Paciente de 67 anos, sexo masculino, fumante, hipertenso, dá entrada na sala de emergência com quadro de dor de início súbito no membro inferior direito.Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca = 83 bpm, frequência respiratória = 22 irpm, Sat O2 99%. Observa-se palidez e frialdade da perna direita, com pulsos femorais amplos e simétricos. Os pulsos poplíteos encontram-se assimétricos, não palpável à direita. Pulsos podálicos esquerdos amplos e ausentes também à direita. Além da dor mesmo em repouso, repara-se alteração na dorsiflexão do pé direito. Realizado o Eco Color Doppler Arterial (Duplex Scan), observa-se: oclusão de artéria poplítea direita. No Doppler Venoso, não há alterações.Com os dados acima, qual seria a posição do paciente na Classificação de Rutherford e qual o tratamento a ser indicado.
AIII, membro já inviável, indicada amputação.
BIIa, membro em risco potencial, heparinização plena.
CIIb, membro em risco imediato, intervenção cirúrgica.
DI, membro viável, heparinização plena.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — IIb, membro em risco imediato, intervenção cirúrgica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Isquemia aguda de membro: Classificação de Rutherford e conduta
Gabarito: letra C. O paciente apresenta isquemia aguda de membro inferior direito com déficit motor (alteração na dorsiflexão do pé), o que o classifica como Rutherford IIb — membro em risco imediato, exigindo intervenção cirúrgica de urgência (revascularização). A presença de déficit motor é o marco que separa a categoria IIb da IIa, e é exatamente esse detalhe clínico que a alternativa correta captura.
A isquemia aguda de membro (IAM) é uma emergência vascular caracterizada pela redução súbita da perfusão arterial, tipicamente por embolia ou trombose. O quadro clássico é resumido pelos "seis Ps": dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), poiquilotermia (redução da temperatura), parestesia e paralisia. No caso, o paciente apresenta dor em repouso, palidez, frialdade, ausência de pulsos poplíteo e podálicos à direita — e, crucialmente, alteração na dorsiflexão do pé, que é um déficit motor. A oclusão da artéria poplítea foi confirmada por Duplex Scan, e o Doppler venoso normal afasta trombose venosa profunda como diagnóstico diferencial.
A Classificação de Rutherford (baseada na classificação de SVS/ISCVS) estratifica a isquemia aguda em quatro categorias, conforme a gravidade e a viabilidade do membro. O ponto central é que a presença de déficit motor (fraqueza muscular) ou sensitivo (parestesia) define a categoria IIb, que é uma emergência cirúrgica. Na categoria IIa, o membro ainda é viável, sem déficit neurológico, e a conduta pode ser inicialmente clínica (heparinização) com avaliação para revascularização. Já na categoria III, o membro está irreversivelmente inviável (necrose, rigidez muscular, anestesia), e a amputação é a conduta indicada.
A distinção entre IIa e IIb é a mais cobrada em provas e a mais sutil: ambas têm o membro em risco, mas a IIb apresenta déficit neurológico (motor ou sensitivo) — o que torna a revascularização uma emergência, pois o tempo de isquemia já está comprometendo a viabilidade do membro. Na IIa, o déficit ainda não está presente, e há uma janela maior para o tratamento. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que não valoriza o déficit motor classifica o paciente como IIa e erra a conduta.
Na prática, o tratamento da isquemia aguda de membro envolve, em todas as categorias, a heparinização plena imediata (para evitar progressão do trombo) e a avaliação cirúrgica precoce. Na categoria IIb, a revascularização de urgência é mandatória — por tromboembolectomia (Fogarty), trombólise dirigida por cateter ou bypass, dependendo da etiologia e do tempo de isquemia. A demora na revascularização na IIb leva à progressão para a categoria III, com perda irreversível do membro.
Guarde a fronteira que decide esta questão: déficit motor ou sensitivo presente = Rutherford IIb = intervenção cirúrgica imediata. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
Critério
Rutherford IIa
Rutherford IIb
Rutherford III
Viabilidade do membro
Ameaçado (risco potencial)
Ameaçado (risco imediato)
Inviável (perda irreversível)
Déficit motor/sensitivo
Ausente
Presente (ex.: alteração na dorsiflexão)
Anestesia profunda, rigidez muscular
Conduta
Heparinização plena + avaliação para revascularização
Intervenção cirúrgica de urgência (revascularização) + heparinização plena
Amputação
Rutherford (isquemia aguda): I — membro viável (Sem déficit neurológico, Heparinização plena); IIa — risco potencial (Sem déficit motor/sensitivo, Heparinização + avaliação); IIb — risco imediato (Déficit motor/sensitivo, Intervenção cirúrgica urgente); III — membro inviável (Necrose, rigidez, anestesia, Amputação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o membro é inviável (Rutherford III) e indica amputação. O erro está em superestimar a gravidade: o paciente tem déficit motor, mas não apresenta sinais de inviabilidade irreversível, como rigidez muscular, anestesia profunda, cianose fixa ou necrose. A categoria III é reservada para o membro já perdido, em que a revascularização não traria benefício. Aqui, o membro ainda é viável e deve ser revascularizado em caráter de urgência — não amputado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Classifica como Rutherford IIa (membro em risco potencial) e indica apenas heparinização plena. O erro está em subestimar a gravidade: a presença de déficit motor (alteração na dorsiflexão) eleva a classificação para IIb, não IIa. Na IIa, o membro é viável e sem déficit neurológico, permitindo conduta inicial clínica; na IIb, o déficit motor já está presente e a revascularização é urgente. A heparinização plena é parte do tratamento, mas não é suficiente — a intervenção cirúrgica é mandatória.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classifica corretamente como Rutherford IIb (membro em risco imediato) e indica intervenção cirúrgica. O déficit motor (alteração na dorsiflexão do pé) é o achado que define a categoria IIb, pois indica que a isquemia já comprometeu a função neuromuscular — o que torna a revascularização uma emergência. A conduta é a intervenção cirúrgica de urgência (tromboembolectomia ou bypass), sempre com heparinização plena associada. A alternativa espelha exatamente a regra: déficit motor presente = IIb = cirurgia imediata.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Classifica como Rutherford I (membro viável) e indica apenas heparinização plena. O erro é duplo: primeiro, o paciente tem déficit motor, o que o coloca na categoria IIb, não I; segundo, a categoria I é assintomática ou com isquemia leve, sem dor em repouso nem déficit — o que não se aplica ao caso, que apresenta dor em repouso e alteração motora. A heparinização plena isolada é insuficiente para a IIb, que exige revascularização urgente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a fronteira entre Rutherford IIa e IIb. O candidato que não valoriza o déficit motor (alteração na dorsiflexão) classifica o paciente como IIa e erra a conduta. A regra de ouro: déficit motor ou sensitivo presente = IIb = cirurgia imediata. Na IIa, o membro ainda é viável sem déficit neurológico, e a conduta pode ser inicialmente clínica. Memorize essa distinção — ela é a chave para acertar questões de isquemia aguda.