Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024
- Código
- fg094837
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Endocrinologista
- ADiuréticos tiazídicos.
- BFibratos.
- CEstatinas.
- DInibidores de protease.
GabaritoB — Fibratos.
Gabarito: letra B. Os fibratos são drogas hipolipemiantes que não induzem o aparecimento de diabetes; ao contrário, são usados no tratamento da dislipidemia, frequentemente em pacientes diabéticos. As demais alternativas — diuréticos tiazídicos, estatinas e inibidores de protease — são reconhecidamente capazes de elevar a glicemia e precipitar diabetes em pacientes predispostos.
O diabetes mellitus é uma síndrome metabólica caracterizada por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação insulínica ou em ambos. Diversos fármacos podem desencadear ou agravar a hiperglicemia, seja por mecanismos que reduzem a secreção de insulina, aumentam a resistência periférica à insulina ou prejudicam a utilização da glicose. O reconhecimento dessas drogas é fundamental na prática clínica, especialmente em pacientes com fatores de risco para diabetes, como obesidade, história familiar e síndrome metabólica.
Os diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida e clortalidona) são anti-hipertensivos amplamente utilizados. Seu efeito hiperglicemiante é bem documentado e ocorre principalmente por mecanismos que incluem a depleção de potássio (hipocalemia), que prejudica a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, e o aumento da resistência insulínica. O risco é dose-dependente e mais pronunciado quando associados a betabloqueadores. A diretriz brasileira de dislipidemias destaca que os tiazídicos podem causar "resistência à insulina, diabetes tipo 2 de início recente (especialmente em combinação com betabloqueadores)".
As estatinas (como sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina) são os pilares do tratamento da hipercolesterolemia. Estudos observacionais e metanálises demonstram que o uso de estatinas está associado a um pequeno, porém significativo, aumento do risco de diabetes de novo, especialmente em pacientes com fatores de risco. O mecanismo proposto envolve a inibição da HMG-CoA redutase, que pode afetar a função das células beta e a sensibilidade à insulina. Apesar disso, o benefício cardiovascular das estatinas supera amplamente o risco de diabetes, e elas continuam sendo recomendadas, inclusive em pacientes diabéticos.
Os inibidores de protease (como ritonavir, lopinavir e atazanavir), usados no tratamento da infecção pelo HIV, são conhecidos por causar resistência insulínica e intolerância à glicose, podendo levar ao diabetes. O mecanismo envolve a disfunção das células beta e a redução da sensibilidade periférica à insulina, frequentemente associada à lipodistrofia e à síndrome metabólica observadas em pacientes em uso desses medicamentos.
Os fibratos (como fenofibrato, genfibrozila e bezafibrato) são agonistas do receptor PPAR-α, utilizados principalmente para reduzir triglicerídeos e aumentar o HDL-c. Eles não induzem diabetes; pelo contrário, são frequentemente utilizados em pacientes diabéticos com dislipidemia. A diretriz brasileira de dislipidemias de 2025 menciona que os fibratos são "potentes fármacos modificadores dos lípides", com efeitos benéficos na redução de triglicerídeos e aumento do HDL-c, e não há evidência de que causem hiperglicemia. O estudo PROMINENT, citado na diretriz, avaliou o pemafibrato em pacientes diabéticos e não demonstrou aumento do risco de diabetes.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora estatinas e fibratos sejam ambos hipolipemiantes, apenas as estatinas têm associação com o aumento do risco de diabetes. O candidato que não conhece essa distinção pode ser induzido a marcar uma alternativa incorreta. A banca explora o conhecimento específico dos efeitos adversos metabólicos de cada classe farmacológica.
Droga | Induz diabetes? | Mecanismo | Uso principal |
|---|---|---|---|
Diuréticos tiazídicos | Sim | Hipocalemia → ↓ secreção de insulina; ↑ resistência insulínica | Anti-hipertensivo |
Fibratos | Não (gabarito) | Agonista PPAR-α; sem efeito hiperglicemiante | Hipolipemiante (↓ triglicerídeos, ↑ HDL) |
Estatinas | Sim | Inibição da HMG-CoA redutase → disfunção de células beta | Hipolipemiante (↓ LDL) |
Inibidores de protease | Sim | Resistência insulínica; disfunção de células beta | Antirretroviral (HIV) |
Os diuréticos tiazídicos são capazes de induzir diabetes. O mecanismo envolve a depleção de potássio, que prejudica a secreção de insulina, e o aumento da resistência insulínica. A diretriz brasileira de dislipidemias lista entre os efeitos adversos dos tiazídicos a "resistência à insulina, diabetes tipo 2 de início recente (especialmente em combinação com betabloqueadores)". Portanto, esta alternativa está correta em afirmar que os tiazídicos induzem diabetes, e por isso não é a resposta da questão.
Os fibratos não induzem diabetes. São agonistas do PPAR-α, utilizados para reduzir triglicerídeos e aumentar o HDL-c, e são frequentemente prescritos em pacientes diabéticos. A diretriz brasileira de dislipidemias de 2025 descreve os fibratos como "potentes fármacos modificadores dos lípides", sem mencionar qualquer efeito hiperglicemiante. O estudo PROMINENT, que avaliou o pemafibrato em pacientes diabéticos, não demonstrou aumento do risco de diabetes. Portanto, esta é a alternativa que responde ao comando "exceto".
As estatinas são capazes de induzir diabetes. Estudos demonstram um pequeno aumento do risco de diabetes de novo com o uso de estatinas, especialmente em pacientes com fatores de risco. O mecanismo envolve a inibição da HMG-CoA redutase, que pode afetar a função das células beta e a sensibilidade à insulina. Apesar disso, o benefício cardiovascular supera o risco, e as estatinas continuam sendo recomendadas. Portanto, esta alternativa está correta em afirmar que as estatinas induzem diabetes, e por isso não é a resposta.
Os inibidores de protease são capazes de induzir diabetes. Usados no tratamento do HIV, esses fármacos causam resistência insulínica e disfunção das células beta, levando à intolerância à glicose e ao diabetes. O mecanismo está associado à lipodistrofia e à síndrome metabólica comuns em pacientes em uso desses medicamentos. Portanto, esta alternativa está correta em afirmar que os inibidores de protease induzem diabetes, e por isso não é a resposta.
Gabarito: letra B — os fibratos são a única classe listada que não induz diabetes, sendo a resposta correta para o comando "exceto".
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