Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024
- Código
- fg094793
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Dermatologista
- AOfloxacino.
- BRifampicina.
- CClofazimina.
- DMinociclina.
GabaritoC — Clofazimina.
Gabarito: letra C. A clofazimina é o medicamento do esquema de tratamento da hanseníase que causa, com frequência, a pigmentação cutânea, conforme descrito no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hanseníase do Ministério da Saúde. O efeito mais comum e perceptível da clofazimina é a pigmentação da pele, variando de vermelho a castanho-escuro, dependendo da dosagem.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. O tratamento de primeira linha é a poliquimioterapia única (PQT-U), que combina três antimicrobianos: rifampicina, dapsona e clofazimina. Cada um desses medicamentos possui um perfil de eventos adversos característico, e é justamente esse perfil que a questão explora.
A clofazimina é uma fenazina com ação bactericida lenta e anti-inflamatória, sendo fundamental no tratamento das formas multibacilares e no controle das reações hansênicas. Seu efeito adverso mais marcante é a pigmentação cutânea, que ocorre pela deposição do fármaco na pele e no tecido subcutâneo. Essa pigmentação pode variar de vermelho a castanho-escuro, dependendo da dose e da duração do tratamento, e tende a desaparecer gradualmente após a interrupção do medicamento, embora possa levar meses ou até anos para regressão completa. Além da pele, a clofazimina pode causar coloração rosada da urina, expectoração e suor, e também produzir ictiose característica nas pernas e antebraços.
É importante destacar que a pigmentação da pele causada pela clofazimina não deve ser considerada critério de suspensão do medicamento, exceto em casos de insatisfação extrema do paciente com risco de abandono do tratamento. Esse é um ponto crucial na prática clínica, pois a descontinuação inadequada pode levar à falha terapêutica e ao desenvolvimento de resistência medicamentosa.
A banca explora a confusão entre a clofazimina e a minociclina, pois ambas podem causar hiperpigmentação. No entanto, a minociclina não faz parte do esquema de primeira linha da hanseníase, sendo utilizada apenas como alternativa de segunda linha em casos de reações adversas aos medicamentos padrão. A questão pede especificamente o medicamento "utilizado no tratamento da hanseníase" que causa pigmentação "com frequência", o que aponta diretamente para a clofazimina, um dos três pilares da PQT-U.
Para fixar o conhecimento, é útil comparar os eventos adversos dos principais medicamentos do esquema:
Medicamento | Evento adverso característico |
|---|---|
Rifampicina | Hepatotoxicidade (rara na dose mensal), coloração alaranjada de secreções |
Dapsona | Hemólise, anemia, síndrome sulfônica |
Clofazimina | Pigmentação cutânea (vermelho a castanho-escuro), ictiose, efeitos gastrointestinais |
Minociclina | Hiperpigmentação de pele e unhas (uso prolongado), tontura, fotossensibilidade |
Ofloxacino | Tendinite, ruptura de tendão, fotossensibilização |
A pegadinha central está em reconhecer que, embora a minociclina também cause hiperpigmentação, ela não é um medicamento de primeira linha para hanseníase. A clofazimina, por sua vez, é um componente essencial da PQT-U e tem a pigmentação cutânea como seu efeito adverso mais comum e perceptível.
O ofloxacino é uma fluoroquinolona utilizada como medicamento de segunda linha no tratamento da hanseníase, em esquemas alternativos quando há reações adversas aos componentes da PQT-U. Seus eventos adversos mais característicos são tendinites, com risco de ruptura do tendão de Aquiles, especialmente em idosos, e fotossensibilização. Não causa pigmentação cutânea com frequência.
A rifampicina é um dos três medicamentos da PQT-U, com potente ação bactericida contra o M. leprae. Seus eventos adversos mais conhecidos incluem hepatotoxicidade (embora rara na dose mensal usada na hanseníase) e a coloração alaranjada de urina, suor e lágrimas. Não é associada à pigmentação cutânea.
A clofazimina é o medicamento do esquema de tratamento da hanseníase que causa, com frequência, a pigmentação cutânea. Conforme o PCDT, o efeito mais comum e perceptível é a pigmentação da pele, variando de vermelho a castanho-escuro, dependendo da dosagem. O fármaco pode acumular-se nas lesões cutâneas ativas, tornando-as mais evidentes, e a pigmentação geralmente desaparece dentro de 6 a 12 meses após a interrupção, embora traços possam permanecer por até quatro anos.
A minociclina pode causar hiperpigmentação de pele e unhas com o uso prolongado, o que a torna um distrator plausível. No entanto, ela não faz parte do esquema de primeira linha (PQT-U) da hanseníase, sendo utilizada apenas como alternativa de segunda linha em casos de reações adversas à rifampicina ou à dapsona. A questão pede o medicamento "utilizado no tratamento da hanseníase" que causa pigmentação "com frequência", e a clofazimina é o componente da PQT-U com esse efeito adverso característico.
A banca explora a confusão entre clofazimina e minociclina, pois ambas podem causar pigmentação. A chave é lembrar que a minociclina é apenas um medicamento de segunda linha, enquanto a clofazimina é um dos três pilares do tratamento padrão da hanseníase. Ao ver "pigmentação cutânea" e "hanseníase", o candidato deve pensar imediatamente na clofazimina.
Para questões sobre eventos adversos de medicamentos, monte uma tabela mental associando cada fármaco ao seu efeito mais característico. Na hanseníase, decore: rifampicina → hepatotoxicidade e coloração alaranjada; dapsona → hemólise e anemia; clofazimina → pigmentação cutânea. Essa associação direta resolve a maioria das questões da banca.
Gabarito: letra C
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