Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2024
- Código
- fg094718
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Cirurgião Vascular
- AArtéria axilar.
- BArtéria braquial.
- CArtéria subclávia.
- DArtéria femoral.
GabaritoD — Artéria femoral.
Gabarito: letra D. A artéria femoral é a que apresenta maior risco de amputação quando realizada a ligadura no trauma vascular, pois é a principal via de suprimento sanguíneo do membro inferior, e sua interrupção compromete gravemente a irrigação distal, levando à isquemia crítica e à necessidade de amputação. As demais artérias (axilar, braquial e subclávia) também são importantes, mas possuem maior potencial de circulação colateral, o que reduz o risco de perda do membro.
O trauma vascular é uma emergência cirúrgica que exige rápido reconhecimento e tratamento para evitar a perda do membro ou a vida do paciente. A ligadura de uma artéria é uma medida extrema, geralmente utilizada quando a reparação primária não é possível, e o risco de amputação depende diretamente da capacidade do organismo de manter a perfusão distal através de circulação colateral. Artérias com rica rede colateral, como a axilar e a braquial, apresentam menor risco de isquemia crítica após a ligadura, pois o fluxo sanguíneo pode ser mantido por vias alternativas. Já a artéria femoral, principal tronco arterial do membro inferior, tem circulação colateral limitada, especialmente em sua porção distal, o que torna a ligadura particularmente deletéria.
A artéria femoral é a continuação da artéria ilíaca externa, que muda de nome ao transpor o ligamento inguinal. Ela é responsável por irrigar toda a extensão do membro inferior, desde a coxa até os pés. A ligadura da artéria femoral, especialmente acima da origem da artéria femoral profunda, interrompe o fluxo para todo o membro, e a circulação colateral, embora exista, é insuficiente para manter a viabilidade tecidual em longo prazo. Estudos e a prática clínica demonstram que a ligadura da artéria femoral está associada a taxas de amputação significativamente maiores do que as observadas em outras artérias de membros.
A artéria axilar e a braquial, por sua vez, são vasos de membro superior, que possuem uma rede colateral mais desenvolvida, especialmente ao redor do ombro e do cotovelo. A artéria subclávia, apesar de ser um vaso de grande calibre, também se beneficia de múltiplas conexões colaterais, como as artérias escapulares e torácicas, que podem manter a perfusão do membro superior mesmo após a ligadura. Portanto, o risco de amputação é menor nessas artérias quando comparado ao da artéria femoral.
A banca explora a confusão entre a importância anatômica de cada artéria e o risco real de amputação após a ligadura. O candidato pode ser induzido a escolher a artéria subclávia ou a axilar por serem vasos de grande calibre, mas o que determina o risco é a capacidade de circulação colateral, que é menor no membro inferior. A artéria femoral, por ser o principal tronco arterial do membro inferior, é a que apresenta maior risco de amputação quando ligada.
A artéria axilar, apesar de ser um vaso importante do membro superior, possui uma rica rede colateral, especialmente através das artérias circunflexas umerais e escapulares, que podem manter a perfusão distal mesmo após a ligadura. O risco de amputação é menor do que o da artéria femoral, pois a circulação colateral do membro superior é mais eficiente.
A artéria braquial, principal vaso do braço, também se beneficia de circulação colateral ao redor do cotovelo, através das artérias colaterais e recorrentes. Embora a ligadura possa causar isquemia, o risco de amputação é menor do que o da artéria femoral, pois a rede colateral do membro superior é mais desenvolvida.
A artéria subclávia, apesar de ser um vaso de grande calibre, possui múltiplas conexões colaterais, como as artérias escapulares, torácicas internas e cervicais, que podem manter a perfusão do membro superior mesmo após a ligadura. O risco de amputação é menor do que o da artéria femoral.
A artéria femoral é o principal tronco arterial do membro inferior, responsável por irrigar toda a extensão da coxa, perna e pé. A ligadura dessa artéria, especialmente acima da origem da artéria femoral profunda, interrompe o fluxo para todo o membro, e a circulação colateral é insuficiente para manter a viabilidade tecidual, resultando em alto risco de amputação. Essa é a artéria que apresenta maior risco de amputação quando ligada no trauma vascular.
Gabarito: letra D
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