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Questão de Medicina — Angiologia — FGV 2024

MedicinaAngiologia
Código
fg094724
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Vascular
Sobre a Tromboangeíte Obliterante, assinale a afirmativa correta.
  1. APode ter relação com o tabagismo mas não é o fator mais comum.
  2. BSeu diagnóstico definitivo é exclusivamente clínico, pois não é preconizado o estudo anatomopatológico.
  3. CÉ mais comum em homens com menos de 50 anos.
  4. DDesenvolve uma circulação colateral com aspecto filiforme.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — É mais comum em homens com menos de 50 anos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger)

Gabarito: letra C. A tromboangeíte obliterante (TAO), também conhecida como doença de Buerger, é uma vasculite que acomete predominantemente homens jovens, com menos de 50 anos, e está fortemente associada ao tabagismo — sendo o tabaco o principal fator de risco e determinante da progressão da doença. As demais alternativas apresentam erros conceituais: o tabagismo é o fator mais comum e importante, o diagnóstico pode ser confirmado por estudo anatomopatológico (embora seja essencialmente clínico) e a circulação colateral desenvolvida tem aspecto "em saca-rolhas" (corkscrew), não filiforme.

A tromboangeíte obliterante é uma doença inflamatória oclusiva que afeta artérias e veias de pequeno e médio calibre, predominantemente nos membros superiores e inferiores. Acomete tipicamente homens jovens tabagistas, entre 20 e 40 anos, sendo rara após os 50 anos. O tabagismo é o fator etiológico mais importante — a doença praticamente não ocorre em não fumantes, e a cessação do tabagismo é a medida terapêutica mais eficaz, capaz de interromper a progressão da doença. A fisiopatologia envolve inflamação transmural e trombose, com preservação da parede vascular (diferente da aterosclerose, que cursa com degeneração da íntima).

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em critérios como: idade jovem, tabagismo, envolvimento distal (dedos, pés, mãos), ausência de fatores de risco ateroscleróticos, e exclusão de outras causas (trombofilias, doenças autoimunes, embolias). Embora o diagnóstico seja clínico, o estudo anatomopatológico pode ser realizado e é útil para confirmar o diagnóstico em casos duvidosos, mostrando trombose com infiltrado inflamatório e preservação da lâmina elástica interna. Portanto, a afirmativa de que "não é preconizado o estudo anatomopatológico" está incorreta — ele é preconizado em casos selecionados, não sendo, porém, obrigatório para o diagnóstico.

A circulação colateral na TAO é caracteristicamente "em saca-rolhas" (corkscrew), visível na angiografia, devido à tortuosidade dos vasos colaterais que se desenvolvem ao redor das oclusões. A descrição "aspecto filiforme" não corresponde a essa doença — o termo filiforme é mais usado para descrever vasos muito finos e retilíneos, o que não é o padrão da TAO.

A banca explora a confusão entre a TAO e outras vasculites ou doenças arteriais oclusivas, como a doença arterial obstrutiva periférica (aterosclerótica), que acomete pacientes mais velhos e com fatores de risco cardiovascular. A distinção é importante: enquanto a aterosclerose é mais comum em homens acima de 50 anos com dislipidemia, diabetes e hipertensão, a TAO é típica de homens jovens tabagistas, sem esses fatores.

Guarde o perfil epidemiológico clássico — homem jovem, tabagista, com isquemia distal — e a associação com o tabaco: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o tabagismo "pode ter relação" com a doença, mas "não é o fator mais comum". Isso inverte a realidade: o tabagismo é o fator de risco mais importante e mais comum da tromboangeíte obliterante. A doença é raríssima em não fumantes, e a cessação do tabagismo é a principal medida terapêutica. A banca tenta relativizar a associação, mas ela é fortíssima e determinante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que o diagnóstico definitivo é "exclusivamente clínico, pois não é preconizado o estudo anatomopatológico". O diagnóstico é essencialmente clínico, mas o estudo anatomopatológico pode e deve ser considerado em casos duvidosos, para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas. A afirmativa erra ao afirmar que o exame anatomopatológico não é preconizado — ele é um recurso válido, embora não obrigatório.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tromboangeíte obliterante é mais comum em homens com menos de 50 anos, tipicamente entre 20 e 40 anos. Essa é a característica epidemiológica clássica da doença, que a distingue da aterosclerose (mais comum em idosos). A alternativa está correta e reflete o perfil típico dos pacientes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a doença desenvolve "circulação colateral com aspecto filiforme". Na verdade, a circulação colateral na TAO tem aspecto "em saca-rolhas" (corkscrew), devido à tortuosidade dos vasos. O termo "filiforme" não é o padrão descrito para essa doença — é um distrator que confunde com outras condições vasculares.

Gabarito: letra C — a tromboangeíte obliterante é mais comum em homens com menos de 50 anos.

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