Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024

MedicinaDermatologia
Código
fg094817
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista Especialista em Hanseníase
A reação tipo 1 da Hanseníase em que as lesões ficam mais eritematosas, intumescidas, edematosas e infiltradas, é classificada no seguinte tipo de hipersensibilidade de Gel e Coombs:
  1. AI.
  2. BII.
  3. CIII.
  4. DIV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reação hansênica tipo 1 e a classificação de Gell e Coombs

Gabarito: letra D. A reação tipo 1 da hanseníase (reação reversa) é classificada como hipersensibilidade tipo IV (e também tipo III) na classificação de Gell e Coombs, pois é mediada por resposta imunológica celular contra antígenos do Mycobacterium leprae. O quadro descrito — lesões mais eritematosas, intumescidas, edematosas e infiltradas — é a manifestação clássica dessa reação, que ocorre principalmente em pacientes com as formas dimorfa e tuberculoide.

A classificação de Gell e Coombs divide as reações de hipersensibilidade em quatro tipos, conforme o mecanismo imunológico predominante. A reação tipo 1 da hanseníase, também chamada de reação reversa, é um episódio inflamatório agudo que surge pela ativação da imunidade celular contra antígenos bacilares, levando a intensa inflamação cutânea e neural. Diferentemente da reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico), que é mediada por imunocomplexos (tipo III), a reação tipo 1 envolve principalmente linfócitos T e macrófagos, caracterizando a hipersensibilidade tardia (tipo IV).

Na prática clínica, a reação reversa se manifesta com piora das lesões preexistentes, que se tornam mais visíveis, eritematovinhosas, edemaciadas e por vezes dolorosas, podendo surgir novas lesões em áreas antes aparentemente normais. A neurite é frequente e pode ser silenciosa, exigindo monitoramento neurológico cuidadoso. O tratamento é urgente, com corticosteroides sistêmicos em doses altas, devido ao risco de dano neural permanente.

A pegadinha da questão está em associar a reação tipo 1 a um tipo de hipersensibilidade que não corresponde ao seu mecanismo. Muitos candidatos podem confundir com a reação tipo III (imunocomplexos), que é a base da reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico). No entanto, a reação tipo 1 é predominantemente do tipo IV, embora também possa envolver mecanismos do tipo III em algumas fases. A banca explora exatamente essa distinção entre os tipos de reação e suas respectivas manifestações clínicas.

Para fixar: a reação tipo 1 (reversa) = hipersensibilidade tipo IV (celular); a reação tipo 2 (ENH) = hipersensibilidade tipo III (imunocomplexos). Essa é a fronteira que separa as alternativas.

1Tipo I
IgE e mastócitos
Anafilaxia, urticária, asma
2Tipo II
IgG/IgM contra superfície celular
Citólise ou fagocitose
3Tipo III
Imunocomplexos
Eritema nodoso hansênico (reação tipo 2)
4Tipo IV
Linfócitos T e macrófagos
Reação reversa (reação tipo 1 da hanseníase)
Reações de hipersensibilidade (Gell e Coombs)
LEVELsoulevel.com.br
Reações de hipersensibilidade (Gell e Coombs): Tipo I (IgE e mastócitos, Anafilaxia, urticária, asma); Tipo II (IgG/IgM contra superfície celular, Citólise ou fagocitose); Tipo III (Imunocomplexos, Eritema nodoso hansênico (reação tipo 2)); Tipo IV (Linfócitos T e macrófagos, Reação reversa (reação tipo 1 da hanseníase))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipersensibilidade tipo I é mediada por IgE e mastócitos, típica de reações alérgicas imediatas (anafilaxia, urticária, asma). Não se aplica à reação tipo 1 da hanseníase, que é uma reação tardia, mediada por células T. A banca usa esse distrator para testar se o candidato sabe que a reação reversa não é uma alergia clássica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipersensibilidade tipo II é mediada por anticorpos IgG/IgM contra antígenos de superfície celular, levando à citólise ou fagocitose (ex.: anemia hemolítica autoimune, reações transfusionais). Não há esse mecanismo na reação tipo 1 da hanseníase, que é celular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipersensibilidade tipo III é mediada por imunocomplexos, que se depositam em tecidos e ativam o complemento. Embora a reação tipo 1 possa ter participação de imunocomplexos em algumas fases, o mecanismo predominante é o tipo IV. A reação tipo 2 da hanseníase (eritema nodoso hansênico) é que é classicamente tipo III. Portanto, essa alternativa confunde a reação tipo 1 com a tipo 2.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reação tipo 1 da hanseníase (reação reversa) é uma hipersensibilidade tipo IV, mediada por linfócitos T e macrófagos, caracterizada por inflamação granulomatosa e dano tecidual. O quadro clínico descrito — lesões eritematosas, intumescidas, edematosas e infiltradas — é a expressão cutânea dessa resposta imune celular exacerbada contra o M. leprae. A literatura e os protocolos clínicos confirmam essa classificação.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg094817