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Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — FGV 2024

MedicinaAspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
fg094930
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
O Código de Ética Médica, em seu Art. XXII afirma:

“Nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico evitará a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciará aos pacientes sob sua atenção todos os cuidados paliativos apropriados.”

Um princípio dos Cuidados Paliativos é
  1. Aadministrar opioides em alta potência para todos os pacientes em fim de vida.
  2. Bo não adiamento da morte, acelerando este processo nos casos de sofrimento intratável.
  3. Ca eutanásia como meio de interrupção do sofrimento, se assim a família e o paciente concordarem.
  4. Da afirmação da vida e entender a morte como um processo natural.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a afirmação da vida e entender a morte como um processo natural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados Paliativos: princípios fundamentais

Gabarito: letra D. O princípio dos Cuidados Paliativos que a alternativa correta expressa é a afirmação da vida e o entendimento da morte como um processo natural — exatamente o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) define como um dos pilares dessa abordagem. As demais alternativas distorcem o conceito ao associar cuidados paliativos à eutanásia, ao adiantamento da morte ou ao uso indiscriminado de opioides, práticas expressamente contrárias à filosofia paliativa.

Os Cuidados Paliativos constituem uma abordagem que visa à qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento. A definição clássica da OMS estabelece que essa modalidade de cuidado afirma a vida e trata a morte como um processo normal, não apressa nem adia a morte, integra aspectos psicológicos e espirituais ao cuidado e oferece suporte para que o paciente viva tão ativamente quanto possível até o momento da morte. O Código de Ética Médica, no artigo citado no enunciado, reforça essa visão ao determinar que, nas situações clínicas irreversíveis e terminais, o médico deve evitar procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e propiciar todos os cuidados paliativos apropriados.

A distinção central que a questão explora é entre cuidados paliativos e práticas de antecipação da morte. Enquanto a eutanásia (ato de provocar deliberadamente a morte para abreviar o sofrimento) e o suicídio assistido são vedados pela ética médica brasileira, os cuidados paliativos buscam o alívio do sofrimento sem acelerar nem adiar o processo natural de morte. O uso de opioides, por sua vez, é uma ferramenta legítima para o controle da dor, mas deve ser individualizado e baseado na necessidade clínica de cada paciente, jamais aplicado de forma indiscriminada a todos os pacientes em fim de vida.

Na prática, um exemplo concreto: um paciente com câncer avançado e dor refratária recebe morfina em doses tituladas para alívio do sintoma, mesmo que isso possa, como efeito colateral, deprimir a respiração. Essa conduta é ética e legalmente aceita porque a intenção é aliviar o sofrimento, não causar a morte — princípio conhecido como duplo efeito. Já a administração de opioides em alta potência para todos os pacientes em fim de vida, sem avaliação individual, contraria o princípio da beneficência e da não maleficência.

A pegadinha que a banca explora é a confusão entre cuidados paliativos e eutanásia. O candidato desatento pode associar o alívio do sofrimento em fase terminal à antecipação da morte, quando, na verdade, a filosofia paliativa é diametralmente oposta: ela acolhe a morte como parte natural da vida, mas não a provoca nem a acelera. Guarde essa fronteira: cuidados paliativos = afirmar a vida e não acelerar a morte; é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que se deve administrar opioides em alta potência para todos os pacientes em fim de vida. O erro está na generalização: o uso de opioides deve ser individualizado, baseado na avaliação clínica da dor e de outros sintomas. Nem todo paciente em fim de vida apresenta dor refratária que exija opioides de alta potência; alguns podem nem apresentar dor. A administração indiscriminada viola os princípios da beneficência e da não maleficência, além de contrariar a boa prática médica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe o não adiamento da morte, acelerando este processo nos casos de sofrimento intratável. Há uma contradição interna: se o princípio é não adiar a morte, também não se deve acelerá-la. Os cuidados paliativos não apressam nem adiam a morte; eles buscam alívio do sofrimento e qualidade de vida até o momento natural do óbito. Acelerar a morte configura eutanásia, prática vedada pela ética médica brasileira.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Defende a eutanásia como meio de interrupção do sofrimento, se assim a família e o paciente concordarem. A eutanásia — ato de provocar deliberadamente a morte para abreviar o sofrimento — é expressamente vedada pelo Código de Ética Médica e não faz parte dos princípios dos cuidados paliativos. A concordância da família e do paciente não torna a prática ética ou legal no Brasil. Os cuidados paliativos oferecem alternativas éticas para o alívio do sofrimento, como a sedação paliativa, sem antecipar a morte.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação da vida e o entendimento da morte como um processo natural é um dos princípios fundamentais dos cuidados paliativos, conforme definido pela OMS. Essa abordagem reconhece a morte como parte inevitável do ciclo vital e busca proporcionar qualidade de vida ao paciente até o momento final, sem acelerar nem adiar o processo. O artigo do Código de Ética Médica citado no enunciado — que orienta evitar procedimentos desnecessários e propiciar cuidados paliativos apropriados — está em perfeita sintonia com esse princípio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre cuidados paliativos e eutanásia. O candidato pode associar o alívio do sofrimento em fase terminal à antecipação da morte, mas a filosofia paliativa é oposta: ela afirma a vida e não acelera a morte. As alternativas B e C caem exatamente nessa armadilha, ao propor o adiantamento do óbito como forma de cuidado. Lembre-se: cuidados paliativos acolhem a morte como processo natural, mas nunca a provocam.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre cuidados paliativos, memorize os princípios da OMS: afirmar a vida, tratar a morte como processo normal, não apressar nem adiar a morte, aliviar a dor e outros sintomas, integrar aspectos psicológicos e espirituais, e oferecer suporte para o paciente viver ativamente até o fim. Se a alternativa mencionar eutanásia, suicídio assistido ou aceleração da morte, ela está errada — esses conceitos são antagônicos aos cuidados paliativos.

Gabarito: letra D

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