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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094932
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Paciente de 72 anos, portadora de hipertensão arterial, diabetes mellitus e incontinência urinária de esforço, apresentou, na consulta médica de geriatria, uma cultura de urina da semana anterior que evidenciava a presença da bactéria Escherichia coli, com contagem de colônias maior ou igual a 100.000 UFC/mL, sensível a todos os antibióticos testados. O exame de sangue do mesmo período estava normal. Ao ser questionada, a paciente nega calafrios, disúria, dor abdominal, febre ou dor lombar. Relata que o exame foi feito por “rotina”.Diante desse quadro, o médico
  1. Adeve prescrever cefuroxima, com duração por 7 dias e solicitar uma ultrassonografia de vias urinárias.
  2. Bdeve prescrever macrodantina, com duração de cinco dias, para cistite.
  3. Cdeve prescrever um antisséptico urinário e repetir a cultura de urina após cinco dias.
  4. Dnão deve prescrever a antibioticoterapia, pois se trata de bacteriúria assintomática.
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GabaritoD — não deve prescrever a antibioticoterapia, pois se trata de bacteriúria assintomática.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bacteriúria assintomática em idosa: quando tratar?

Gabarito: letra D. A paciente apresenta bacteriúria assintomática — cultura de urina com ≥100.000 UFC/mL de E. coli, porém sem qualquer sintoma urinário (nega disúria, polaciúria, urgência, dor lombar) ou sistêmico (nega febre, calafrios). Nesse cenário, a conduta correta é não prescrever antibioticoterapia, pois o tratamento não traz benefício e expõe a paciente a riscos de efeitos adversos e resistência bacteriana. Essa é a recomendação das principais diretrizes de infectologia e geriatria.

A bacteriúria assintomática é definida pela presença de bactérias na urina em quantidade significativa (≥100.000 UFC/mL em amostra de jato médio), sem sintomas atribuíveis à infecção do trato urinário. O diagnóstico exige, portanto, dois elementos: a urocultura positiva e a ausência de sintomas. No caso, a paciente é idosa, tem diabetes e incontinência urinária de esforço — condições que aumentam a prevalência de bacteriúria assintomática, mas não indicam tratamento.

A regra de ouro é: tratar apenas se houver sintomas (disúria, polaciúria, urgência, dor suprapúbica, febre, dor lombar) ou se a paciente pertencer a um grupo específico em que o tratamento é recomendado. Esses grupos são: gestantes (pelo risco de pielonefrite e parto prematuro), pacientes submetidos a procedimentos urológicos invasivos (pelo risco de bacteremia) e, em algumas diretrizes, pacientes submetidas a cirurgia de prótese articular ou valvar. Idosos, diabéticos, portadores de sonda vesical de demora ou incontinência urinária NÃO estão incluídos — mesmo que a bacteriúria seja de repetição.

O raciocínio por trás da regra é o princípio da não maleficência: o tratamento da bacteriúria assintomática não reduz mortalidade, não previne pielonefrite nem melhora sintomas, mas aumenta o risco de efeitos adversos (como náuseas, rash, nefrotoxicidade) e seleciona bactérias resistentes. Em idosos, o risco de eventos adversos é ainda maior, e a resistência bacteriana é um problema de saúde pública. Por isso, a conduta expectante é a mais segura e baseada em evidências.

A pegadinha da questão está em associar a idade avançada, o diabetes e a incontinência urinária a uma suposta indicação de tratamento. O candidato pode pensar: "idosa + diabética + urocultura positiva = tratar". Mas a diretriz é clara: diabetes mellitus não é indicação de tratamento de bacteriúria assintomática, a menos que haja sintomas. A incontinência urinária de esforço também não é indicação — ela é um fator de risco para infecção, mas não para tratamento da bacteriúria assintomática. O exame foi feito por "rotina", sem sintomas, e o sangue está normal — reforçando o diagnóstico.

Guarde a fronteira: bacteriúria assintomática = não tratar (na maioria dos casos); infecção urinária sintomática = tratar. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Bacteriúria assintomática
  • 1Definição
    • Cultura ≥100.000 UFC/mL
    • Ausência de sintomas
  • 2Conduta
    • Não tratar (regra geral)
    • Tratar em grupos específicos
      • Gestantes
      • Procedimento urológico invasivo
      • Cirurgia de prótese articular/valvar
  • 3Não indicam tratamento
    • Idosos
    • Diabéticos
    • Sonda vesical de demora
    • Incontinência urinária
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Prescrever cefuroxima por 7 dias e solicitar ultrassonografia de vias urinárias. O erro é duplo: (1) não há indicação de antibioticoterapia, pois se trata de bacteriúria assintomática; (2) a ultrassonografia não é necessária na investigação de bacteriúria assintomática não complicada — ela é reservada para casos de infecção recorrente, suspeita de obstrução ou alteração anatômica, o que não está presente no caso. A cefuroxima é um antibiótico de amplo espectro, e seu uso desnecessário contribui para resistência bacteriana.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Prescrever macrodantina (nitrofurantoína) por 5 dias para cistite. A nitrofurantoína é uma opção para cistite aguda não complicada, mas aqui não há cistite — não há sintomas urinários. O diagnóstico é bacteriúria assintomática, e o tratamento não é indicado. Além disso, a duração de 5 dias é adequada para cistite, mas o problema não é a duração, é a indicação. A alternativa parte do pressuposto incorreto de que a urocultura positiva por si só exige tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Prescrever um antisséptico urinário e repetir a cultura de urina após cinco dias. O erro está em prescrever qualquer medicação (mesmo um antisséptico urinário, como metenamina) para bacteriúria assintomática — não há benefício comprovado e não é recomendado. Repetir a cultura de urina também não é indicado, pois a bacteriúria assintomática tende a ser autolimitada e a repetição do exame não muda a conduta. A conduta correta é apenas orientar a paciente e não tratar.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Não prescrever antibioticoterapia, pois se trata de bacteriúria assintomática. A alternativa espelha exatamente a recomendação das diretrizes: paciente assintomática, com urocultura positiva, sem indicação de tratamento. A idade, o diabetes e a incontinência urinária não são indicações de tratamento. A conduta é expectante, com orientação sobre sinais de alerta (febre, disúria, dor lombar) e retorno se surgirem sintomas.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, memorize os grupos em que a bacteriúria assintomática DEVE ser tratada: gestantes e pacientes submetidos a procedimentos urológicos invasivos (e, em algumas diretrizes, antes de cirurgia de prótese articular/valvar). Fora isso, não tratar — mesmo em idosos, diabéticos, imunossuprimidos ou portadores de sonda. Se a alternativa mencionar "tratar" para esses grupos, está errada.

Gabarito: letra D

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