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Questão de Medicina — Angiologia — FGV 2024

MedicinaAngiologia
Código
fg094697
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Vascular
Paciente de 67 anos, sexo masculino, fumante, hipertenso, dá entrada na sala de emergência com quadro de dor de início súbito no membro inferior direito.Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca = 83 bpm, frequência respiratória = 22 irpm, Sat O2 99%. Observa-se palidez e frialdade da perna direita, com pulsos femorais amplos e simétricos. Os pulsos poplíteos encontram-se assimétricos, não palpável à direita. Pulsos podálicos esquerdos amplos e ausentes também à direita. Além da dor mesmo em repouso, repara-se alteração na dorsiflexão do pé direito. Realizado o Eco Color Doppler Arterial (Duplex Scan), observa-se: oclusão de artéria poplítea direita. No Doppler Venoso, não há alterações.Com os dados acima, qual seria a posição do paciente na Classificação de Rutherford e qual o tratamento a ser indicado.
  1. AIII, membro já inviável, indicada amputação.
  2. BIIa, membro em risco potencial, heparinização plena.
  3. CIIb, membro em risco imediato, intervenção cirúrgica.
  4. DI, membro viável, heparinização plena.
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GabaritoC — IIb, membro em risco imediato, intervenção cirúrgica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Isquemia aguda de membro: Classificação de Rutherford e conduta

Gabarito: letra C. O paciente apresenta isquemia aguda de membro inferior direito com déficit motor (alteração na dorsiflexão do pé), o que o classifica como Rutherford IIb — membro em risco imediato, exigindo intervenção cirúrgica de urgência (revascularização). A presença de déficit motor é o marco que separa a categoria IIb da IIa, e é exatamente esse detalhe clínico que a alternativa correta captura.

A isquemia aguda de membro (IAM) é uma emergência vascular caracterizada pela redução súbita da perfusão arterial, tipicamente por embolia ou trombose. O quadro clássico é resumido pelos "seis Ps": dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), poiquilotermia (redução da temperatura), parestesia e paralisia. No caso, o paciente apresenta dor em repouso, palidez, frialdade, ausência de pulsos poplíteo e podálicos à direita — e, crucialmente, alteração na dorsiflexão do pé, que é um déficit motor. A oclusão da artéria poplítea foi confirmada por Duplex Scan, e o Doppler venoso normal afasta trombose venosa profunda como diagnóstico diferencial.

A Classificação de Rutherford (baseada na classificação de SVS/ISCVS) estratifica a isquemia aguda em quatro categorias, conforme a gravidade e a viabilidade do membro. O ponto central é que a presença de déficit motor (fraqueza muscular) ou sensitivo (parestesia) define a categoria IIb, que é uma emergência cirúrgica. Na categoria IIa, o membro ainda é viável, sem déficit neurológico, e a conduta pode ser inicialmente clínica (heparinização) com avaliação para revascularização. Já na categoria III, o membro está irreversivelmente inviável (necrose, rigidez muscular, anestesia), e a amputação é a conduta indicada.

A distinção entre IIa e IIb é a mais cobrada em provas e a mais sutil: ambas têm o membro em risco, mas a IIb apresenta déficit neurológico (motor ou sensitivo) — o que torna a revascularização uma emergência, pois o tempo de isquemia já está comprometendo a viabilidade do membro. Na IIa, o déficit ainda não está presente, e há uma janela maior para o tratamento. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que não valoriza o déficit motor classifica o paciente como IIa e erra a conduta.

Na prática, o tratamento da isquemia aguda de membro envolve, em todas as categorias, a heparinização plena imediata (para evitar progressão do trombo) e a avaliação cirúrgica precoce. Na categoria IIb, a revascularização de urgência é mandatória — por tromboembolectomia (Fogarty), trombólise dirigida por cateter ou bypass, dependendo da etiologia e do tempo de isquemia. A demora na revascularização na IIb leva à progressão para a categoria III, com perda irreversível do membro.

Guarde a fronteira que decide esta questão: déficit motor ou sensitivo presente = Rutherford IIb = intervenção cirúrgica imediata. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

Critério

Rutherford IIa

Rutherford IIb

Rutherford III

Viabilidade do membro

Ameaçado (risco potencial)

Ameaçado (risco imediato)

Inviável (perda irreversível)

Déficit motor/sensitivo

Ausente

Presente (ex.: alteração na dorsiflexão)

Anestesia profunda, rigidez muscular

Conduta

Heparinização plena + avaliação para revascularização

Intervenção cirúrgica de urgência (revascularização) + heparinização plena

Amputação

1I — membro viável
Sem déficit neurológico
Heparinização plena
2IIa — risco potencial
Sem déficit motor/sensitivo
Heparinização + avaliação
3IIb — risco imediato
Déficit motor/sensitivo
Intervenção cirúrgica urgente
4III — membro inviável
Necrose, rigidez, anestesia
Amputação
Rutherford (isquemia aguda)
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Rutherford (isquemia aguda): I — membro viável (Sem déficit neurológico, Heparinização plena); IIa — risco potencial (Sem déficit motor/sensitivo, Heparinização + avaliação); IIb — risco imediato (Déficit motor/sensitivo, Intervenção cirúrgica urgente); III — membro inviável (Necrose, rigidez, anestesia, Amputação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o membro é inviável (Rutherford III) e indica amputação. O erro está em superestimar a gravidade: o paciente tem déficit motor, mas não apresenta sinais de inviabilidade irreversível, como rigidez muscular, anestesia profunda, cianose fixa ou necrose. A categoria III é reservada para o membro já perdido, em que a revascularização não traria benefício. Aqui, o membro ainda é viável e deve ser revascularizado em caráter de urgência — não amputado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Classifica como Rutherford IIa (membro em risco potencial) e indica apenas heparinização plena. O erro está em subestimar a gravidade: a presença de déficit motor (alteração na dorsiflexão) eleva a classificação para IIb, não IIa. Na IIa, o membro é viável e sem déficit neurológico, permitindo conduta inicial clínica; na IIb, o déficit motor já está presente e a revascularização é urgente. A heparinização plena é parte do tratamento, mas não é suficiente — a intervenção cirúrgica é mandatória.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente como Rutherford IIb (membro em risco imediato) e indica intervenção cirúrgica. O déficit motor (alteração na dorsiflexão do pé) é o achado que define a categoria IIb, pois indica que a isquemia já comprometeu a função neuromuscular — o que torna a revascularização uma emergência. A conduta é a intervenção cirúrgica de urgência (tromboembolectomia ou bypass), sempre com heparinização plena associada. A alternativa espelha exatamente a regra: déficit motor presente = IIb = cirurgia imediata.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Classifica como Rutherford I (membro viável) e indica apenas heparinização plena. O erro é duplo: primeiro, o paciente tem déficit motor, o que o coloca na categoria IIb, não I; segundo, a categoria I é assintomática ou com isquemia leve, sem dor em repouso nem déficit — o que não se aplica ao caso, que apresenta dor em repouso e alteração motora. A heparinização plena isolada é insuficiente para a IIb, que exige revascularização urgente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a fronteira entre Rutherford IIa e IIb. O candidato que não valoriza o déficit motor (alteração na dorsiflexão) classifica o paciente como IIa e erra a conduta. A regra de ouro: déficit motor ou sensitivo presente = IIb = cirurgia imediata. Na IIa, o membro ainda é viável sem déficit neurológico, e a conduta pode ser inicialmente clínica. Memorize essa distinção — ela é a chave para acertar questões de isquemia aguda.

Gabarito: letra C

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