Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — FGV 2024
- Código
- fg094796
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Dermatologista Especialista em Hanseníase
- ACiático.
- BFibular.
- CGastrocnêmio.
- DPoplíteo.
GabaritoB — Fibular.
Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — marcha escarvante, pé caído (tombant) e alterações de sensibilidade na perna esquerda — é a apresentação clássica de lesão do nervo fibular (comum), que inerva os músculos responsáveis pela dorsiflexão do pé (tibial anterior) e pela eversão. A marcha escarvante ocorre por déficit de flexão dorsal do pé e dos artelhos, secundário a lesões dos nervos fibular, ciático ou da raiz de L5, conforme a semiologia neurológica.
O nervo fibular (também chamado de fibular comum ou ciático poplíteo externo) é um dos dois ramos terminais do nervo ciático, sendo o outro o nervo tibial. Ele é particularmente vulnerável a compressões e lesões por sua posição superficial ao contornar a cabeça da fíbula. Quando lesado, ocorre paralisia dos músculos do compartimento anterior da perna (tibial anterior, extensor longo dos dedos, extensor longo do hálux) e do compartimento lateral (fibulares longo e curto), resultando em incapacidade de dorsiflexão e eversão do pé — o que gera o pé caído e a marcha escarvante, na qual o paciente flexiona exageradamente a coxa para evitar que os artelhos arrastem no chão.
A distinção fundamental para a prova está em entender a anatomia funcional: o nervo ciático é o tronco proximal que se divide em fibular e tibial. Uma lesão do ciático pode causar déficit mais amplo, incluindo flexão plantar (panturrilha), mas a apresentação isolada de pé caído com marcha escarvante é a marca registrada da lesão do fibular. O nervo tibial, por sua vez, inerva a musculatura posterior da perna (gastrocnêmio, sóleo) e sua lesão causa déficit de flexão plantar, não pé caído.
Na prática clínica, o exame físico deve incluir a avaliação da marcha, atentando para a marcha escarvante associada ao pé caído, e a mobilização ativa testando dorsiflexão, flexão plantar, inversão e eversão, comparando ambos os lados. A presença de alterações de sensibilidade na face lateral da perna e dorso do pé reforça o diagnóstico de neuropatia fibular, pois essa é a distribuição sensitiva do nervo.
A pegadinha da banca está em oferecer o nervo ciático como distrator: como o fibular é um ramo do ciático, o candidato menos atento pode confundir a hierarquia anatômica. Mas a síndrome clínica descrita — pé caído com marcha escarvante — é a assinatura do fibular, não do ciático como um todo. Guarde essa correlação: pé caído + marcha escarvante = nervo fibular.
O nervo ciático é o tronco proximal que se divide em fibular e tibial. Uma lesão completa do ciático causaria déficit motor e sensitivo mais amplo, afetando tanto a dorsiflexão quanto a flexão plantar, além de comprometer a panturrilha. O quadro isolado de pé caído com marcha escarvante é mais específico da lesão do ramo fibular, não do tronco ciático como um todo.
O nervo fibular (comum) inerva os músculos do compartimento anterior e lateral da perna, responsáveis pela dorsiflexão e eversão do pé. Sua lesão causa o pé caído e a marcha escarvante, exatamente o quadro descrito. A distribuição sensitiva do nervo (face lateral da perna e dorso do pé) explica as alterações de sensibilidade relatadas.
O gastrocnêmio é um músculo, não um nervo. Ele é inervado pelo nervo tibial e é responsável pela flexão plantar do pé. Sua lesão ou fraqueza causaria dificuldade para ficar na ponta dos pés, não pé caído nem marcha escarvante.
O nervo poplíteo não é uma estrutura anatômica padrão na nomenclatura atual. O que existe é o nervo ciático poplíteo externo (sinônimo de fibular comum) e o ciático poplíteo interno (sinônimo de tibial). A alternativa usa um termo impreciso, mas a intenção é confundir com o nervo tibial, que inerva a musculatura posterior da perna e não causa pé caído.
Gabarito: letra B
Link permanente: /questoes/fg094796