Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2024
- Código
- fg094894
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Fisiatra – Físico e Reabilitação
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CIII, apenas.
- DI e II.
GabaritoC — III, apenas.
Gabarito: letra C. No pós-operatório imediato de uma artroplastia total de quadril, a informação fundamental para traçar o programa de reabilitação é a via de acesso cirúrgico utilizada (item III), pois ela determina diretamente as precauções e restrições de movimento — como a limitação de flexão e adução na via posterior, para evitar luxação protética. A tribologia (item I) e o tipo de fixação do componente acetabular (item II) são informações relevantes para o acompanhamento em longo prazo, mas não alteram as condutas imediatas da fisioterapia.
A reabilitação pós-operatória de uma artroplastia de quadril é um processo que começa no leito, ainda no hospital, e se estende por meses. No pós-operatório imediato — as primeiras 24 a 48 horas — o foco da fisioterapia é: controle da dor e do edema, prevenção de complicações respiratórias e tromboembólicas, e início da mobilização precoce com precauções específicas de movimento. É exatamente nesse ponto que a via de acesso cirúrgico se torna decisiva.
As vias de acesso mais comuns na artroplastia de quadril são a posterior (ou posterolateral), a anterolateral e a anterior (ou direta anterior). Cada uma delas aborda a articulação por um ângulo diferente, e a integridade das estruturas capsulares e musculares ao redor da prótese varia conforme a via. Na via posterior, por exemplo, a cápsula posterior e os rotadores externos são incisados, o que aumenta o risco de luxação quando o quadril é flexionado além de 90° e aduzido ou rotacionado internamente. Por isso, o protocolo de reabilitação dessa via impõe restrições claras: evitar flexão acima de 90°, adução além da linha média e rotação interna. Já na via anterior, a abordagem é feita entre o tensor da fáscia lata e o sartório, preservando a musculatura posterior — as restrições de movimento são menos rígidas, mas há outras orientações, como evitar a hiperextensão.
A tribologia — o estudo do atrito, desgaste e lubrificação entre as superfícies articulares da prótese (como o par metal-polietileno ou cerâmica-cerâmica) — é um conceito importante para entender a durabilidade do implante e o risco de osteólise em longo prazo, mas não muda em nada a conduta fisioterapêutica imediata. Da mesma forma, o tipo de fixação do componente acetabular — se cimentado ou não cimentado (com press-fit e parafusos) — influencia o tempo de liberação de carga total sobre o membro, mas essa decisão é do cirurgião e do protocolo institucional, e não é uma informação que o fisioterapeuta precise para iniciar a cinesioterapia no leito. A fixação não cimentada, por exemplo, geralmente permite carga total mais precoce, mas isso é uma diretriz geral que varia com a qualidade óssea e a técnica do cirurgião.
A pegadinha desta questão está em considerar que qualquer detalhe técnico da cirurgia é fundamental para a reabilitação imediata. A banca quer que o candidato distinga o que é essencial para a conduta fisioterapêutica no pós-operatório imediato (a via de acesso, que define as restrições de movimento) do que é relevante para o acompanhamento em longo prazo (tribologia e tipo de fixação). Guarde essa fronteira: no leito, o que importa é o que limita o movimento — e isso é dado pela via de acesso.
Informação | Fundamental no pós-operatório imediato? | Justificativa |
|---|---|---|
Tribologia (item I) | ❌ Não | Influencia durabilidade do implante e risco de osteólise em longo prazo, mas não altera condutas imediatas de movimento ou carga. |
Tipo de fixação acetabular (item II) | ❌ Não | Diretriz geral de liberação de carga, definida pelo cirurgião/protocolo institucional; não muda precauções de movimento no leito. |
Via de acesso cirúrgico (item III) | ✅ Sim | Define as restrições de movimento (ex.: flexão >90°, adução, rotação interna na via posterior) e as precauções para evitar luxação protética. |
O conhecimento da tribologia utilizada no procedimento (o par de materiais da superfície articular da prótese) não é fundamental para traçar o programa de reabilitação no pós-operatório imediato. A tribologia influencia a durabilidade do implante, o risco de desgaste e a osteólise em longo prazo, mas não determina as precauções de movimento nem a progressão da carga no leito. É um conhecimento importante para o acompanhamento tardio, não para a conduta imediata.
O tipo de fixação do componente acetabular (cimentado ou não cimentado) também não é informação fundamental para o programa de reabilitação imediato. Embora a fixação não cimentada possa permitir carga mais precoce, essa é uma diretriz geral que depende do protocolo do cirurgião e da qualidade óssea — e não altera as precauções de movimento que dominam a fisioterapia nas primeiras 48 horas. A decisão de liberar carga total é do cirurgião, não uma informação que o fisioterapeuta precise para iniciar a mobilização no leito.
A via de acesso cirúrgico é a informação fundamental para o programa de reabilitação no pós-operatório imediato. Cada via (posterior, anterolateral, anterior) implica diferentes estruturas incisadas e, portanto, diferentes riscos de luxação e restrições de movimento. Na via posterior, por exemplo, há restrição de flexão acima de 90°, adução e rotação interna; na via anterior, as restrições são menores, mas há orientações específicas. Sem saber a via de acesso, o fisioterapeuta não consegue prescrever com segurança os exercícios e as precauções no leito.
Gabarito: letra C — apenas o item III está correto.
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