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Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024

MedicinaDermatologia
Código
fg094790
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista
A Síndrome Lipodistrófica em pacientes HIV+, embora possa ser multicausal, está fortemente associada ao uso das seguintes medicações antirretrovirais:
  1. Aabacavir (ABC) e zidovudina (AZT).
  2. Befavirenz (EFZ) e maraviroc (MRV).
  3. Cestavudina (d4T) e indinavir (IDV).
  4. Dlamivudina (3TC) e tenofovir (TDF).
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GabaritoC — estavudina (d4T) e indinavir (IDV).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Lipodistrófica no HIV: associação com antirretrovirais

Gabarito: letra C. A síndrome lipodistrófica em pacientes HIV+ está fortemente associada ao uso de estavudina (d4T) e indinavir (IDV) — a estavudina é um análogo timidínico com alto potencial de lipoatrofia, e o indinavir é um inibidor de protease associado à redistribuição de gordura corporal. Essa associação é documentada no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, que classifica os efeitos metabólicos e na distribuição de gordura de cada antirretroviral.

A síndrome lipodistrófica é uma complicação metabólica frequente em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) em uso de terapia antirretroviral (TARV). Ela se manifesta por alterações na distribuição de gordura corporal, que podem ocorrer de forma isolada ou combinada: lipoatrofia (perda de gordura periférica, especialmente na face, membros e nádegas) e lipo-hipertrofia (acúmulo de gordura visceral, na região abdominal, e aumento de mamas e da giba cervical). Além das alterações estéticas, a síndrome está associada a distúrbios metabólicos como dislipidemia e resistência à insulina, aumentando o risco cardiovascular.

A fisiopatologia é multifatorial, mas a toxicidade mitocondrial induzida por alguns antirretrovirais é um mecanismo central, especialmente para a lipoatrofia. Os análogos timidínicos, como estavudina (d4T) e zidovudina (AZT), são os principais implicados na lipoatrofia, pois inibem a DNA polimerase mitocondrial, levando à depleção do DNA mitocondrial e à disfunção dos adipócitos. Já os inibidores de protease (IPs), como indinavir (IDV), ritonavir (RTV) e lopinavir (LPV), estão mais associados à lipo-hipertrofia e à dislipidemia, por mecanismos que envolvem a diferenciação dos adipócitos e a regulação do metabolismo lipídico.

O PCDT do Ministério da Saúde apresenta um quadro detalhado (Quadro 31) com os efeitos de cada antirretroviral sobre a distribuição de gordura. Nele, a estavudina (d4T) aparece com classificação +++ para lipoatrofia, ++ para lipo-hipertrofia, ++ para dislipidemia e ++ para resistência à insulina. O indinavir (IDV) aparece com +/- para lipoatrofia, + para lipo-hipertrofia, + para dislipidemia e +++ para resistência à insulina. Essa combinação de um análogo timidínico com alto potencial de lipoatrofia e um IP com efeito na redistribuição de gordura é a que melhor representa a associação forte com a síndrome lipodistrófica.

A banca explora a associação clássica entre a síndrome lipodistrófica e os antirretrovirais mais antigos, que hoje são menos utilizados, mas que historicamente foram os grandes responsáveis por essa complicação. A estavudina (d4T) é o fármaco com maior potencial de lipoatrofia, e o indinavir (IDV) é um IP que causa redistribuição de gordura. As demais alternativas trazem fármacos com menor ou nenhuma associação com a lipodistrofia, como tenofovir (TDF) e lamivudina (3TC), que são bem tolerados nesse aspecto.

Guarde a distinção entre os efeitos dos análogos timidínicos (lipoatrofia) e dos inibidores de protease (lipo-hipertrofia): é exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

Antirretrovirais e lipodistrofia
  • 1Análogos timidínicos
    • Estavudina (d4T)
      • Lipoatrofia +++
    • Zidovudina (AZT)
      • Lipoatrofia ++
  • 2Inibidores de protease
    • Indinavir (IDV)
      • Lipo-hipertrofia +
      • Resistência à insulina +++
    • Ritonavir (RTV)
    • Lopinavir (LPV)
  • 3Baixo risco
    • Tenofovir (TDF)
    • Lamivudina (3TC)
    • Abacavir (ABC)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A associação abacavir (ABC) e zidovudina (AZT) não é a mais fortemente associada à lipodistrofia. Embora a zidovudina (AZT) seja um análogo timidínico com potencial de lipoatrofia (classificação ++ no PCDT), o abacavir (ABC) tem classificação 0 para lipoatrofia e lipo-hipertrofia, sendo considerado um fármaco com baixo risco de lipodistrofia. A combinação não representa a associação mais forte.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A associação efavirenz (EFZ) e maraviroc (MRV) não é a mais fortemente associada à lipodistrofia. O efavirenz (EFV) é um ITRNN com classificação +/- para lipoatrofia e lipo-hipertrofia, e o maraviroc (MRV) é um inibidor de CCR5 com efeito 0 sobre a distribuição de gordura. Ambos têm baixo potencial de causar lipodistrofia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A associação estavudina (d4T) e indinavir (IDV) é a mais fortemente associada à síndrome lipodistrófica. A estavudina (d4T) é um análogo timidínico com classificação +++ para lipoatrofia, sendo o fármaco com maior potencial de causar essa complicação. O indinavir (IDV) é um inibidor de protease com classificação + para lipo-hipertrofia e +++ para resistência à insulina, contribuindo para a redistribuição de gordura. A combinação de um fármaco com alto potencial de lipoatrofia e outro com efeito na lipo-hipertrofia é a que melhor representa a associação forte com a síndrome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A associação lamivudina (3TC) e tenofovir (TDF) não é a mais fortemente associada à lipodistrofia. Ambos são ITRN com classificação 0 para lipoatrofia e lipo-hipertrofia no PCDT, sendo considerados fármacos com baixo risco de lipodistrofia. Essa é, inclusive, a combinação preferencial de ITRN no esquema inicial de TARV, justamente por seu perfil de segurança metabólica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação clássica entre a lipodistrofia e os antirretrovirais mais antigos. O candidato pode confundir a zidovudina (AZT), que também é um análogo timidínico com potencial de lipoatrofia, com a estavudina (d4T), que tem o maior potencial. A diferença está na intensidade: enquanto o AZT tem classificação ++ para lipoatrofia, o d4T tem +++, sendo o fármaco mais fortemente associado. Além disso, o indinavir (IDV) é um IP com efeito na redistribuição de gordura, o que completa a associação mais forte.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os antirretrovirais associados à lipodistrofia, lembre-se dos análogos timidínicos (d4T e AZT) para lipoatrofia e dos inibidores de protease (IDV, RTV, LPV) para lipo-hipertrofia. Os ITRN mais modernos (TDF, 3TC, FTC, ABC) têm baixo risco de lipodistrofia. Na prova, desconfie de alternativas que tragam fármacos com perfil metabólico mais seguro, como TDF e 3TC, quando a questão pedir a associação mais forte.

Gabarito: letra C

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