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Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2024

MedicinaDermatologia
Código
fg094826
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista Especialista em Hanseníase
A detecção do anticorpo anti-PGL1 é feita por ELISA e imunodifusão e seus níveis podem variar conforme o espectro da doença.Sendo assim, é correto afirmar que
  1. Aseu nível é mais baixo na hanseníase virchowiana.
  2. Bé um exame atual indispensável para o diagnóstico.
  3. Cé um teste de alta sensibilidade.
  4. Do PGL-1 é o principal fator de afinidade do M. leprae pelas células de Schwann.
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GabaritoD — o PGL-1 é o principal fator de afinidade do M. leprae pelas células de Schwann.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: o papel do PGL-1 e da sorologia anti-PGL-1

Gabarito: letra D. O PGL-1 (glicolipídeo fenólico 1) é o principal antígeno de superfície do Mycobacterium leprae e o principal fator de afinidade do bacilo pelas células de Schwann, o que explica o tropismo neural característico da hanseníase. As demais alternativas distorcem o papel da sorologia anti-PGL-1: ela não é indispensável para o diagnóstico, não tem alta sensibilidade (sobretudo nas formas paucibacilares) e seus níveis são mais altos, e não mais baixos, na forma virchowiana (multibacilar).

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo M. leprae, um bacilo intracelular obrigatório que tem predileção por células de Schwann do sistema nervoso periférico e por macrófagos cutâneos. Essa predileção não é aleatória: o bacilo expressa em sua parede celular o PGL-1, um glicolipídeo que se liga à laminina-2 da lâmina basal das células de Schwann, mediando a invasão neural. É por isso que o comprometimento de nervos periféricos é um dos sinais cardinais da doença e que a perda de sensibilidade é tão característica. O PGL-1 é, portanto, um antígeno específico do M. leprae e o principal responsável pelo tropismo neural do bacilo.

A resposta imune do hospedeiro define o espectro clínico da doença. No polo tuberculoide, há forte imunidade celular, poucos bacilos e baixa produção de anticorpos. No polo virchowiano, a imunidade celular é deficiente, há intensa multiplicação bacilar e ativação da imunidade humoral, com altos títulos de anticorpos anti-PGL-1. Por isso, a sorologia anti-PGL-1 correlaciona-se com a carga bacilar: é positiva e com títulos elevados nas formas multibacilares (virchowiana e dimorfa) e negativa ou com baixos títulos nas formas paucibacilares (tuberculoide e indeterminada). Essa correlação é a chave para entender as alternativas.

A sorologia anti-PGL-1, detectada por ELISA, imunodifusão ou testes rápidos como o ML Flow, tem aplicações importantes, mas limitadas. Ela é útil no monitoramento da resposta terapêutica, na identificação de contactantes com maior risco de adoecimento e como auxiliar na classificação operacional dos casos. Contudo, não pode ser usada isoladamente como teste diagnóstico: indivíduos saudáveis podem ter sorologia positiva (especialmente em áreas endêmicas) e casos confirmados paucibacilares podem ter sorologia negativa. A sensibilidade do teste é alta apenas para as formas multibacilares, não para a doença como um todo. É exatamente essa distinção entre o papel do antígeno (PGL-1) e o papel do teste sorológico (anti-PGL-1) que a questão explora.

A pegadinha central está em confundir o que é o PGL-1 (um antígeno do bacilo, com função patogênica) com o que é a sorologia anti-PGL-1 (um exame auxiliar, com limitações). A alternativa correta fala do antígeno e de sua função biológica; as incorretas falam do exame e de suas limitações, mas de forma equivocada. Guarde essa fronteira: o PGL-1 é o alvo, a sorologia é a ferramenta.

Hanseníase: PGL-1 × sorologia anti-PGL-1
  • 1PGL-1 (antígeno do bacilo)
    • Principal fator de afinidade pelas células de Schwann
    • Explica o tropismo neural
  • 2Sorologia anti-PGL-1 (exame auxiliar)
    • Não é indispensável ao diagnóstico
    • Sensibilidade alta só nas formas multibacilares
    • Títulos elevados na virchowiana
    • Títulos baixos na tuberculoide
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o nível de anti-PGL-1 é mais baixo na hanseníase virchowiana. É exatamente o oposto: na forma virchowiana, polo multibacilar do espectro, há intensa multiplicação bacilar e ativação da imunidade humoral, com altos títulos de anticorpos anti-PGL-1. Os níveis são mais baixos no polo tuberculoide, onde a resposta imune é predominantemente celular e a carga bacilar é mínima. A banca inverteu a correlação entre carga bacilar e título de anticorpos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a sorologia anti-PGL-1 é um exame atual indispensável para o diagnóstico. A sorologia não é indispensável nem pode ser usada isoladamente como teste diagnóstico. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico-epidemiológico, baseado nos sinais cardinais (lesões de pele com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e baciloscopia positiva). A sorologia é um exame auxiliar, útil para monitoramento e classificação, mas com sensibilidade limitada, especialmente nas formas paucibacilares.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o teste anti-PGL-1 é de alta sensibilidade. A sensibilidade é alta apenas para as formas multibacilares (virchowiana e dimorfa), mas é baixa para as formas paucibacilares (tuberculoide e indeterminada), justamente porque nesses casos a resposta imune é celular e há pouca produção de anticorpos. Além disso, indivíduos saudáveis podem ter sorologia positiva, o que reduz a especificidade em áreas endêmicas. A afirmação generaliza uma característica que só se aplica a um subgrupo de pacientes.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o PGL-1 é o principal fator de afinidade do M. leprae pelas células de Schwann. Correto: o PGL-1 é um glicolipídeo da parede celular do bacilo que se liga à laminina-2 da lâmina basal das células de Schwann, mediando a invasão neural. Esse mecanismo explica o tropismo neural característico da hanseníase e o comprometimento dos nervos periféricos, um dos pilares do diagnóstico. A alternativa fala do antígeno e de sua função patogênica, não do exame sorológico — e é exatamente isso que a torna correta.

Gabarito: letra D

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