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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094929
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
A nutrição em pacientes com demência avançada pode ser um processo desafiador, devido à alta frequência de disfagia e grande prevalência de desnutrição. Diante de um paciente portador de doença de Alzheimer, em fase terminal, já dependente de todas as atividades de vida diária, pouca ou nenhuma interação, analise as afirmativas abaixo:I. Não se deve indicar a alimentação artificial, por meio de sondas, no contexto da terminalidade.II. Em situação de terminalidade, é preferível introduzir a proposta de alimentação de conforto, em que o paciente recebe alimentos de sua preferência pela via oral, até o final da vida, conforme aceitação, na consistência mais segura para a deglutição.III. Pacientes com demência em fase avançada, em fase terminal, tem indicação de via alternativa de alimentação com objetivo de evitar broncoaspiração e desnutrição.Está correto o que se afirma em:
  1. AI, apenas.
  2. BII e III, apenas.
  3. CI e II, apenas.
  4. DIII, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — I e II, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nutrição em demência avançada: alimentação artificial versus alimentação de conforto

Gabarito: letra C. Em pacientes com demência avançada em fase terminal, não se deve indicar alimentação artificial por sondas (afirmativa I correta) e é preferível a alimentação de conforto pela via oral, na consistência mais segura para a deglutição (afirmativa II correta). A afirmativa III está incorreta, pois a via alternativa de alimentação não tem indicação nesse contexto, já que não há evidência de benefício e pode aumentar o risco de broncoaspiração. Essa conduta está alinhada com as diretrizes de cuidados paliativos e com o princípio da beneficência, priorizando o conforto e a qualidade de vida.

A nutrição de pacientes com demência muito avançada é um tema complexo e frequentemente polêmico na prática clínica. O ponto central é entender que a alimentação artificial, por meio de sondas (nasoenteral, gastrostomia ou jejunostomia), é uma intervenção médica — e não uma consequência natural do estado de subnutrição do paciente. Isso significa que sua indicação deve ser avaliada criticamente, como qualquer outro tratamento, considerando riscos, benefícios e o prognóstico do paciente.

A literatura é clara ao afirmar que não há evidência de que a suplementação alimentar enteral aumente a sobrevida de pacientes com demência muito avançada. Pelo contrário, a alimentação enteral pode aumentar o risco de pneumonia aspirativa, pois mantém o esfíncter inferior do esôfago permanentemente aberto, facilitando o refluxo e a aspiração. Além disso, a alimentação por sonda restringe ainda mais a ingesta oral desses pacientes, limitando um dos poucos prazeres que lhes restam — o prazer de comer.

Pacientes demenciados em estado muito avançado evoluem para a síndrome da anorexia-caquexia (também chamada de failure to thrive), na qual o organismo não consegue mais aproveitar os nutrientes de forma eficaz. Nesse cenário, a suplementação alimentar fornecida com o objetivo de aumentar o peso não traz benefício. A disfagia, frequentemente presente, deve ser encarada como um sinal de processo degenerativo cerebral adiantado, e não como um problema isolado a ser corrigido com sondas.

A conduta adequada, portanto, é a alimentação de conforto: oferecer ao paciente alimentos de sua preferência pela via oral, na consistência mais segura para a deglutição (geralmente pastosa e espessa), conforme sua aceitação, até o final da vida. Essa abordagem respeita a autonomia do paciente, prioriza o conforto e evita intervenções fúteis e potencialmente danosas. A decisão deve ser compartilhada com a família, em reuniões que reduzam a ansiedade e promovam decisões alinhadas com os valores do paciente.

A distinção crucial é entre doença terminal (onde a alimentação artificial é contraindicada) e situações reversíveis (como AVC agudo, delirium por pneumonia ou outras causas), onde a sonda nasoenteral pode ser indicada temporariamente, por até 90 dias, enquanto se avalia a recuperação da disfagia. Essa fronteira é exatamente o que as afirmativas exploram: a banca quer que o candidato saiba quando a via alternativa é indicada e quando não é.

Afirmativa

Conteúdo

Veredito

I

Não se deve indicar alimentação artificial por sondas no contexto da terminalidade

✅ Correta

II

Preferível a alimentação de conforto pela via oral, na consistência mais segura, até o fim da vida

✅ Correta

III

Indicação de via alternativa de alimentação para evitar broncoaspiração e desnutrição na demência avançada terminal

❌ Incorreta

Alimentação em demência avançada
  • 1Fase terminal
    • Sonda (alimentação artificial)
    • Alimentação de conforto
      • via oral
      • consistência segura
      • alimentos de preferência
  • 2Situação reversível
    • Sonda temporária (até 90 dias)
      • AVC agudo
      • Delirium por pneumonia
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Item I — ✅ Correto

A afirmativa está correta. Em contexto de terminalidade, como no caso de demência avançada em fase terminal, não se deve indicar alimentação artificial por sondas. A literatura não demonstra benefício em termos de sobrevida ou qualidade de vida, e a alimentação enteral pode aumentar o risco de pneumonia aspirativa. A conduta recomendada é a alimentação de conforto, priorizando o bem-estar do paciente.

Item II — ✅ Correto

A afirmativa está correta. Em situação de terminalidade, é preferível introduzir a alimentação de conforto, em que o paciente recebe alimentos de sua preferência pela via oral, até o final da vida, conforme aceitação, na consistência mais segura para a deglutição. Essa abordagem respeita a dignidade do paciente, oferece prazer e evita intervenções fúteis. A consistência deve ser adaptada (pastosa e espessa) para minimizar o risco de broncoaspiração.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa está incorreta. Pacientes com demência em fase avançada, em fase terminal, não têm indicação de via alternativa de alimentação com o objetivo de evitar broncoaspiração e desnutrição. A alimentação artificial não previne a broncoaspiração (pelo contrário, pode aumentá-la) e não há evidência de que melhore a desnutrição nesse contexto. A conduta correta é a alimentação de conforto, não a via alternativa.

Gabarito: letra C — corretos os itens I e II.

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