Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094934
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Os modelos integrados de atenção a idosos incluem medidas de rastreio na população idosa, com a aplicação de questionários que visam a identificação de indicadores de risco de perda funcional. Sobre os indicadores de risco de perda funcional em idosos, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.( ) Um parâmetro importante é a autoavaliação da saúde do idoso, a qual tem sido muito utilizada em trabalhos populacionais, pois há uma relação direta entre autoavaliação de saúde e indicadores da capacidade funcional.( ) A polifarmácia, definida como utilização de três ou mais medicamentos, está associada a desfechos negativos, como fragilidade, incapacidade e morte.( ) As condições sociais, como suporte familiar e rede social, não estão associadas à perda de capacidade funcional na velhice.As afirmativas são, respectivamente,
  1. AV, V, F.
  2. BV, F, F.
  3. CF, V, F.
  4. DF, V, V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — V, F, F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Indicadores de risco de perda funcional em idosos

Gabarito: letra B — sequência V, F, F. A autoavaliação de saúde é um parâmetro validado e diretamente associado à capacidade funcional (verdadeira); a polifarmácia, porém, é definida como uso de cinco ou mais medicamentos, não três (falsa); e as condições sociais, como suporte familiar e rede social, estão sim associadas à perda de capacidade funcional (falsa). A questão testa o conhecimento dos fatores de risco clássicos na avaliação multidimensional do idoso.

A avaliação multidimensional do idoso (AMI) é a espinha dorsal do cuidado geriátrico na atenção primária. Ela parte da capacidade funcional — definida como a capacidade de executar tarefas e desempenhar papéis sociais, ou, mais sucintamente, a capacidade de autocuidado — e se desdobra em múltiplos domínios: físico, nutricional, cognitivo, psicológico, social, ambiental e espiritual. O objetivo é identificar vulnerabilidades e riscos (iatrogenia, desnutrição, perda funcional) para planejar intervenções preventivas e proativas, em vez de apenas tratar doenças isoladas.

Dentro desse modelo, alguns indicadores se destacam como preditores de desfechos negativos. A autoavaliação de saúde é um deles: perguntar ao idoso como ele percebe a própria saúde é um instrumento simples, barato e surpreendentemente poderoso. Estudos populacionais mostram que a resposta "saúde ruim" ou "muito ruim" se correlaciona fortemente com incapacidade, institucionalização e mortalidade — daí a relação direta com a capacidade funcional mencionada na afirmativa I.

A polifarmácia é outro marcador central, mas a definição exata varia conforme a fonte. A literatura geriátrica mais aceita — incluindo os critérios de Beers e as diretrizes da American Geriatrics Society — considera polifarmácia o uso de cinco ou mais medicamentos. Alguns autores usam quatro ou até três, mas a banca adota o corte de cinco, o que torna a afirmativa II falsa ao dizer "três ou mais".

Por fim, as condições sociais — suporte familiar, rede social, isolamento — são fatores de risco reconhecidos. A OMS lista explicitamente os idosos socialmente isolados e os que vivem sozinhos como grupos de risco, e a AMI inclui o domínio social como parte da avaliação. Portanto, afirmar que essas condições "não estão associadas" à perda funcional é um erro grave.

A pegadinha da questão está na definição de polifarmácia: o candidato que memorizou "três ou mais" marca a afirmativa II como verdadeira e cai na alternativa A. O corte de cinco medicamentos é o padrão mais cobrado em provas de geriatria.

Indicadores de risco de perda funcional
  • 1Autoavaliação de saúde
    • Relação direta com capacidade funcional
    • Prediz declínio, institucionalização e morte
  • 2Polifarmácia
    • Definição: uso de 5 ou mais medicamentos
    • Associada a fragilidade, incapacidade e morte
  • 3Condições sociais
    • Suporte familiar e rede social
    • Isolamento social aumenta risco de declínio
LEVEL · soulevel.com.br

Afirmativa I — ✅ Verdadeira

A autoavaliação de saúde é um parâmetro amplamente utilizado em estudos populacionais e há relação direta entre a percepção subjetiva de saúde e indicadores objetivos de capacidade funcional. Idosos que se avaliam como "saudáveis" tendem a preservar melhor a independência, enquanto a autoavaliação negativa prediz declínio funcional, institucionalização e morte. É um dos itens centrais da avaliação multidimensional.

Afirmativa II — ❌ Falsa

A polifarmácia é definida como uso de cinco ou mais medicamentos, não três. Embora alguns autores utilizem o corte de quatro, o padrão consagrado — e o que a banca adota — é cinco. A afirmativa erra ao reduzir o limite para três, o que a torna falsa. A associação com desfechos negativos (fragilidade, incapacidade, morte) está correta, mas a definição está incorreta.

Afirmativa III — ❌ Falsa

As condições sociais estão sim associadas à perda de capacidade funcional. Suporte familiar, rede social e isolamento são fatores determinantes: idosos socialmente isolados ou sem suporte têm maior risco de declínio funcional, institucionalização e mortalidade. A OMS inclui o isolamento social entre os grupos de risco, e a AMI avalia o domínio social justamente por isso.

Conclusão: corretas apenas as afirmativas I (V) e as falsas II e III (F, F) → sequência V, F, F → letra B.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o corte de polifarmácia: "três ou mais" em vez de "cinco ou mais". Quem decorou o número errado marca a afirmativa II como verdadeira e cai na alternativa A. Na prova, desconfie de definições com números baixos — o padrão geriátrico é cinco.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar os fatores de risco de perda funcional, monte uma lista mental: autoavaliação de saúde, polifarmácia (≥5 medicamentos), condições sociais (isolamento, suporte familiar), comorbidades, quedas, déficit cognitivo. Compare com os grupos de risco da OMS: muito idosos (≥80), que vivem sozinhos, mulheres viúvas, institucionalizados, socialmente isolados, sem filhos, com limitações graves, casais com um incapacitado, poucos recursos econômicos.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg094934