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Questão de Medicina — Angiologia — FGV 2024

MedicinaAngiologia
Código
fg094694
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Vascular
A utilização do D-dímero nos quadros de Tromboembolismo Venoso, tanto na Trombose Venosa Profunda quanto no Tromboembolismo Pulmonar, já é conhecido, principalmente pelo seu valor preditivo negativo nesses casos. Sobre o D-dímero, é correto afirmar que
  1. Aa gravidez não altera seu valor preditivo negativo.
  2. Ba idade do paciente não interfere nos valores.
  3. Cé o responsável pela degradação da fibrina.
  4. Dcirurgias recentes podem alterar o D-dímero.
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GabaritoD — cirurgias recentes podem alterar o D-dímero.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

D-dímero no Tromboembolismo Venoso: interpretação e limitações

Gabarito: letra D. O D-dímero é um produto da degradação da fibrina, e seus níveis podem estar elevados em diversas situações clínicas que não o TEV, incluindo cirurgias recentes — por isso a alternativa D está correta. As demais alternativas erram ao afirmar que a gravidez não altera o valor preditivo negativo, que a idade não interfere nos valores, ou que o D-dímero é o responsável pela degradação da fibrina (na verdade, ele é um produto dessa degradação).

O D-dímero é um fragmento proteico liberado quando a plasmina degrada a fibrina de um coágulo. Sua principal utilidade clínica no TEV (TVP e TEP) é o alto valor preditivo negativo: um resultado negativo, em pacientes com baixa ou moderada probabilidade pré-teste, praticamente exclui o diagnóstico. Porém, sua especificidade é baixa, pois a degradação da fibrina ocorre em muitos outros processos, como inflamação, câncer, necrose, infecção, gravidez, idade avançada e pós-operatório/cirurgias recentes.

A baixa especificidade significa que muitos pacientes sem TEV terão D-dímero elevado, gerando falsos-positivos. Isso é especialmente problemático em situações como:

  • Pacientes internados

  • Pós-operatório (cirurgias recentes)

  • Idosos (> 80 anos)

  • Evento trombótico ou sangramento recente

  • Gravidez e puerpério

Na gravidez, os valores de D-dímero aumentam com a progressão da gestação e no puerpério, levando a falsos-positivos. Por isso, o uso isolado do D-dímero para excluir TEV não é adequado nesse subgrupo; seu emprego em algoritmos diagnósticos que incluem dados clínicos potencialmente aumenta o valor preditivo negativo e reduz a necessidade de exames de imagem.

A idade também interfere: os valores de D-dímero aumentam com a idade, e recomenda-se usar cutoffs ajustados à idade (idade em anos × 10 µg/L) em pacientes acima de 50 anos, para melhorar a especificidade sem comprometer a sensibilidade.

A pegadinha desta questão está em distinguir o que o D-dímero é (produto da degradação da fibrina) do que ele faz (é dosado para excluir TEV). A alternativa C inverte essa relação: o D-dímero não é o responsável pela degradação — ele é o resultado dela.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a gravidez não altera o valor preditivo negativo do D-dímero. Na verdade, na gravidez os valores de D-dímero aumentam com a progressão da gestação e no puerpério, levando a falsos-positivos e reduzindo a especificidade. O valor preditivo negativo pode ser comprometido se o teste for usado isoladamente, sem integração com a probabilidade clínica. Portanto, a gravidez altera o desempenho do exame.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a idade do paciente não interfere nos valores. É o oposto: os valores de D-dímero aumentam com a idade, e recomenda-se usar cutoffs ajustados à idade (idade × 10 µg/L) em pacientes acima de 50 anos para melhorar a especificidade. A idade é um fator que interfere diretamente na interpretação do exame.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o D-dímero é o responsável pela degradação da fibrina. Isso está invertido: o D-dímero é um produto da degradação da fibrina, que é realizada pela enzima plasmina. O D-dímero é liberado quando a plasmina degrada a fibrina de um coágulo. Portanto, ele não degrada a fibrina; ele é o resultado dessa degradação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que cirurgias recentes podem alterar o D-dímero. Correto: o pós-operatório é uma das situações em que a especificidade do D-dímero é muito baixa (até menor que 10%), pois a cirurgia causa degradação de fibrina e elevação do D-dímero, independentemente de TEV. Isso gera falsos-positivos e torna o exame pouco útil nesse contexto. A tabela de causas de elevação do D-dímero inclui explicitamente "cirurgias" e "feridas cirúrgicas".

Gabarito: letra D

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