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Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024

MedicinaDermatologia
Código
fg094802
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista Especialista em Hanseníase
Paciente com 8 lesões hipocrômicas no tórax acompanhado de garra cubital unilateral.Assinale a opção que indica a mais provável forma da doença.
  1. AVirchowiana.
  2. BIndeterminada.
  3. CTuberculoide.
  4. DDimorfa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Dimorfa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: formas clínicas e o diagnóstico pela apresentação

Gabarito: letra D. O quadro descrito — 8 lesões hipocrômicas no tórax associadas a garra cubital unilateral — aponta para a forma dimorfa da hanseníase. A garra cubital é uma manifestação neurológica clássica de comprometimento do nervo ulnar, e o acometimento neural assimétrico com múltiplas lesões cutâneas é característico da forma dimorfa, que se situa entre os polos tuberculoide e virchowiano no espectro da doença.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. A classificação de Madri, adotada oficialmente pelo Ministério da Saúde do Brasil, divide a doença em quatro formas clínicas: indeterminada, tuberculoide, dimorfa e virchowiana. Essa classificação considera que existem dois polos estáveis e opostos (tuberculoide e virchowiana), uma forma inicial com manifestações discretas (indeterminada) e uma forma instável e interpol ar (dimorfa).

A forma indeterminada é a manifestação inicial da doença, caracterizada por uma ou poucas manchas hipocrômicas ou eritemato-hipocrômicas com alteração de sensibilidade térmica, sem acometimento dos nervos periféricos. A forma tuberculoide ocorre em indivíduos com alta resistência ao bacilo, manifestando-se por uma ou poucas lesões eritemato-hipocrômicas com limites bem definidos e marcada alteração da sensibilidade, podendo afetar alguns nervos periféricos. A forma virchowiana representa a evolução em indivíduos com imunidade celular incompetente, com lesões disseminadas simetricamente, infiltradas e ferruginosas, e comprometimento neural difuso e simétrico.

A forma dimorfa é a que apresenta maior variabilidade clínica, situando-se entre os polos tuberculoide e virchowiano. As lesões cutâneas aparecem em número variável, podendo ser hipocrômicas, acastanhadas ou violáceas, com aspecto infiltrativo. O comprometimento dos nervos periféricos é geralmente múltiplo e assimétrico, com espessamento, dor e choque à palpação, associados à diminuição de força muscular e hipoestesia no território correspondente. A instabilidade da resposta imune frequentemente dá origem a reações inflamatórias e neurite aguda, gerando incapacidades físicas como atrofia muscular e garras nos dedos.

O nervo ulnar é o mais afetado na hanseníase, e seu comprometimento leva à garra cubital, uma deformidade caracterizada pela hiperextensão das articulações metacarpofalângicas e flexão das interfalângicas dos 4º e 5º dedos. A presença de garra cubital unilateral, associada a múltiplas lesões hipocrômicas no tórax, é um achado que aponta para a forma dimorfa, pois essa forma combina lesões cutâneas em número variável com acometimento neural assimétrico.

A baciloscopia é um exame importante na classificação das formas clínicas: é negativa nas formas indeterminada e tuberculoide, fortemente positiva na virchowiana e variável na dimorfa. Na forma dimorfa, a baciloscopia pode ser negativa ou positiva, com índice baciloscópico variável, refletindo a instabilidade imunológica característica dessa forma.

A distinção entre as formas clínicas é fundamental para o tratamento e prognóstico. A forma dimorfa, por sua instabilidade, apresenta elevado potencial incapacitante, sendo essencial o diagnóstico precoce e o tratamento adequado para prevenir deformidades como a garra cubital.

Critério

Indeterminada

Tuberculoide

Dimorfa

Virchowiana

Número de lesões

Uma ou poucas

Uma ou poucas

Variável (múltiplas)

Disseminadas e simétricas

Comprometimento neural

Ausente

Limitado (alguns nervos)

Múltiplo e assimétrico

Difuso e simétrico

Baciloscopia

Negativa

Negativa

Variável (negativa ou positiva)

Fortemente positiva

Posição no espectro

Inicial

Polo estável (alta resistência)

Interpolar (instável)

Polo estável (baixa resistência)

1Indeterminada
1 ou poucas manchas
Sem comprometimento neural
2Tuberculoide
Poucas lesões bem delimitadas
Comprometimento neural limitado
3Dimorfa
Múltiplas lesões variadas
Neural múltiplo e assimétrico
Baciloscopia variável
4Virchowiana
Lesões disseminadas simétricas
Neural difuso e simétrico
Baciloscopia fortemente positiva
Hanseníase (classificação de Madri)
LEVELsoulevel.com.br
Hanseníase (classificação de Madri): Indeterminada (1 ou poucas manchas, Sem comprometimento neural); Tuberculoide (Poucas lesões bem delimitadas, Comprometimento neural limitado); Dimorfa (Múltiplas lesões variadas, Neural múltiplo e assimétrico, Baciloscopia variável); Virchowiana (Lesões disseminadas simétricas, Neural difuso e simétrico, Baciloscopia fortemente positiva)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A forma virchowiana caracteriza-se por lesões disseminadas simetricamente por todo o tegumento, com infiltração difusa e comprometimento neural difuso e simétrico. A garra cubital unilateral e as lesões em número limitado (8 lesões) não são típicas dessa forma, que apresenta alta carga bacilar e comprometimento cutâneo exuberante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A forma indeterminada é a manifestação inicial da doença, com uma ou poucas manchas hipocrômicas e alteração de sensibilidade térmica, sem acometimento dos nervos periféricos. A presença de garra cubital indica comprometimento neural, o que exclui essa forma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A forma tuberculoide manifesta-se por uma ou poucas lesões eritemato-hipocrômicas com limites bem definidos e marcada alteração da sensibilidade. Embora possa afetar alguns nervos periféricos, o comprometimento é geralmente limitado, e a presença de 8 lesões no tórax associadas a garra cubital unilateral é mais compatível com a forma dimorfa, que apresenta maior número de lesões e acometimento neural múltiplo e assimétrico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A forma dimorfa é a que melhor se encaixa no quadro: múltiplas lesões hipocrômicas (8 lesões) no tórax, associadas a comprometimento neural assimétrico (garra cubital unilateral). O acometimento do nervo ulnar, que causa a garra cubital, é uma manifestação neurológica frequente nessa forma, que se caracteriza pela instabilidade imunológica e pela combinação de lesões cutâneas variadas com neurite assimétrica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as formas tuberculoide e dimorfa. A forma tuberculoide também pode afetar nervos periféricos, mas o faz de forma limitada, com poucas lesões. A forma dimorfa, por sua vez, apresenta múltiplas lesões e acometimento neural múltiplo e assimétrico, como a garra cubital unilateral. A chave é o número de lesões e a assimetria do comprometimento neural.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as formas clínicas da hanseníase, foque em três critérios: número de lesões, simetria do comprometimento neural e resultado da baciloscopia. A forma dimorfa é a única que combina múltiplas lesões com acometimento neural assimétrico e baciloscopia variável.

Gabarito: letra D

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