Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024
- Código
- fg094933
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- AI, apenas.
- BII e III, apenas.
- CI e III, apenas.
- DIII, apenas.
GabaritoC — I e III, apenas.
Gabarito: letra C — estão corretas as afirmativas I e III. A teoria dos radicais livres propõe que o metabolismo oxidativo gera subprodutos reativos que danificam proteínas, DNA e lipídios, levando à disfunção celular e ao envelhecimento; porém, não há evidência científica suficiente de que antioxidantes dietéticos ou suplementos reduzam o dano oxidativo tecidual ou aumentem a expectativa de vida — essa é a distinção central que a questão explora.
A teoria do envelhecimento por radicais livres, também chamada de teoria do estresse oxidativo, é uma das principais teorias de dano/erro do envelhecimento. Ela postula que o metabolismo oxidativo normal produz radicais livres de oxigênio — moléculas altamente reativas que possuem um elétron desemparelhado — e que esses radicais atacam componentes celulares essenciais: proteínas, DNA e lipídios de membrana. Esse dano molecular acumulado ao longo da vida levaria à disfunção celular progressiva e, em última análise, à degradação dos tecidos e órgãos, contribuindo para o fenótipo do envelhecimento.
A lógica por trás da teoria é elegante e biologicamente plausível: se o dano oxidativo causa envelhecimento, então reduzir esse dano — por exemplo, com antioxidantes — deveria retardar o envelhecimento. No entanto, a evidência clínica não confirma essa hipótese de forma robusta. Estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados com suplementação de antioxidantes (como vitaminas C, E, betacaroteno) não demonstraram benefício consistente na redução do dano oxidativo tecidual, na prevenção de doenças crônicas ou no aumento da longevidade. Em alguns casos, a suplementação em altas doses até mostrou efeitos neutros ou potencialmente deletérios. Isso não significa que a teoria esteja errada — o estresse oxidativo está claramente associado a diversas doenças degenerativas — mas indica que a relação entre ingestão de antioxidantes e envelhecimento é muito mais complexa do que a hipótese inicial sugeria.
Um exemplo concreto: um idoso que passa a consumir suplementos de vitamina E esperando "rejuvenescer" os tecidos. Na prática, os ensaios clínicos não mostram que essa suplementação reduza a incidência de doenças cardiovasculares, demência ou câncer, nem que prolongue a vida. O que se observa é que o estresse oxidativo está elevado em doenças como Alzheimer, Parkinson, aterosclerose e diabetes — mas isso é uma associação, não necessariamente uma relação causal simples que a suplementação consiga reverter.
A distinção que importa aqui é entre associação e intervenção: há fortes evidências de que o estresse oxidativo aumenta em doenças degenerativas (afirmativa III correta), mas não há evidência suficiente de que intervenções antioxidantes dietéticas ou suplementares reduzam o dano oxidativo ou aumentem a expectativa de vida (afirmativas I correta e II incorreta). A banca explora exatamente essa confusão: o aluno que sabe que "antioxidantes são bons" tende a marcar a afirmativa II como correta, mas a ciência atual não sustenta essa afirmação.
Guarde essa fronteira: evidência de associação (estresse oxidativo ↑ em doenças) ≠ evidência de eficácia terapêutica (antioxidantes revertem o processo). É nela que as alternativas se dividem.
A afirmativa está correta. Até o momento, não há evidência científica suficiente que comprove que alimentos com função antioxidante reduzam, de fato, o dano oxidativo nos tecidos. Estudos clínicos com suplementação antioxidante não demonstraram benefício consistente na redução do dano oxidativo ou na prevenção de doenças relacionadas ao envelhecimento. A afirmativa reflete com precisão o estado atual da ciência: a hipótese é plausível, mas a evidência de eficácia clínica não se confirmou.
A afirmativa está incorreta. Não há evidência científica de que manipulações e suplementos alimentares compostos por antioxidantes aumentem a expectativa de vida ou retardem o envelhecimento tecidual. Ensaios clínicos randomizados com antioxidantes (vitaminas C, E, betacaroteno, etc.) não demonstraram aumento de longevidade nem redução consistente do dano oxidativo. A banca explora aqui a crença popular de que "antioxidantes = antienvelhecimento", mas a ciência atual não sustenta essa afirmação. O erro está em afirmar que há evidência de benefício quando, na verdade, a evidência é insuficiente ou ausente.
A afirmativa está correta. Há evidências consistentes de que o aumento do estresse oxidativo ocorre em diversas doenças degenerativas, como Alzheimer, Parkinson, aterosclerose, diabetes e doenças cardiovasculares. O dano oxidativo está associado à patogênese dessas condições, o que é amplamente documentado na literatura. A afirmativa está alinhada com o conhecimento científico atual.
Conclusão: corretos os itens I e III → portanto, a alternativa é a letra C.
A banca explora a confusão entre associação e intervenção. O aluno que sabe que "antioxidantes combatem radicais livres" tende a marcar a afirmativa II como correta, mas a ciência não confirma que suplementos aumentem a expectativa de vida. A pegadinha está em trocar "há evidência de associação do estresse oxidativo com doenças" (verdadeiro) por "há evidência de que antioxidantes retardam o envelhecimento" (falso). Na prova, desconfie de afirmativas que prometem benefícios terapêuticos de suplementos — a evidência raramente é tão direta.
Para questões sobre teorias do envelhecimento, memorize o que cada teoria propõe e, principalmente, o que a evidência atual confirma ou não. A teoria dos radicais livres é bem estabelecida como mecanismo de dano, mas a intervenção antioxidante não tem eficácia comprovada. Separe mentalmente: mecanismo (confirmado) × intervenção (não confirmada). Essa distinção resolve a maioria das questões sobre o tema.
Gabarito: letra C
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