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Questão de Medicina — Angiologia — FGV 2024

MedicinaAngiologia
Código
fg094721
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Vascular
A desordem venosa crônica atinge suas formas mais avançadas e começa a ser nomeada como insuficiência venosa crônica a partir do surgimento de
  1. Aedema.
  2. Btelangiectasias ou veias reticulares.
  3. Cveias varicosas.
  4. Dalterações tróficas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — edema.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência venosa crônica: a transição da doença venosa crônica

Gabarito: letra A. A desordem venosa crônica passa a ser denominada insuficiência venosa crônica a partir do surgimento de edema, que corresponde ao estágio C3 da classificação CEAP — antes disso (telangiectasias, veias reticulares e varizes) a doença ainda é considerada apenas doença venosa crônica, sem o componente de insuficiência. A classificação CEAP é o instrumento que organiza essa progressão clínica.

A doença venosa crônica (DVC) é um espectro de alterações do sistema venoso superficial, profundo ou perfurante que engloba desde pequenas telangiectasias até úlceras venosas ativas. O termo "insuficiência venosa crônica" (IVC) é reservado para os estágios mais avançados, quando há sinais de hipertensão venosa sustentada que comprometem a microcirculação e o tecido subcutâneo. A classificação CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia, Fisiopatologia) é o sistema mais utilizado para padronizar essa avaliação, e é justamente o componente clínico (C) que define o marco de transição.

A tabela abaixo resume os estágios clínicos da CEAP, que são a espinha dorsal desta questão:

Estágio

Manifestação clínica

C0

Ausência de sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa

C1

Telangiectasias e/ou veias reticulares

C2

Veias varicosas

C3

Edema

C4

Alterações cutâneas (hiperpigmentação, eczema, lipodermatoesclerose)

C5

Úlcera venosa cicatrizada

C6

Úlcera venosa ativa

O ponto-chave é que os estágios C1 e C2 representam apenas doença venosa crônica — há alterações visíveis, mas ainda não há o comprometimento funcional que caracteriza a insuficiência. É a partir do C3 (edema) que a doença passa a ser chamada de insuficiência venosa crônica, pois o edema já indica hipertensão venosa significativa com extravasamento de líquido para o interstício. Nos estágios C4 a C6, as alterações tróficas e as úlceras representam a progressão natural da IVC não tratada.

Na prática clínica, o edema da IVC é tipicamente vespertino, depressível, localizado no tornozelo e na perna, e melhora com a elevação do membro ou com o decúbito — diferentemente do linfedema, que é duro, pouco depressível e não melhora com a elevação. Essa distinção é importante porque o edema é um achado inespecífico, mas, quando associado a outros sinais de doença venosa (varizes, telangiectasias, dermatite ocre), reforça o diagnóstico de IVC.

A banca explora exatamente a fronteira entre os estágios iniciais (C1 e C2) e o estágio que marca a transição conceitual (C3). O candidato que memoriza a sequência da CEAP sem entender o significado funcional de cada estágio tende a confundir o marco de transição. Guarde: telangiectasias, veias reticulares e varizes são manifestações de doença venosa crônica; o edema é o primeiro sinal de insuficiência venosa crônica.

  1. 1C0: sem sinais visíveis
  2. 2C1: telangiectasias
  3. 3C2: varizes
  4. 4C3: edema (marco da IVC)
  5. 5C4: alterações tróficas
  6. 6C5: úlcera cicatrizada
  7. 7C6: úlcera ativa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O edema corresponde ao estágio C3 da classificação CEAP, que é exatamente o ponto em que a doença venosa crônica passa a ser denominada insuficiência venosa crônica. Antes do edema, as alterações são puramente estruturais (telangiectasias, varizes); a partir do edema, há evidência de hipertensão venosa com repercussão funcional e tecidual, caracterizando a insuficiência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Telangiectasias e veias reticulares correspondem ao estágio C1 da CEAP. Nesse estágio, a doença ainda é considerada doença venosa crônica, sem o componente de insuficiência. São alterações puramente estéticas ou de pequeno calibre, sem repercussão funcional significativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As veias varicosas correspondem ao estágio C2 da CEAP. Embora representem uma dilatação venosa visível e palpável, ainda não caracterizam insuficiência venosa crônica — o marco de transição é o edema (C3). A presença de varizes isoladas, sem edema ou alterações tróficas, é classificada como doença venosa crônica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As alterações tróficas (hiperpigmentação, eczema, lipodermatoesclerose) correspondem ao estágio C4 da CEAP. Essas alterações já fazem parte do espectro da insuficiência venosa crônica, mas surgem depois do edema, em estágios mais avançados. A questão pede o marco inicial da transição, que é o edema (C3), não as manifestações mais tardias.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a ordem natural da progressão: o candidato pode pensar que a insuficiência venosa crônica começa com as varizes (C2), por serem o sinal mais visível e conhecido. Mas o marco conceitual é o edema (C3) — é ele que indica a passagem da doença venosa crônica para a insuficiência venosa crônica. Memorize a sequência CEAP e o significado funcional de cada estágio para não cair nessa troca.

Gabarito: letra A

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