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Questão de Medicina — Epidemiologia — FGV 2024

MedicinaEpidemiologia
Código
fg094821
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista Especialista em Hanseníase
Avalie os itens a seguir e assinale (V) para verdadeiro e (F) para o falso.( ) O Ministério da Saúde adotou o coeficiente de detecção em menores de 15 anos como principal indicador da endemia.( ) O paciente com déficit neural após o término da PQT-U é ainda bacilífero.( ) A reação hansênica tipo I ocorre nos pacientes dimorfos.As afirmativas são, respectivamente,
  1. AV – F – V.
  2. BV – V – V.
  3. CV – F – F.
  4. DF – V – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — V – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: indicadores epidemiológicos, transmissibilidade e reações hansênicas

Gabarito: letra A (V – F – V). O Ministério da Saúde adota o coeficiente de detecção em menores de 15 anos como principal indicador da endemia (verdadeiro); o paciente com déficit neural após o término da PQT-U não é bacilífero (falso); e a reação hansênica tipo I ocorre nos pacientes dimorfos (verdadeiro). A questão cobra três pilares do manejo da hanseníase: o monitoramento epidemiológico, a transmissibilidade após o tratamento e a classificação das reações.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que tem predileção por pele e nervos periféricos. O diagnóstico precoce e o tratamento com a poliquimioterapia (PQT) são as principais estratégias de controle. Para avaliar a endemia, o Ministério da Saúde utiliza indicadores que medem a força de transmissão e a efetividade das ações de vigilância. O coeficiente de detecção em menores de 15 anos é um marcador de transmissão recente e ativa, pois indica que a doença está circulando em crianças, o que reflete a persistência da cadeia de transmissão na comunidade. Por isso, é considerado o principal indicador para monitorar a endemia, orientando as ações de busca ativa e prevenção.

A transmissibilidade da hanseníase está diretamente ligada à carga bacilar do paciente. Pacientes paucibacilares (PB) têm baixa carga e são considerados não transmissores; já os multibacilares (MB) eliminam bacilos pelas vias aéreas superiores e são as fontes de infecção. A PQT-U (poliquimioterapia única) é altamente eficaz: após a primeira dose, a transmissão é interrompida, mesmo que o paciente ainda tenha bacilos viáveis ou mortos no organismo. O déficit neural, por sua vez, é uma sequela da lesão dos nervos periféricos e não indica atividade bacilar. Portanto, um paciente que concluiu a PQT-U e apresenta déficit neural não é bacilífero — a transmissão já foi interrompida pelo tratamento.

As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento. A reação tipo I, também chamada de reação reversa, é uma hipersensibilidade celular (tipo IV) que ocorre principalmente em pacientes dimorfos (borderline), que têm imunidade intermediária. A reação tipo II, ou eritema nodoso hansênico, é uma hipersensibilidade humoral (tipo III) e ocorre principalmente em pacientes virchowianos (lepromatosos). A distinção é importante porque o tratamento das reações é diferente: a tipo I usa corticosteroides, enquanto a tipo II pode exigir talidomida.

A pegadinha da questão está na segunda afirmativa: o candidato pode associar déficit neural a bacilos ativos, mas o déficit é sequela, não sinal de transmissibilidade. A banca explora essa confusão entre sequela e atividade da doença. Guarde a fronteira: transmissão é interrompida pela PQT; déficit neural é sequela, não indica bacilífero — é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Item 1 — ✅ Verdadeiro

O coeficiente de detecção em menores de 15 anos é, de fato, o principal indicador da endemia adotado pelo Ministério da Saúde. Esse indicador reflete a transmissão recente e ativa da doença, pois a presença de casos em crianças indica que a cadeia de transmissão está ativa na comunidade. É um marcador sensível para monitorar a endemia e orientar ações de controle.

Item 2 — ❌ Falso

O paciente com déficit neural após o término da PQT-U não é bacilífero. A PQT-U interrompe a transmissão após a primeira dose, e o déficit neural é uma sequela da lesão nervosa, não um sinal de atividade bacilar. A afirmativa inverte o conceito: déficit neural não equivale a bacilífero.

Item 3 — ✅ Verdadeiro

A reação hansênica tipo I (reação reversa) ocorre predominantemente em pacientes dimorfos (borderline), que têm imunidade celular intermediária. Essa reação é uma hipersensibilidade tipo IV e pode causar inflamação aguda dos nervos, exigindo tratamento imediato com corticosteroides.

Conclusão: corretos os itens 1 e 3 → sequência V – F – V → letra A.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de sequela por atividade da doença: déficit neural após PQT-U é sequela, não indica bacilífero. O tratamento já interrompeu a transmissão.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de hanseníase, lembre: transmissão é interrompida pela PQT; reação tipo I = dimorfos; tipo II = virchowianos. Monte uma tabela mental com esses pares.

Gabarito: letra A

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