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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg094897
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
Sobre cirrose hepática e suas complicações, assinale a afirmativa correta.
  1. APacientes com história de hemorragia digestiva alta varicosa, devem realizar betabloqueador somente até a erradicação das varizes.
  2. BPacientes com ascite refratária devem ser listados imediatamente para a fila do transplante hepático, pois possuem critério de priorização para transplante hepático no Brasil.
  3. CPacientes com encefalopatia hepática grau III ou IV devem ser manejados em ambiente de UTI, com atenção à proteção de via aérea, inclusive considerando a intubação orotraqueal.
  4. DSíndrome hepatorrenal é a principal causa de injúria renal aguda do paciente cirrótico.
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GabaritoC — Pacientes com encefalopatia hepática grau III ou IV devem ser manejados em ambiente de UTI, com atenção à proteção de via aérea, inclusive considerando a intubação orotraqueal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cirrose hepática e suas complicações: manejo da encefalopatia hepática grave

Gabarito: letra C. Pacientes com encefalopatia hepática grau III ou IV apresentam rebaixamento importante do nível de consciência e perda dos reflexos protetores de via aérea, o que exige manejo em ambiente de UTI, com proteção de via aérea e consideração de intubação orotraqueal — conduta alinhada às diretrizes de suporte avançado ao paciente crítico cirrótico. As demais alternativas distorcem condutas: o betabloqueador não é suspenso após erradicação das varizes, a ascite refratária não é critério de priorização imediata na fila de transplante no Brasil, e a síndrome hepatorrenal não é a principal causa de injúria renal aguda no cirrótico.

A cirrose hepática é uma doença crônica e progressiva que leva à substituição do parênquima hepático por fibrose e nódulos de regeneração, culminando em hipertensão portal e insuficiência hepática. As complicações mais temidas são a hemorragia digestiva alta varicosa, a ascite, a encefalopatia hepática, a síndrome hepatorrenal e a peritonite bacteriana espontânea. O manejo dessas complicações é complexo e exige do médico o conhecimento de condutas baseadas em evidências, muitas vezes com nuances que a banca explora em questões de prova.

A encefalopatia hepática é uma síndrome neuropsiquiátrica reversível que ocorre em pacientes com disfunção hepática aguda ou crônica, resultante da acumulação de substâncias neurotóxicas, como a amônia, no sistema nervoso central. A gravidade é classificada em graus: no grau I há alterações sutis de comportamento; no grau II, letargia e desorientação; no grau III, sonolência intensa com resposta a estímulos; e no grau IV, coma. Nos graus III e IV, o paciente perde a capacidade de proteger a via aérea, o que aumenta o risco de broncoaspiração e pneumonia aspirativa. Por isso, o manejo deve ser em UTI, com monitorização contínua, elevação da cabeceira, e prontidão para intubação orotraqueal se necessário. Essa é uma conduta de suporte vital que visa prevenir complicações respiratórias e estabilizar o paciente enquanto se trata a causa precipitante.

A banca explora a confusão entre as complicações da cirrose e suas condutas específicas. O candidato precisa distinguir, por exemplo, que a profilaxia de hemorragia varicosa com betabloqueador não é interrompida após a erradicação das varizes — ela é mantida para prevenir recidiva. Da mesma forma, a ascite refratária é indicação de avaliação para transplante, mas não confere priorização automática na fila; a priorização segue critérios objetivos como o MELD. E a injúria renal aguda no cirrótico tem múltiplas causas, sendo a necrose tubular aguda e a hipovolemia mais comuns que a síndrome hepatorrenal. Guarde essas fronteiras: é exatamente nelas que as alternativas se dividem.

1Hemorragia varicosa
Betabloqueador: profilaxia contínua
Ligadura elástica
2Ascite refratária
Paracentese + TIPS
Avaliação p/ transplante (sem priorização automática)
3Encefalopatia hepática
Graus I–II: manejo clínico
Graus III–IV: UTI + proteção de via aérea
4Injúria renal aguda
Causas mais comuns: necrose tubular, hipovolemia
Síndrome hepatorrenal: menos frequente
Complicações da cirrose
LEVELsoulevel.com.br
Complicações da cirrose: Hemorragia varicosa (Betabloqueador: profilaxia contínua, Ligadura elástica); Ascite refratária (Paracentese + TIPS, Avaliação p/ transplante (sem priorização automática)); Encefalopatia hepática (Graus I–II: manejo clínico, Graus III–IV: UTI + proteção de via aérea); Injúria renal aguda (Causas mais comuns: necrose tubular, hipovolemia, Síndrome hepatorrenal: menos frequente)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o betabloqueador deve ser usado somente até a erradicação das varizes. Isso está errado: o betabloqueador não é suspenso após a erradicação das varizes por endoscopia. A erradicação das varizes é feita por ligadura elástica, mas o betabloqueador é mantido como profilaxia secundária contínua para reduzir a pressão portal e prevenir novas hemorragias. A suspensão do betabloqueador após erradicação aumentaria o risco de recidiva hemorrágica. O erro está em limitar o uso do betabloqueador a um período específico, quando na verdade ele é parte do tratamento crônico de prevenção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com ascite refratária devem ser listados imediatamente para transplante hepático por possuírem critério de priorização no Brasil. A ascite refratária é uma indicação de avaliação para transplante, mas não confere priorização automática na fila. No Brasil, a priorização na fila de transplante hepático é baseada no escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), que considera bilirrubina, creatinina e INR. A ascite refratária, por si só, não eleva o MELD a ponto de garantir prioridade imediata. O paciente deve ser avaliado e listado conforme os critérios vigentes, mas não há priorização automática apenas por ter ascite refratária.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que pacientes com encefalopatia hepática grau III ou IV devem ser manejados em UTI, com atenção à proteção de via aérea, inclusive considerando intubação orotraqueal. Isso está correto. Nos graus III e IV, o paciente tem rebaixamento importante do nível de consciência, perdendo os reflexos protetores de via aérea. O manejo em UTI é essencial para monitorização contínua, prevenção de broncoaspiração e prontidão para intubação orotraqueal se necessário. Essa conduta é padrão no suporte ao paciente crítico com encefalopatia hepática grave.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a síndrome hepatorrenal é a principal causa de injúria renal aguda no paciente cirrótico. Isso está errado. A injúria renal aguda no cirrótico tem múltiplas causas, sendo as mais comuns a necrose tubular aguda (por hipovolemia, sepse ou nefrotoxicidade) e a hipovolemia pré-renal. A síndrome hepatorrenal é uma causa importante, mas não é a principal. O diagnóstico diferencial é essencial, pois o manejo difere: na síndrome hepatorrenal, usa-se albumina e vasoconstritores; na necrose tubular aguda, o manejo é de suporte renal. A banca troca a causa mais comum pela síndrome hepatorrenal, que é uma complicação específica e menos frequente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar condutas e causas entre as complicações da cirrose. Aqui, ela troca a principal causa de injúria renal aguda (necrose tubular aguda/hipovolemia) pela síndrome hepatorrenal, e limita o uso do betabloqueador a um período que não existe. Fique atento: betabloqueador é profilaxia contínua, ascite refratária não prioriza na fila, e encefalopatia grave é caso de UTI. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de cirrose, monte um quadro mental das complicações e suas condutas: hemorragia varicosa → betabloqueador + ligadura; ascite refratária → paracentese + TIPS + avaliação para transplante; encefalopatia grave → UTI + proteção de via aérea; injúria renal → investigar causas (necrose tubular, hipovolemia, síndrome hepatorrenal). Memorize as indicações de cada intervenção e as causas mais comuns de cada complicação.

Gabarito: letra C

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