“O Brasil tem, hoje, 15% de sua população com mais de 60 anos. Em 1975, eram 5% e, em 2050, serão 31%. Ou seja, em três décadas, o país vai dobrar o número de idosos, uma marca que os países de alta renda levaram mais de cem anos para alcançar.”KALACHE, Alexandre. A melhor coisa que pode nos acontecer é envelhecer. Centro de Estudos estratégicos Antônio Ivo de Carvalho. Fiocruz: 2021. Disponível em: https://cee.fiocruz.br/. Acesso em: 02 de março de 2024.Essa frase do professor e pesquisador Alexandre Kalache, referese à transição demográfica brasileira. Assinale a opção que indica os principais fatores da transição demográfica:
AO aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares e a redução por causas externas.
BO aumento da natalidade, o aumento da mortalidade infantil e o aumento da longevidade.
CO aumento da mortalidade por neoplasias e a redução por doenças crônicas não transmissíveis.
DA diminuição da mortalidade infantil, o declínio da fecundidade e o aumento da expectativa de vida.
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GabaritoD — A diminuição da mortalidade infantil, o declínio da fecundidade e o aumento da expectativa de vida.
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Transição demográfica: fatores determinantes
Gabarito: letra D. A transição demográfica brasileira — o fenômeno descrito no texto, em que a população idosa cresce de forma acelerada — é explicada por três fatores interligados: a diminuição da mortalidade infantil, o declínio da fecundidade e o aumento da expectativa de vida. Esses três elementos, juntos, alteram a estrutura etária da população, reduzindo a base da pirâmide (menos nascimentos) e alargando o topo (mais idosos).
A transição demográfica é um conceito da demografia que descreve a passagem de um regime de altas taxas de natalidade e mortalidade para um regime de baixas taxas, com consequente envelhecimento populacional. No Brasil, esse processo ocorreu de forma acelerada, especialmente a partir da segunda metade do século XX, impulsionado por avanços na saúde pública, como saneamento básico, vacinação e acesso a antibióticos, que reduziram drasticamente a mortalidade infantil. Com menos crianças morrendo, as famílias passaram a ter menos filhos (declínio da fecundidade), e a expectativa de vida ao nascer aumentou, fazendo com que mais pessoas chegassem à idade avançada.
O texto de Alexandre Kalache ilustra exatamente esse fenômeno: em 1975, 5% da população tinha mais de 60 anos; hoje, 15%; e em 2050, serão 31%. Esse crescimento acelerado da população idosa é a marca da transição demográfica brasileira, que levou poucas décadas para ocorrer, enquanto países de alta renda levaram mais de um século. A compreensão desses fatores é essencial para o planejamento de políticas públicas de saúde, previdência e assistência social, pois o envelhecimento populacional impõe novos desafios ao sistema de saúde, como o aumento da prevalência de doenças crônicas e a necessidade de cuidados de longa duração.
A pegadinha da questão está em confundir os fatores da transição demográfica com mudanças no perfil de mortalidade por causas específicas (como doenças cardiovasculares ou neoplasias), que são características da transição epidemiológica — um fenômeno relacionado, mas distinto. A transição demográfica diz respeito à estrutura etária da população, enquanto a transição epidemiológica se refere à mudança no padrão de doenças e causas de morte. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
1↓ Mortalidade infantil
2↓ Fecundidade
3↑ Expectativa de vida
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a transição demográfica é causada pelo aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares e redução por causas externas. Isso é um erro conceitual: a transição demográfica não é definida por mudanças em causas específicas de morte, mas pela redução da mortalidade infantil e da fecundidade, com aumento da longevidade. O aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares, na verdade, é um fenômeno da transição epidemiológica, que ocorre quando as doenças infecciosas dão lugar às doenças crônicas não transmissíveis como principais causas de morte. A redução por causas externas (acidentes, violências) não é um fator estrutural da transição demográfica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverte completamente a lógica da transição demográfica ao afirmar que há aumento da natalidade, aumento da mortalidade infantil e aumento da longevidade. Na verdade, a transição demográfica é marcada pela diminuição da natalidade e pela diminuição da mortalidade infantil. O aumento da mortalidade infantil seria um retrocesso, não um fator de envelhecimento populacional. O único elemento correto da alternativa é o aumento da longevidade, mas os outros dois a tornam totalmente equivocada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repete o erro da alternativa A ao focar em causas específicas de morte (neoplasias e doenças crônicas não transmissíveis), que são temas da transição epidemiológica, não da transição demográfica. Além disso, afirma que há aumento da mortalidade por neoplasias e redução por doenças crônicas, o que é contraditório: as doenças crônicas não transmissíveis (como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares) são justamente as que mais matam na população idosa. A transição demográfica, repita-se, é definida por mudanças na natalidade, mortalidade infantil e expectativa de vida, não por causas específicas de óbito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única alternativa que descreve corretamente os três pilares da transição demográfica: a diminuição da mortalidade infantil (que permite que mais crianças sobrevivam até a idade adulta), o declínio da fecundidade (que reduz o número de nascimentos, diminuindo a base da pirâmide etária) e o aumento da expectativa de vida (que faz com que as pessoas vivam mais, alargando o topo da pirâmide). Esses três fatores, atuando em conjunto, explicam o envelhecimento populacional descrito no texto de Kalache.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre transição demográfica e transição epidemiológica. A primeira trata da estrutura etária (natalidade, mortalidade infantil, longevidade); a segunda, do perfil de doenças e causas de morte (cardiovasculares, neoplasias, crônicas). As alternativas A e C misturam os dois conceitos para induzir ao erro. Na prova, ao ver termos como "mortalidade por doenças cardiovasculares" ou "neoplasias", desconfie: isso é transição epidemiológica, não demográfica.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se do tripé da transição demográfica: menos crianças morrem (queda da mortalidade infantil) → famílias têm menos filhos (queda da fecundidade) → pessoas vivem mais (aumento da expectativa de vida). Se a alternativa falar em aumento de natalidade, aumento de mortalidade infantil ou causas específicas de morte, está errada.