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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg094909
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
Casos de diarreia aguda sanguinolenta podem merecer investigação dos agentes infecciosos. No caso da colite pseudomembranosa, a frequência e a gravidade dos casos têm aumentado muito.Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
  1. ACausada por um gram negativo anaeróbio obrigatório, cujos esporos são observados principalmente em ambiente hospitalar ou instituições, por meio de superfícies e mãos de profissionais da saúde.
  2. BIdade avançada, doença de base grave, uso de antibióticos recentes são considerados fatores de risco, enquanto uso de antiácidos e água contaminada não são fatores de risco.
  3. CO diagnóstico pode ser feito através da detecção de toxinas A e/ou B nas fezes, pesquisa de citotoxina nas fezes ou a retossigmoidoscopia com aspecto de pseudomembranas.
  4. DA coprocultura, apesar de cara, é uma alternativa fácil e interessante para o diagnóstico de Clostridium difficile, pois contempla uma série de diagnósticos diferenciais, além de ser específica.
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GabaritoC — O diagnóstico pode ser feito através da detecção de toxinas A e/ou B nas fezes, pesquisa de citotoxina nas fezes ou a retossigmoidoscopia com aspecto de pseudomembranas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colite pseudomembranosa: diagnóstico e etiologia

Gabarito: letra C. O diagnóstico da colite pseudomembranosa, causada pelo Clostridioides difficile, pode ser feito pela detecção de toxinas A e/ou B nas fezes, pela pesquisa de citotoxina nas fezes ou pela retossigmoidoscopia mostrando pseudomembranas — exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o agente etiológico, os fatores de risco e os métodos diagnósticos.

A colite pseudomembranosa é uma forma grave de diarreia infecciosa, quase sempre associada ao uso recente de antibióticos, que altera a flora intestinal normal e permite o crescimento descontrolado do Clostridioides difficile. Esse microrganismo é um bacilo gram-positivo, anaeróbio obrigatório e formador de esporos, que se dissemina em ambientes hospitalares por superfícies contaminadas e pelas mãos dos profissionais de saúde. A doença ocorre quando a toxina A (enterotoxina) e/ou a toxina B (citotoxina) produzidas pela bactéria lesam a mucosa colônica, levando à formação das pseudomembranas características.

O diagnóstico da infecção pelo C. difficile é essencialmente laboratorial e endoscópico. Os métodos mais utilizados incluem a detecção das toxinas A e B nas fezes por ensaio imunoenzimático (EIA), a pesquisa de citotoxina nas fezes (teste de citotoxicidade, considerado padrão-ouro em alguns contextos) e a reação em cadeia da polimerase (PCR) para o gene da toxina B. A retossigmoidoscopia, por sua vez, é um método diagnóstico importante, especialmente nos casos em que há suspeita clínica forte e os testes fecais são inconclusivos, revelando as placas amareladas elevadas (pseudomembranas) aderidas à mucosa. A coprocultura, ao contrário do que afirma a alternativa D, não é recomendada para o diagnóstico de rotina, pois pode detectar o C. difficile sem toxina funcional, gerando resultados falso-positivos e não diferenciando colonização de infecção.

Os fatores de risco para a infecção pelo C. difficile incluem idade avançada, doença de base grave, uso recente de antibióticos, hospitalização prolongada, imunossupressão e doença inflamatória intestinal. O uso de antiácidos (inibidores da bomba de prótons) também é considerado um fator de risco, pois a redução da acidez gástrica favorece a sobrevivência dos esporos e a colonização do intestino. A água contaminada, por sua vez, não é um fator de risco relevante para essa infecção, que se transmite principalmente por via fecal-oral em ambientes de assistência à saúde.

A banca explora, nesta questão, o conhecimento sobre as características microbiológicas do C. difficile, seus fatores de risco e, principalmente, os métodos diagnósticos da colite pseudomembranosa. A alternativa correta é a que reúne os três principais métodos diagnósticos: detecção de toxinas, pesquisa de citotoxina e endoscopia com visualização de pseudomembranas. As alternativas incorretas apresentam erros específicos: a alternativa A erra a coloração de Gram (é gram-positivo, não gram-negativo); a alternativa B erra ao excluir o uso de antiácidos como fator de risco; e a alternativa D erra ao recomendar a coprocultura como método diagnóstico de escolha.

Método Diagnóstico

Detecção de Toxinas A/B

Pesquisa de Citotoxina

Retossigmoidoscopia

Achado

Toxinas A e/ou B nas fezes

Efeito citopático em cultura de células

Pseudomembranas aderidas à mucosa

Natureza

Laboratorial (EIA/PCR)

Laboratorial (teste de citotoxicidade)

Endoscópico

Utilidade

Diagnóstico rápido e específico

Padrão-ouro em alguns contextos

Útil quando testes fecais são inconclusivos

1Características
Bacilo gram-positivo
Anaeróbio obrigatório
Formador de esporos
2Fatores de risco
Idade avançada
Uso de antibióticos
Uso de antiácidos (IBP)
Hospitalização prolongada
3Diagnóstico
Toxinas A e/ou B nas fezes
Pesquisa de citotoxina
Retossigmoidoscopia (pseudomembranas)
PCR (gene toxina B)
Clostridioides difficile
LEVELsoulevel.com.br
Clostridioides difficile: Características (Bacilo gram-positivo, Anaeróbio obrigatório, Formador de esporos); Fatores de risco (Idade avançada, Uso de antibióticos, Uso de antiácidos (IBP), Hospitalização prolongada); Diagnóstico (Toxinas A e/ou B nas fezes, Pesquisa de citotoxina, Retossigmoidoscopia (pseudomembranas), PCR (gene toxina B))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na coloração de Gram: o Clostridioides difficile é um bacilo gram-positivo, não gram-negativo. A alternativa acerta ao descrever o microrganismo como anaeróbio obrigatório e formador de esporos, e ao mencionar a transmissão em ambiente hospitalar por superfícies e mãos de profissionais de saúde. No entanto, a classificação incorreta na coloração de Gram torna a afirmativa falsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que o uso de antiácidos não é fator de risco. Na verdade, o uso de inibidores da bomba de prótons (antiácidos) é reconhecidamente um fator de risco para a infecção pelo C. difficile, pois a diminuição da acidez gástrica facilita a passagem e a colonização dos esporos no intestino. A água contaminada, de fato, não é um fator de risco relevante, mas a exclusão dos antiácidos torna a afirmativa incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao listar os três principais métodos diagnósticos da colite pseudomembranosa: detecção de toxinas A e/ou B nas fezes (por EIA ou PCR), pesquisa de citotoxina nas fezes (teste de citotoxicidade) e retossigmoidoscopia com visualização de pseudomembranas. Esses métodos são amplamente utilizados na prática clínica e estão alinhados com as diretrizes de diagnóstico da infecção pelo C. difficile.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao recomendar a coprocultura como método diagnóstico de escolha para o C. difficile. A coprocultura não é recomendada para o diagnóstico de rotina, pois pode detectar o microrganismo sem toxina funcional, não diferenciando colonização de infecção ativa. Além disso, a coprocultura é um método demorado e não específico para o C. difficile, sendo preferíveis os testes de detecção de toxinas ou a PCR.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a coloração de Gram do C. difficile (gram-positivo) por gram-negativo na alternativa A, e inverte o papel dos antiácidos na alternativa B, apresentando-os como não sendo fator de risco quando na verdade são. Fique atento a essas inversões clássicas.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os métodos diagnósticos da colite pseudomembranosa, lembre-se da tríade: toxinas nas fezes (A e/ou B), citotoxina (teste de citotoxicidade) e endoscopia (pseudomembranas). A coprocultura fica de fora do diagnóstico de rotina.

Gabarito: letra C

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