Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
fg094924
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
Considerando a hepatite autoimune, assinale a afirmativa correta.
AA monitorização da queda dos níveis de IgG pode ser útil como um indicador de resposta ao tratamento.
BO ideal é o tratamento com altas doses de corticoide, 1mg/kg.
CA histologia hepática tem rápida melhora ao tratamento, mesmo antes da normalização dos exames laboratoriais.
DA azatioprina é comumente usada, gerando boa resposta clínica, laboratorial e histológica em menos de 1 mês de tratamento.
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GabaritoA — A monitorização da queda dos níveis de IgG pode ser útil como um indicador de resposta ao tratamento.
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Hepatite autoimune: monitorização e tratamento
Gabarito: letra A. Na hepatite autoimune (HAI), a monitorização da queda dos níveis de IgG é um indicador útil de resposta ao tratamento, pois a hipergamaglobulinemia (elevação de IgG) é uma marca da doença e sua normalização acompanha a remissão bioquímica e histológica. As demais alternativas contêm erros: a dose inicial de corticoide não é "alta" (1 mg/kg/dia é a dose padrão, não "alta"); a melhora histológica não precede a laboratorial; e a azatioprina não produz resposta em menos de 1 mês (seu efeito pleno leva meses).
A hepatite autoimune é uma doença hepática inflamatória crônica, de causa desconhecida, caracterizada por necroinflamação periportal (hepatite de interface), hipergamaglobulinemia (elevação de IgG), presença de autoanticorpos (FAN, AML, anti-LKM1) e resposta ao tratamento imunossupressor. O diagnóstico é feito por critérios combinados (escore revisado — ERDHAI), que incluem parâmetros clínicos, laboratoriais, histológicos e a resposta ao tratamento. A IgG elevada é um dos pilares diagnósticos e, por isso, sua monitorização é clinicamente relevante: a queda dos níveis de IgG reflete a supressão da atividade imunológica e correlaciona-se com a resposta ao tratamento. Na prática, o acompanhamento seriado de IgG (e das transaminases) orienta o ajuste da dose de imunossupressores e a decisão de reduzir ou suspender a medicação.
O tratamento de primeira linha da HAI é a associação de corticoide (prednisona ou prednisolona) com azatioprina, ou corticoide em monoterapia. A dose inicial usual de prednisolona é de 1 mg/kg/dia (ou 40–60 mg/dia), que não é considerada "alta dose" — o termo "alta dose" é reservado para pulsoterapia (ex.: metilprednisolona 500–1000 mg/dia) em casos graves. A azatioprina, quando usada como poupador de corticoide, tem início de ação lento: seu efeito imunossupressor pleno pode levar de 6 a 12 semanas (1,5 a 3 meses), e a resposta clínica e laboratorial completa raramente ocorre em menos de 1 mês. A histologia hepática, por sua vez, melhora de forma mais lenta que os exames laboratoriais: a normalização das transaminases e da IgG precede a melhora histológica, que pode levar meses a anos para se resolver completamente. Portanto, a afirmativa A está correta ao afirmar que a monitorização da queda da IgG é útil como indicador de resposta — é um marcador sensível e precoce de remissão.
A banca explora a confusão entre a velocidade de resposta dos diferentes parâmetros: o candidato pode pensar que a histologia melhora rápido (errado — é lenta) ou que a azatioprina age em menos de 1 mês (errado — é lenta). A chave é lembrar que a IgG é um marcador de atividade da doença e sua queda é um dos primeiros sinais de resposta ao tratamento, sendo inclusive um dos critérios de resposta completa no escore diagnóstico (normalização da gamaglobulina em até 1 ano).
Afirmação
Correção
Justificativa
Monitorização da queda dos níveis de IgG é útil como indicador de resposta ao tratamento
✅ Correta
A hipergamaglobulinemia (IgG elevada) é marca da doença; sua queda acompanha a remissão clínica, laboratorial e histológica.
Tratamento ideal com altas doses de corticoide (1 mg/kg/dia)
❌ Incorreta
1 mg/kg/dia é a dose padrão de indução, não "alta dose" (esta é reservada para pulsoterapia em casos graves).
Histologia hepática melhora rapidamente, antes da normalização laboratorial
❌ Incorreta
A melhora laboratorial (transaminases e IgG) precede a histológica; esta leva meses a anos.
Azatioprina gera boa resposta em menos de 1 mês
❌ Incorreta
A azatioprina tem início de ação lento (6 a 12 semanas); resposta plena em menos de 1 mês é irrealista.
Hepatite autoimune
1Marcadores de resposta
IgG (queda precoce)
Transaminases
Histologia (melhora tardia)
2Tratamento
Corticoide (ação rápida)
Dose padrão 1 mg/kg/dia
Azatioprina (ação lenta)
Efeito pleno em meses
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A monitorização da queda dos níveis de IgG é, de fato, um indicador útil de resposta ao tratamento na hepatite autoimune. A hipergamaglobulinemia (IgG elevada) é uma característica marcante da doença, e sua normalização ou redução significativa acompanha a remissão clínica, laboratorial e histológica. Nos critérios diagnósticos (ERDHAI), a resposta completa ao tratamento inclui a normalização das gamaglobulinas, e a recaída é definida, entre outros, pelo aumento das transaminases — mas a IgG é monitorada como marcador de atividade. Portanto, a afirmativa está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tratamento ideal da HAI não é com "altas doses" de corticoide (1 mg/kg/dia). A dose de 1 mg/kg/dia de prednisolona (ou equivalente) é a dose padrão de indução, não uma "alta dose". Altas doses são utilizadas em situações específicas, como na forma fulminante ou na ausência de resposta, mas não é o ideal inicial. A banca troca o termo "dose padrão" por "altas doses", o que torna a afirmativa incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A histologia hepática não tem melhora rápida ao tratamento, antes da normalização dos exames laboratoriais. Na verdade, a melhora laboratorial (transaminases e IgG) precede a melhora histológica. A resposta histológica completa pode levar meses a anos, enquanto as transaminases podem normalizar em semanas a poucos meses. A afirmativa inverte a ordem temporal: primeiro melhora o laboratório, depois a histologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A azatioprina é comumente usada na HAI (como poupador de corticoide), mas não gera boa resposta clínica, laboratorial e histológica em menos de 1 mês. Seu início de ação é lento: o efeito imunossupressor pleno leva de 6 a 12 semanas (1,5 a 3 meses). A resposta em menos de 1 mês é irrealista. A banca troca o tempo de ação da azatioprina (lento) por um tempo curto (menos de 1 mês), o que torna a afirmativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a velocidade de resposta dos diferentes parâmetros: a histologia melhora lentamente (não rápido), a azatioprina age em meses (não em semanas), e a dose de 1 mg/kg/dia é padrão (não "alta"). A única que acerta é a que fala da IgG, que é um marcador precoce de resposta. Fique atento a essas inversões de tempo e de dose!
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar: na HAI, a ordem de melhora é: laboratório (transaminases e IgG) → histologia. A IgG é o marcador mais sensível de resposta. E lembre: azatioprina = ação lenta (meses); corticoide = ação rápida (semanas).