Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024
- Código
- fg094766
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Dermatologista
- APor meio da anamnese.
- BPor meio do atrito.
- CPelo exame anatomopatológico.
- DPelo exame dermatoscópico.
GabaritoB — Por meio do atrito.
Gabarito: letra B. A diferenciação prática e objetiva entre o nevo anêmico e o nevo acrômico é feita por meio do atrito (fricção da lesão): o nevo anêmico, por ser uma alteração vascular funcional (vasoconstrição localizada), desaparece sob pressão ou atrito, enquanto o nevo acrômico, por ser uma alteração da pigmentação (ausência de melanina), permanece inalterado. Essa manobra semiológica é descrita na semiologia dermatológica como parte da digitopressão/vitropressão, que permite distinguir manchas hipocrômicas do nevo anêmico.
O nevo anêmico é uma lesão cutânea caracterizada por uma hipopigmentação congênita que ocorre devido a uma hipersensibilidade local às catecolaminas, resultando em vasoconstrição persistente dos vasos sanguíneos da derme. Por isso, a palidez não é causada por falta de melanina, mas sim por redução do fluxo sanguíneo local. Já o nevo acrômico (ou nevo acrômico de Sutton) é uma mácula hipocrômica ou acrômica causada pela ausência ou redução de melanócitos funcionantes na epiderme, ou seja, uma alteração da pigmentação.
A manobra semiológica que diferencia os dois é simples e objetiva: friccionar ou pressionar a lesão. No nevo anêmico, ao friccionar a pele, ocorre hiperemia reativa (rubor) na pele normal ao redor, mas a lesão permanece pálida, pois os vasos não dilatam. No nevo acrômico, a fricção não altera a lesão, pois a ausência de melanina é estrutural e não funcional. Essa manobra é descrita na semiologia dermatológica como parte da digitopressão ou vitropressão, que também é utilizada para diferenciar lesões eritematosas de purpúricas.
Na prática clínica, o diagnóstico é essencialmente clínico, e a manobra do atrito é suficiente para a diferenciação. A anamnese não é específica, o exame anatomopatológico é invasivo e desnecessário, e a dermatoscopia, embora possa auxiliar, não é o método prático e objetivo de primeira escolha para essa distinção. A banca explora exatamente essa manobra semiológica clássica, que é amplamente cobrada em provas de dermatologia.
A banca tenta confundir o candidato ao oferecer opções como "exame anatomopatológico" e "dermatoscopia", que são métodos complementares e mais invasivos, mas a questão pede a diferenciação prática e objetiva, que é feita à beira do leito com uma manobra simples de fricção. O candidato que não conhece a semiologia armada da dermatologia pode ser levado a escolher um exame complementar, mas a resposta correta é o atrito.
Critério | Nevo Anêmico | Nevo Acrômico |
|---|---|---|
Causa | Vasoconstrição local (hipersensibilidade a catecolaminas) | Ausência/redução de melanócitos funcionantes |
Natureza da alteração | Funcional (vascular) | Estrutural (pigmentação) |
Comportamento ao atrito/fricção | Lesão permanece pálida; hiperemia reativa na pele ao redor | Lesão permanece inalterada |
Diagnóstico prático | Manobra do atrito (digitopressão/vitropressão) | Manobra do atrito (digitopressão/vitropressão) |
A anamnese não é capaz de diferenciar o nevo anêmico do nevo acrômico, pois ambos são lesões congênitas, assintomáticas e sem sintomas associados que as distingam. A história clínica não fornece elementos específicos para essa diferenciação.
O atrito (fricção) é a manobra semiológica que diferencia o nevo anêmico do nevo acrômico. No nevo anêmico, a fricção causa hiperemia na pele ao redor, mas a lesão permanece pálida; no nevo acrômico, a fricção não altera a lesão. Essa manobra é descrita na semiologia dermatológica como parte da digitopressão/vitropressão.
O exame anatomopatológico é um método invasivo e desnecessário para a diferenciação, pois o diagnóstico é clínico e pode ser feito com a manobra do atrito. Além disso, a biópsia não é indicada para essa finalidade na prática clínica.
A dermatoscopia é um exame complementar que pode auxiliar na avaliação de lesões pigmentadas, mas não é o método prático e objetivo de primeira escolha para diferenciar o nevo anêmico do nevo acrômico. A diferenciação é feita clinicamente com a manobra do atrito.
Gabarito: letra B
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