutivo por desvio mediastinal agudo, lesão pulmonar aguda (VILI), pneumonia e congestão pulmonar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente a fisiopatologia: a síndrome pós-pneumonectomia é decorrente da compressão de via aérea (traqueia ou brônquio principal contralateral) secundária ao desvio mediastinal crônico e à hiperinsuflação do pulmão remanescente. É exatamente o mecanismo que define a síndrome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que é mais comum nas pneumonectomias esquerdas. Errado: é mais comum nas pneumonectomias direitas, pois o mediastino se desvia mais facilmente para a direita (o coração e os grandes vasos são menos fixos nesse lado), aumentando o risco de compressão da via aérea.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que pode ser evitada com reposição hídrica judiciosa no pré-operatório. Errado: a reposição hídrica judiciosa no pré-operatório visa prevenir complicações precoces como congestão pulmonar e edema pulmonar, não a síndrome pós-pneumonectomia, que é uma complicação tardia de natureza mecânica (compressão de via aérea por desvio mediastinal).

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg094685