Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2024
- Código
- fg094840
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Endocrinologista
- ANebivolol.
- BTopiramato.
- CRanitidina.
- DMetoclopramida.
GabaritoA — Nebivolol.
Gabarito: letra A. O nebivolol é um betabloqueador de terceira geração com propriedades vasodilatadoras mediadas pela liberação de óxido nítrico (NO), o que tende a preservar ou até melhorar a função erétil, diferentemente dos demais betabloqueadores. As alternativas B, C e D — topiramato, ranitidina e metoclopramida — são fármacos classicamente associados à disfunção erétil (DE) como efeito adverso. A questão pede a exceção, ou seja, a substância que não está associada à DE.
A disfunção erétil é definida como a incapacidade de atingir e/ou manter uma ereção suficiente para um desempenho sexual satisfatório. Diversos medicamentos podem causar ou contribuir para a diminuição da função erétil, e o mecanismo varia conforme a classe farmacológica. Os principais grupos implicados incluem:
Antidepressivos (especialmente ISRS e tricíclicos): aumentam a serotonina, que inibe a libido e a ereção, e têm efeito anticolinérgico.
Anti-hipertensivos: diuréticos tiazídicos, betabloqueadores (exceto nebivolol), alfabloqueadores e clonidina podem reduzir o fluxo sanguíneo peniano ou o tônus simpático necessário à ejaculação.
Antipsicóticos: bloqueiam receptores dopaminérgicos e colinérgicos, prejudicando a ereção e a ejaculação.
Antiandrogênicos (ex.: espironolactona, cimetidina, finasterida): reduzem a ação androgênica.
Drogas de abuso: álcool, cocaína, opioides.
O nebivolol é um betabloqueador seletivo β1 que, além do bloqueio, ativa a via do óxido nítrico no endotélio vascular, promovendo vasodilatação. Estudos mostram que ele tem menor incidência de DE comparado a outros betabloqueadores (como propranolol e atenolol) e pode até melhorar a função erétil em alguns pacientes. Por isso, é a exceção correta.
O topiramato é um anticonvulsivante que também é usado para enxaqueca e perda de peso. Seus efeitos adversos incluem disfunção erétil, diminuição da libido e outros distúrbios sexuais, possivelmente por mecanismos centrais e por alterações hormonais.
A ranitidina é um antagonista H2 da histamina, usado para úlcera e refluxo. Embora menos comum que com a cimetidina, a ranitidina pode causar DE, provavelmente por efeito antiandrogênico leve ou por interações hormonais.
A metoclopramida é um antagonista dopaminérgico, pró-cinético, usado para náuseas e gastroparesia. O bloqueio dopaminérgico pode elevar a prolactina, levando a hipogonadismo e disfunção erétil.
A banca explora a confusão entre os betabloqueadores: o candidato pode pensar que todo betabloqueador causa DE, mas o nebivolol é a exceção notável. Guarde essa distinção: enquanto propranolol e atenolol estão associados à DE, o nebivolol, por sua ação NO-dependente, não só não causa como pode melhorar a ereção.
O nebivolol não está associado à disfunção erétil; ao contrário, seu efeito vasodilatador via óxido nítrico tende a preservar a função erétil. É a exceção pedida pelo enunciado.
O topiramato é um anticonvulsivante que causa disfunção erétil e redução da libido como efeito adverso. Portanto, está associado à DE e não é a exceção.
A ranitidina, antagonista H2, pode causar disfunção erétil, embora com menor frequência que a cimetidina. Está associada à DE.
A metoclopramida, por seu efeito antagonista dopaminérgico, eleva a prolactina e pode levar a disfunção erétil. Está associada à DE.
A banca troca a exceção pela regra: o candidato pode marcar o nebivolol como causador de DE por ser betabloqueador, mas ele é justamente o que não causa. Lembre-se: entre os betabloqueadores, o nebivolol é o "amigo" da ereção.
Gabarito: letra A — o nebivolol é a substância que não está associada à disfunção erétil.
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