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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg094706
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Vascular
O exame clínico na cirurgia vascular é fundamental para a indicação de exames complementares adequados e diagnóstico correto.

Sobre os casos de oclusão arterial crônica, assinale a afirmativa incorreta.
  1. ADeve-se avaliar os pulsos femorais, poplíteos, pediosos e tibiais posteriores no exame físico.
  2. BSintomas tendem a ter instalação progressiva, podendo estabilizar por tempo variável até que ocorra progressão da lesão prévia ou desenvolvimento de novas.
  3. CNas oclusões arteriais crônicas, a circulação colateral vai se desenvolvendo para suprir o leito arterial de volume sanguíneo, carreando aos tecidos distais o mesmo volume de sangue que fluía pelo vaso troncular.
  4. DA diferença na apresentação de sintomas da oclusão arterial aguda para a crônica ocorre devido à presença ou não da circulação colateral.
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GabaritoC — Nas oclusões arteriais crônicas, a circulação colateral vai se desenvolvendo para suprir o leito arterial de volume sanguíneo, carreando aos tecidos distais o mesmo volume de sangue que fluía pelo vaso troncular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oclusão arterial crônica: exame clínico e fisiopatologia

Gabarito: letra C. A afirmativa incorreta é a que afirma que a circulação colateral carreia aos tecidos distais o mesmo volume de sangue que fluía pelo vaso troncular — na realidade, a circulação colateral é um sistema de compensação parcial, que atenua a isquemia, mas raramente restaura o fluxo sanguíneo original. As demais alternativas (A, B e D) descrevem corretamente aspectos do exame físico e da evolução clínica da oclusão arterial crônica.

A oclusão arterial crônica, também chamada de doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), é uma condição caracterizada pela obstrução gradual e progressiva de uma artéria, geralmente por aterosclerose. Diferentemente da oclusão arterial aguda (OAA), que se instala em menos de 2 semanas e cursa com isquemia grave e súbita, a oclusão crônica permite o desenvolvimento de uma circulação colateral — uma rede de pequenos vasos que se forma ao redor da obstrução para tentar manter a perfusão dos tecidos distais. Essa rede colateral é um mecanismo adaptativo importante, mas tem capacidade limitada: ela consegue mitigar a isquemia, mas não substitui integralmente o fluxo do vaso original. Por isso, os pacientes com oclusão crônica frequentemente apresentam sintomas como claudicação intermitente (dor ao caminhar que melhora com o repouso), que refletem a insuficiência do fluxo colateral durante o aumento da demanda metabólica.

O exame físico é a pedra angular do diagnóstico. A palpação dos pulsos arteriais — femorais, poplíteos, pediosos e tibiais posteriores — permite identificar a localização e a gravidade da obstrução. A ausência ou diminuição de um pulso distal à oclusão é um achado clássico. Além disso, sinais de isquemia crônica, como rarefação de pelos, pele fina e brilhante, atrofia muscular e unhas espessadas, corroboram o diagnóstico. A história clínica também é fundamental: os sintomas tendem a ter instalação progressiva, com períodos de estabilização seguidos de piora, à medida que a lesão aterosclerótica avança ou novas lesões surgem.

A diferença fundamental entre a oclusão arterial aguda e a crônica reside justamente na presença ou ausência de circulação colateral. Na oclusão aguda (embolia ou trombose aguda), não há tempo para o desenvolvimento de colaterais, resultando em isquemia grave e sintomas dramáticos (dor intensa, palidez, ausência de pulsos, parestesia, paralisia). Na oclusão crônica, a formação gradual de colaterais permite que o membro sobreviva, embora com sintomas de insuficiência arterial aos esforços. Essa distinção é crucial para a abordagem diagnóstica e terapêutica.

A pegadinha da questão está na alternativa C, que exagera a capacidade da circulação colateral ao afirmar que ela carreia o mesmo volume de sangue que o vaso troncular. Na prática, a circulação colateral é um sistema de baixa resistência e alto fluxo, mas com capacidade limitada de vasodilatação e de aumento do fluxo sob demanda. Ela consegue manter a perfusão basal dos tecidos, mas não o fluxo máximo necessário durante o exercício, o que explica a claudicação intermitente. Portanto, a afirmativa C está incorreta ao superestimar a eficácia da circulação colateral.

Aspecto

Oclusão Arterial Aguda

Oclusão Arterial Crônica

Instalação

Súbita (menos de 2 semanas)

Gradual e progressiva

Circulação colateral

Ausente (não há tempo para desenvolver)

Presente (compensação parcial)

Sintomas

Dor intensa, palidez, ausência de pulsos, parestesia, paralisia

Claudicação intermitente, sinais de isquemia crônica (rarefação de pelos, pele fina, atrofia muscular)

Fluxo sanguíneo distal

Gravemente reduzido

Mantido parcialmente, mas insuficiente sob demanda (ex.: exercício)

Circulação colateral
  • 1Oclusão crônica
    • Compensação parcial
    • Não restaura fluxo original
    • Mantém perfusão basal
    • Falha sob demanda (claudicação)
  • 2Oclusão aguda
    • Sem tempo para colaterais
    • Isquemia grave e súbita
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Alternativa A — ✅ Correta

A avaliação dos pulsos femorais, poplíteos, pediosos e tibiais posteriores é parte essencial do exame físico vascular. A palpação desses pulsos permite identificar a localização da obstrução arterial e avaliar a gravidade da doença. A ausência ou diminuição de um pulso distal à oclusão é um achado clássico da DAOP. A alternativa está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A oclusão arterial crônica tem evolução progressiva, com sintomas que se instalam gradualmente. O paciente pode apresentar períodos de estabilização, nos quais a circulação colateral compensa parcialmente a obstrução, seguidos de piora quando há progressão da lesão aterosclerótica ou desenvolvimento de novas lesões. Essa descrição está correta e reflete a história natural da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está incorreta ao afirmar que a circulação colateral carreia aos tecidos distais o mesmo volume de sangue que fluía pelo vaso troncular. A circulação colateral é um mecanismo de compensação parcial, que atenua a isquemia, mas não restaura o fluxo sanguíneo original. Ela é suficiente para manter a perfusão basal, mas não para atender à demanda aumentada durante o exercício, o que explica a claudicação intermitente. A banca explora a superestimação da capacidade da circulação colateral.

Alternativa D — ✅ Correta

A diferença na apresentação clínica entre a oclusão arterial aguda e a crônica deve-se, principalmente, à presença ou ausência de circulação colateral. Na oclusão aguda, não há tempo para o desenvolvimento de colaterais, resultando em isquemia grave e sintomas dramáticos. Na oclusão crônica, a formação gradual de colaterais permite que o membro sobreviva, embora com sintomas de insuficiência arterial aos esforços. A alternativa está correta.

Gabarito: letra C — a única afirmativa incorreta é a que superestima a capacidade da circulação colateral de restaurar o fluxo sanguíneo original.

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