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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg094921
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
O câncer gástrico apresenta relevante morbimortalidade e é cada vez mais estudado, visando a uma maior compreensão da sua fisiopatologia.Sobre a cascata de múltiplas etapas da oncogênese gástrica, assinale a afirmativa correta.
  1. ARepresenta a história natural da gastrite crônica para displasia e câncer, também conhecida como a cascata de Pelayo Correa.
  2. BDescreve a liberação de citocinas e interleucinas culminando com a evolução para o câncer.
  3. CDescreve as mutações em genes específicos que predispõem ao câncer.
  4. DClassifica a gravidade da gastrite erosiva com ou sem a infecção do H. pylori.
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GabaritoA — Representa a história natural da gastrite crônica para displasia e câncer, também conhecida como a cascata de Pelayo Correa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cascata de Correa: oncogênese gástrica multifatorial

Gabarito: letra A. A cascata de múltiplas etapas da oncogênese gástrica é a história natural que vai da gastrite crônica à displasia e ao câncer, descrita por Pelayo Correa — é exatamente isso que a alternativa A afirma. As demais alternativas descrevem mecanismos que participam do processo, mas não definem a "cascata" como um todo.

A oncogênese gástrica é um processo multifatorial e sequencial, e o modelo que a descreve é conhecido como cascata de Correa. Esse modelo foi proposto pelo patologista colombiano Pelayo Correa na década de 1970 e descreve a progressão histológica da mucosa gástrica normal até o adenocarcinoma, passando por estágios intermediários bem definidos. A importância desse modelo está em mostrar que o câncer gástrico não surge de forma abrupta, mas sim através de uma sequência de alterações que podem levar décadas para se completar.

A sequência clássica da cascata é: mucosa normal → gastrite crônica → gastrite atrófica → metaplasia intestinal → displasia → adenocarcinoma. Cada etapa representa um acúmulo de danos celulares e genéticos, frequentemente impulsionados pela infecção por Helicobacter pylori, que é o principal fator de risco ambiental. A bactéria, através de seus fatores de virulência como o gene cagA, promove inflamação crônica que, ao longo do tempo, leva à atrofia glandular e à metaplasia intestinal — um processo que pode ser considerado uma adaptação da mucosa ao ambiente inflamatório, mas que também aumenta o risco de transformação maligna.

É importante destacar que a cascata de Correa não é um processo inevitável. Muitos pacientes com gastrite crônica nunca evoluem para câncer, e a progressão depende de uma complexa interação entre fatores do hospedeiro, da bactéria e do ambiente. A erradicação do H. pylori em estágios precoces pode interromper a cascata e reduzir o risco de câncer, o que reforça a importância do diagnóstico e tratamento precoces da infecção.

A banca explora aqui a confusão entre o conceito de cascata (a sequência de alterações histológicas) e os mecanismos moleculares que a impulsionam (citocinas, mutações, etc.). A cascata é o fenômeno macroscópico e histológico; os mecanismos são as engrenagens que fazem a máquina funcionar. Guarde essa distinção: é ela que separa a alternativa correta das incorretas.

  1. 1Mucosa normal
  2. 2Gastrite crônica
  3. 3Gastrite atrófica
  4. 4Metaplasia intestinal
  5. 5Displasia
  6. 6Adenocarcinoma
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão a cascata de Correa: a progressão da gastrite crônica para displasia e câncer. É exatamente a definição clássica do modelo, que representa a história natural do adenocarcinoma gástrico do tipo intestinal. A alternativa acerta ao nomear o autor do modelo e ao descrever a sequência de eventos histológicos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A liberação de citocinas e interleucinas é um dos mecanismos que impulsionam a cascata, mas não é a cascata em si. A inflamação crônica mediada por essas moléculas contribui para a progressão, mas a cascata de Correa é definida pelas alterações histológicas sequenciais, não pela resposta imune. A alternativa confunde o mecanismo com o fenômeno.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Mutações em genes específicos são parte da base molecular da oncogênese, mas não definem a cascata. A cascata de Correa descreve a progressão histológica, e as mutações são eventos que ocorrem ao longo desse processo, não o processo em si. A alternativa reduz o conceito a um aspecto genético, ignorando a sequência de alterações teciduais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cascata de Correa não classifica a gravidade da gastrite erosiva. A gastrite erosiva é um padrão de inflamação que pode ou não estar associada ao H. pylori, mas a cascata se refere à progressão da gastrite crônica atrófica para o câncer, não à classificação de gravidade da gastrite erosiva. A alternativa troca o objeto da cascata.

Gabarito: letra A

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