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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
fg094927
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Gastroenterologista
Sobre os fatores que predispõem ao colangiocarcinoma, assinale a afirmativa correta.
  1. APancreatite medicamentosa, retocolite ulcerativa e obesidade.
  2. BDoença cística do colédoco, tabagismo e constipação.
  3. CDisfunção do esfíncter de Oddi, infestação por Chlonorchis sinensis e tumor de cólon.
  4. DColangite esclerosante primária, retocolite ulcerativa e doença cística do colédoco.
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GabaritoD — Colangite esclerosante primária, retocolite ulcerativa e doença cística do colédoco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colangiocarcinoma: fatores de risco

Gabarito: letra D. A alternativa correta reúne os três fatores de risco clássicos e bem estabelecidos para colangiocarcinoma: colangite esclerosante primária (CEP), retocolite ulcerativa (RCU) e doença cística do colédoco. Esses três estão diretamente associados à inflamação crônica e à estase biliar, que são os mecanismos fisiopatológicos centrais que predispõem à transformação maligna do epitélio biliar. As demais alternativas misturam fatores que não são reconhecidos como preditores de colangiocarcinoma, como tabagismo, constipação, disfunção do esfíncter de Oddi e tumor de cólon.

O colangiocarcinoma é uma neoplasia maligna que se origina do epitélio dos ductos biliares, podendo ser classificado como intra-hepático (cerca de 25% dos casos) ou extra-hepático (cerca de 75%). A compreensão dos fatores de risco é essencial não apenas para o diagnóstico precoce, mas também para o rastreamento de populações vulneráveis. O mecanismo fisiopatológico comum à maioria desses fatores é a inflamação crônica do epitélio biliar, que leva a um estado de proliferação celular aumentada, dano ao DNA e, eventualmente, à carcinogênese. A estase biliar, presente na doença cística do colédoco, também contribui por expor o epitélio a agentes potencialmente carcinogênicos concentrados na bile.

A colangite esclerosante primária (CEP) é, sem dúvida, o fator de risco mais importante e mais fortemente associado ao colangiocarcinoma. Trata-se de uma doença colestática crônica, de caráter progressivo, caracterizada por inflamação e fibrose dos ductos biliares intra e extra-hepáticos. A associação entre CEP e colangiocarcinoma é tão significativa que o risco cumulativo ao longo da vida pode chegar a 10-15%. A retocolite ulcerativa (RCU), uma doença inflamatória intestinal, também é um fator de risco reconhecido, especialmente quando associada à CEP. Acredita-se que a inflamação crônica e a disfunção imunológica presentes na RCU, particularmente quando há colangite esclerosante concomitante, aumentem a susceptibilidade ao desenvolvimento do tumor. Por fim, a doença cística do colédoco (cistos de colédoco) é uma malformação congênita das vias biliares que predispõe à estase biliar e à inflamação crônica, elevando substancialmente o risco de colangiocarcinoma, especialmente se não for corrigida cirurgicamente.

É importante distinguir os fatores de risco do colangiocarcinoma daqueles de outras neoplasias gastrointestinais. Por exemplo, o tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para diversos cânceres, como pulmão, bexiga e pâncreas, mas não é um fator de risco clássico para colangiocarcinoma. Da mesma forma, a constipação intestinal não tem associação comprovada com essa neoplasia. A infestação por Clonorchis sinensis (um trematódeo hepático) é um fator de risco relevante, mas apenas em regiões endêmicas do Sudeste Asiático, e não está associada à disfunção do esfíncter de Oddi ou ao tumor de cólon. A banca, portanto, explora a confusão entre fatores de risco de diferentes neoplasias e condições benignas.

A pegadinha central desta questão é a inclusão de fatores que, embora sejam de outras doenças ou tenham associações indiretas, não são preditores estabelecidos de colangiocarcinoma. O candidato que decora listas isoladas de fatores de risco pode se confundir, mas a chave é reconhecer o padrão fisiopatológico comum: inflamação crônica e/ou estase biliar. A alternativa D é a única que apresenta três condições que se encaixam perfeitamente nesse padrão, sendo todas reconhecidas na literatura médica como fatores de risco para o colangiocarcinoma.

Colangiocarcinoma: fatores de risco
  • 1Mecanismo comum
    • Inflamação crônica do epitélio biliar
    • Estase biliar
  • 2Fatores clássicos
    • Colangite esclerosante primária (CEP)
      • Risco cumulativo de 10-15%
    • Retocolite ulcerativa (RCU)
      • Especialmente se associada à CEP
    • Doença cística do colédoco
      • Malformação congênita
  • 3Fatores que NÃO são clássicos
    • Tabagismo
    • Constipação
    • Obesidade
    • Disfunção do esfíncter de Oddi
    • Tumor de cólon
  • 4Fator regional
    • Clonorchis sinensis (Sudeste Asiático)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A menciona pancreatite medicamentosa, retocolite ulcerativa e obesidade. Embora a retocolite ulcerativa seja um fator de risco válido, a pancreatite medicamentosa não é um fator de risco para colangiocarcinoma — ela se relaciona à inflamação do pâncreas, não das vias biliares. A obesidade, por sua vez, é um fator de risco para vários cânceres, mas não é um fator clássico e bem estabelecido para colangiocarcinoma, sendo mais associada a neoplasias como câncer de esôfago, cólon e mama. A presença de dois fatores incorretos torna a alternativa errada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B traz doença cística do colédoco, tabagismo e constipação. A doença cística do colédoco é um fator de risco correto, mas o tabagismo e a constipação não são fatores de risco estabelecidos para colangiocarcinoma. O tabagismo é um fator de risco para câncer de pulmão, bexiga e pâncreas, mas não para as vias biliares. A constipação intestinal é um sintoma gastrointestinal comum, mas não tem associação comprovada com o desenvolvimento de colangiocarcinoma. A mistura de um fator correto com dois incorretos invalida a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C menciona disfunção do esfíncter de Oddi, infestação por Clonorchis sinensis e tumor de cólon. A infestação por Clonorchis sinensis é um fator de risco real, mas restrito a áreas endêmicas do Sudeste Asiático. A disfunção do esfíncter de Oddi é uma condição funcional que pode causar dor biliar e pancreatite, mas não é um fator de risco estabelecido para colangiocarcinoma. O tumor de cólon, por sua vez, é uma neoplasia distinta, e não há associação direta entre sua presença e o desenvolvimento de colangiocarcinoma. A alternativa mistura um fator de risco específico com condições não relacionadas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D reúne colangite esclerosante primária, retocolite ulcerativa e doença cística do colédoco, que são os três fatores de risco clássicos e bem estabelecidos para colangiocarcinoma. A colangite esclerosante primária é o fator de risco mais forte, com risco cumulativo de 10-15% ao longo da vida. A retocolite ulcerativa, especialmente quando associada à CEP, também aumenta o risco. A doença cística do colédoco, por causar estase biliar e inflamação crônica, é outro fator de risco importante. Todas as três condições compartilham o mecanismo fisiopatológico de inflamação crônica e/ou estase biliar, o que as torna preditores legítimos da neoplasia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre fatores de risco de diferentes neoplasias. O candidato pode lembrar que o tabagismo é um fator de risco para muitos cânceres e marcar a alternativa B, mas o tabagismo não é um fator de risco para colangiocarcinoma. Da mesma forma, a infestação por Clonorchis sinensis é um fator de risco real, mas a alternativa C a combina com condições não relacionadas. A chave é reconhecer o padrão fisiopatológico comum: inflamação crônica e estase biliar. Com treino, você identifica essas combinações de longe 💪.

Gabarito: letra D

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