Sobre a profilaxia da Hanseníase, assinale a afirmativa correta.
ADeve-se aplicar 2 doses da vacina BCG em todos indivíduos para imunoprofilaxia.
BEm indivíduos com contatos intradomiciliares e com uma cicatriz de BCG, deve-se aplicar apenas uma dose.
CEm pacientes com duas cicatrizes de vacina BCG, é necessário aplicar a terceira dose.
DO M. leprae é facilmente cultivável em cultura, porém ainda não existe vacina específica para sua profilaxia.
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GabaritoB — Em indivíduos com contatos intradomiciliares e com uma cicatriz de BCG, deve-se aplicar apenas uma dose.
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Profilaxia da Hanseníase: vacinação BCG em contatos
Gabarito: letra B. Em contatos intradomiciliares de pacientes com hanseníase que apresentam uma cicatriz de BCG, a conduta é aplicar apenas uma dose da vacina — a regra do Ministério da Saúde (Guia de Vigilância em Saúde) é: sem cicatriz, uma dose; com uma cicatriz, uma dose; com duas cicatrizes, nenhuma dose. A alternativa B espelha exatamente essa conduta para o contato com uma cicatriz.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, bacilo álcool-ácido resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro — fato que historicamente dificultou o desenvolvimento de estudos e de uma vacina específica. A principal fonte de infecção são indivíduos doentes não tratados, que eliminam o bacilo pelas vias aéreas superiores; a transmissão ocorre pelo contato direto pessoa a pessoa, facilitada pelo convívio íntimo e prolongado. Por isso, a vigilância epidemiológica se concentra na busca ativa de casos novos, no exame dermatoneurológico dos contatos e na aplicação da vacina BCG — que, embora não seja específica para a hanseníase, é efetiva na prevenção, diminuindo o risco de contrair a doença.
A profilaxia pós-exposição para contatos de pacientes com hanseníase é feita com a vacina BCG-ID, e a conduta depende da história vacinal e/ou da presença de cicatriz vacinal. A tabela do Ministério da Saúde é clara e deve ser memorizada:
Avaliação da cicatriz vacinal
Conduta
Sem cicatriz
Prescrever 1 dose
Com 1 cicatriz de BCG
Prescrever 1 dose
Com 2 cicatrizes de BCG
Não prescrever nenhuma dose
Para contatos com idade < 1 ano já vacinados, não se aplica outra dose; para contatos com idade > 1 ano, segue-se a tabela acima. Na incerteza da cicatriz vacinal, recomenda-se aplicar uma dose, independentemente da idade. Indivíduos em tratamento para tuberculose ou já tratados não necessitam de vacinação BCG profilática para hanseníase. A vacina BCG é um imunobiológico de bactéria viva atenuada, e suas contraindicações são as mesmas do Programa Nacional de Imunizações — atenção especial para imunossuprimidos, incluindo pessoas vivendo com HIV, para as quais se deve seguir as recomendações específicas para agentes biológicos vivos ou atenuados.
A pegadinha central desta questão é a inversão da conduta para quem tem duas cicatrizes: o candidato pode supor que, se uma cicatriz exige uma dose, duas cicatrizes exigiriam uma segunda dose — mas a regra é exatamente o oposto: quem já tem duas cicatrizes não recebe nenhuma dose adicional. Guarde a lógica: a BCG confere proteção, e cicatrizes prévias indicam vacinação anterior; doses adicionais além de duas não são recomendadas. É exatamente nessa fronteira — o número de cicatrizes e a dose correspondente — que as alternativas se dividem.
Profilaxia da hanseníase (BCG)
1Contato intradomiciliar
Sem cicatriz
1 dose
Com 1 cicatriz
1 dose
Com 2 cicatrizes
Nenhuma dose
2Mycobacterium leprae
Não cultivável in vitro
Sem vacina específica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que se deve aplicar 2 doses da vacina BCG em todos os indivíduos para imunoprofilaxia. Há dois erros: (1) a vacinação profilática para hanseníase é direcionada aos contatos de pacientes, não a "todos os indivíduos" da população geral; (2) a dose não é fixa em 2 — depende da história vacinal/cicatriz: sem cicatriz ou com uma cicatriz, aplica-se uma dose; com duas cicatrizes, nenhuma dose. A alternativa generaliza e fixa um número que não corresponde à conduta padronizada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em contatos intradomiciliares com uma cicatriz de BCG, a conduta é aplicar apenas uma dose. Isso está expresso na tabela do Ministério da Saúde: "Com 1 cicatriz de BCG → Prescrever 1 dose". A alternativa reproduz fielmente a recomendação oficial para o contato com uma cicatriz vacinal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, em pacientes com duas cicatrizes de BCG, é necessário aplicar a terceira dose. A regra é oposta: quem já tem duas cicatrizes de BCG não deve receber nenhuma dose adicional — a conduta é "Não prescrever nenhuma dose". A alternativa inverte a recomendação, criando uma "terceira dose" que não existe na profilaxia da hanseníase.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o M. leprae é facilmente cultivável em cultura. Isso é falso: o Mycobacterium leprae é não cultivável in vitro, apesar de inúmeras tentativas desde sua descoberta — fato que dificulta estudos sobre sua composição, metabolismo e genética. A segunda parte da alternativa ("ainda não existe vacina específica") é verdadeira, mas a primeira parte torna a afirmativa incorreta como um todo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da conduta para duas cicatrizes (alternativa C) e a generalização da dose para todos (alternativa A). O candidato pode raciocinar por analogia: "se uma cicatriz = uma dose, duas cicatrizes = duas doses" — mas a regra é justamente o contrário: duas cicatrizes = nenhuma dose. E a vacinação profilática não é para "todos", mas para contatos de pacientes. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a conduta da BCG na profilaxia da hanseníase, memorize a tabela em três linhas: 0 cicatriz → 1 dose; 1 cicatriz → 1 dose; 2 cicatrizes → 0 dose. E lembre: a BCG não é específica para hanseníase — ela é efetiva na prevenção, mas a proteção não é total. Na dúvida sobre a cicatriz, aplica-se uma dose.