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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2024

MedicinaPneumologia
Código
fg094688
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Torácico
Na interpretação do PET-CT, podemos encontrar resultados falso negativo no diagnóstico de neoplasia pulmonar primária ou metastática, nas seguintes situações:I. Lesão em vidro fosco;II. Tumor carcinoide;III. Carcinoma mucinoso gastrointestinal.Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BII, apenas.
  3. CI e II, apenas.
  4. DI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Falso-negativo no PET-CT em neoplasias pulmonares

Gabarito: letra D. As três situações listadas — lesão em vidro fosco, tumor carcinoide e carcinoma mucinoso gastrointestinal — são causas reconhecidas de resultado falso-negativo no PET-CT para neoplasia pulmonar primária ou metastática, pois todas apresentam baixa captação de FDG (fluordesoxiglicose), o que impede a detecção pelo exame. A questão exige o conhecimento das limitações metabólicas do PET-CT, e não apenas a sua utilidade diagnóstica.

O PET-CT é um exame de imagem funcional que detecta lesões metabolicamente ativas, baseando-se na captação aumentada de glicose marcada (FDG) por células neoplásicas. No entanto, nem toda neoplasia apresenta alto metabolismo glicolítico, e é exatamente aí que mora a limitação: tumores com baixa densidade celular, crescimento lento ou produção de mucina podem não captar FDG de forma significativa, gerando falso-negativos. O entendimento desse mecanismo é essencial para interpretar corretamente o exame e evitar conclusões precipitadas.

A lesão em vidro fosco (ground-glass) é um padrão tomográfico caracterizado por opacidade pulmonar com preservação dos bronquíolos e vasos, frequentemente associada a adenocarcinoma minimamente invasivo ou carcinoma in situ. Essas lesões têm baixa densidade celular e metabolismo reduzido, o que resulta em captação de FDG discretamente aumentada ou até ausente, tornando o PET-CT pouco sensível para sua detecção. O tumor carcinoide, por sua vez, é uma neoplasia neuroendócrina de baixo grau, com crescimento lento e baixa atividade mitótica, o que se traduz em baixa avidez pelo FDG. Já o carcinoma mucinoso gastrointestinal, quando metastático para o pulmão, produz grande quantidade de mucina extracelular, que dilui as células tumorais e reduz a densidade metabólica da lesão, também levando a falso-negativo.

Na prática clínica, o PET-CT é uma ferramenta valiosa no estadiamento do câncer de pulmão, mas o médico deve estar atento a essas armadilhas. Por exemplo, um paciente com nódulo pulmonar em vidro fosco e PET-CT negativo não pode ter a hipótese de malignidade descartada — a conduta deve ser baseada na tomografia e na biópsia. Da mesma forma, um tumor carcinoide com PET negativo não exclui o diagnóstico, e a ressecção cirúrgica pode ser indicada com base em outros critérios. A distinção entre falso-negativo e falso-positivo é crucial: enquanto o falso-negativo ocorre por baixa captação (como nos casos acima), o falso-positivo ocorre por captação aumentada em processos inflamatórios ou infecciosos, como tuberculose, sarcoidose ou pneumonia.

A banca explora exatamente o conhecimento dessas exceções metabólicas. O candidato que apenas decora as indicações do PET-CT pode marcar a alternativa que exclui o tumor carcinoide ou o carcinoma mucinoso, mas o domínio do mecanismo de captação do FDG é o que garante o acerto. Guarde o critério: baixa captação de FDG é o denominador comum das três situações — é isso que as une como causas de falso-negativo.

Falso-negativo no PET-CT
  • 1Mecanismo
    • Baixa captação de FDG
    • Baixa densidade celular
    • Crescimento lento
  • 2Causas
    • Lesão em vidro fosco
      • Adenocarcinoma minimamente invasivo
    • Tumor carcinoide
      • Neuroendócrino de baixo grau
    • Carcinoma mucinoso gastrointestinal
      • Produção de mucina extracelular
  • 3Contraste
    • Falso-positivo
      • Processos inflamatórios
      • Infecções (tuberculose, sarcoidose)
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Item I — ✅ Correto

A lesão em vidro fosco é uma causa clássica de falso-negativo no PET-CT. Por ser uma opacidade de baixa densidade, frequentemente associada a adenocarcinoma de crescimento lento, a captação de FDG é mínima ou ausente, não sendo detectada pelo exame. O diagnóstico, nesses casos, depende da tomografia de alta resolução e da biópsia.

Item II — ✅ Correto

O tumor carcinoide, neoplasia neuroendócrina de baixo grau, tem baixa atividade metabólica e, portanto, baixa captação de FDG. Isso faz com que o PET-CT apresente resultado falso-negativo, sendo o exame pouco útil para sua detecção e estadiamento.

Item III — ✅ Correto

O carcinoma mucinoso gastrointestinal, quando metastático para o pulmão, produz grande quantidade de mucina, que reduz a densidade celular e a captação de FDG. Assim, o PET-CT pode não detectar a lesão, caracterizando falso-negativo.

Conclusão: os itens I, II e III estão corretos, portanto a alternativa é a letra D.

Gabarito: letra D

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