Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
fg094915
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
Há uma estimativa de grande aumento na incidência do câncer de cólon (CCR) nos próximos anos. Em 2018 o American Cancer Society recomendou iniciar o rastreio de prevenção a partir dos 45 anos. Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
AA obesidade não é um fator de risco isolado para essa patologia.
BNão há até o momento evidências da disbiose como um possível fator preditivo de inflamação crônica e mutações epigenéticas para o CCR.
CA dieta rica em gorduras e a pobre em cálcio foram fatores preditivos de risco do CCR.
DTeste de mutação BRAF positivo é encontrado frequentemente na Síndrome de Lynch
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GabaritoC — A dieta rica em gorduras e a pobre em cálcio foram fatores preditivos de risco do CCR.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer Colorretal: Fatores de Risco e Rastreamento
Gabarito: letra C. A dieta rica em gorduras e pobre em cálcio é reconhecida como fator de risco para o câncer colorretal (CCR), conforme as evidências científicas atuais. As demais alternativas apresentam afirmações incorretas: a obesidade é um fator de risco isolado, a disbiose já é estudada como fator preditivo, e a mutação BRAF é característica de tumores esporádicos, não da Síndrome de Lynch.
O câncer colorretal é uma neoplasia maligna que se desenvolve no cólon ou reto, geralmente a partir de pólipos adenomatosos. A compreensão de seus fatores de risco é essencial para a prevenção e o rastreamento adequado. A incidência dessa doença tem aumentado, e a American Cancer Society, em 2018, atualizou suas recomendações para iniciar o rastreamento aos 45 anos, refletindo a preocupação com o aumento de casos em populações mais jovens.
Os fatores de risco para o CCR podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis. Entre os não modificáveis, destacam-se a idade avançada, histórico familiar e síndromes hereditárias como a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e a Síndrome de Lynch. Já os modificáveis incluem obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e, crucialmente, a dieta. Uma alimentação rica em gorduras, especialmente as de origem animal, e pobre em cálcio, fibras, frutas e vegetais está associada a um maior risco de desenvolver CCR. O cálcio, por exemplo, pode se ligar a ácidos biliares e ácidos graxos no lúmen intestinal, reduzindo seu efeito proliferativo sobre a mucosa. Por outro lado, dietas ricas em fibras e com baixo teor de gordura são consideradas protetoras.
A disbiose, que é o desequilíbrio da microbiota intestinal, tem sido cada vez mais estudada como um fator que pode contribuir para a carcinogênese colorretal. Acredita-se que certas bactérias possam promover inflamação crônica, danos ao DNA e alterações epigenéticas, criando um microambiente favorável ao desenvolvimento do câncer. Embora ainda haja muito a esclarecer, a disbiose é considerada um possível fator preditivo e um alvo terapêutico promissor.
A Síndrome de Lynch, também conhecida como câncer colorretal hereditário não poliposo (HNPCC), é causada por mutações em genes de reparo do DNA (MMR), como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2. Essas mutações levam à instabilidade de microssatélites (MSI). A mutação BRAF V600E, por sua vez, é encontrada em uma parcela significativa de CCR esporádicos, frequentemente associada à hipermetilação do promotor MLH1, e é rara em tumores da Síndrome de Lynch. Portanto, a presença da mutação BRAF é um marcador que ajuda a distinguir tumores esporádicos dos hereditários.
A banca explora a confusão entre os fatores de risco clássicos e as características moleculares dos tumores. A alternativa correta (C) se alinha com o conhecimento consolidado sobre prevenção, enquanto as demais distorcem ou negam evidências bem estabelecidas. Guarde a distinção entre fatores de risco modificáveis (dieta, obesidade) e as alterações genéticas específicas (BRAF, genes MMR) — é nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A obesidade é um fator de risco isolado e bem estabelecido para o câncer colorretal. O tecido adiposo em excesso promove um estado inflamatório crônico e alterações hormonais (como aumento de estrogênio e resistência à insulina) que podem estimular a proliferação celular e a carcinogênese. A alternativa nega essa associação, o que contraria as evidências científicas e as diretrizes de prevenção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que não há evidências da disbiose como fator preditivo é falsa. Estudos atuais demonstram que a disbiose intestinal está associada à inflamação crônica e a mutações epigenéticas que podem contribuir para o desenvolvimento do CCR. Embora a pesquisa ainda esteja em evolução, já existem evidências suficientes para considerar a disbiose um fator relevante na carcinogênese colorretal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dieta rica em gorduras e pobre em cálcio é um fator de risco reconhecido para o CCR. O consumo excessivo de gorduras, especialmente as saturadas, aumenta a excreção de ácidos biliares, que podem ser convertidos em compostos carcinogênicos pela microbiota. A baixa ingestão de cálcio reduz a capacidade de neutralizar esses ácidos, aumentando o risco. Essa associação é amplamente documentada na literatura e fundamenta as recomendações dietéticas para prevenção do CCR.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A mutação BRAF é encontrada frequentemente em CCR esporádicos, mas é rara na Síndrome de Lynch. Na verdade, a presença da mutação BRAF V600E em um tumor com instabilidade de microssatélites sugere fortemente um caso esporádico, e não hereditário. A alternativa inverte essa relação, o que é um erro conceitual importante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as características moleculares dos tumores: a mutação BRAF é marcadora de CCR esporádico, não da Síndrome de Lynch. Lembre-se: BRAF positivo + MSI = provável esporádico; BRAF negativo + MSI = pensar em Lynch. Essa distinção é clássica em provas de gastroenterologia e oncologia.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre fatores de risco do CCR, organize mentalmente: modificáveis (dieta rica em gordura, pobre em cálcio/fibras, obesidade, sedentarismo, tabagismo, álcool) e não modificáveis (idade, história familiar, síndromes hereditárias, DII). Essa separação ajuda a eliminar alternativas incorretas rapidamente.