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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094950
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Paciente de 80 anos, residente de instituição de longa permanência (ILPI), portador de demência de Alzheimer em fase moderada, foi internado por 30 dias, com quadro de sepse respiratória. Evoluiu, durante a internação, com emagrecimento de 5Kg (mais de 7% do peso), perda de massa muscular e incapacidade de deambular. Ao exame, o paciente apresenta retenção alimentar moderada de alimento em cavidade oral, clareada após solicitação, e tosse com ingesta de líquidos, com capacidade de deglutição de alimentos pastosos.Considerando a organização para a alta hospitalar do paciente, analise as afirmativas a seguir.I. O paciente tem indicação de reabilitação com uma equipe de nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia, com objetivo de reduzir os riscos nutricionais, de disfagia e a perda funcional resultantes da internação prolongada;II. Somente está indicada a reabilitação fonoaudiológica se videofluoroscopia da deglutição indicar sinais de broncoaspiração ao exame;III. As terapias fonoaudiológicas e nutricionais não estão indicadas, uma vez que o paciente apresenta evolução natural da doença de base.Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BI e II, apenas.
  3. CI, II e III.
  4. DI e III, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — I, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfagia orofaríngea e reabilitação no idoso com demência

Gabarito: letra A. O paciente apresenta disfagia orofaríngea (retenção alimentar, tosse com líquidos, mas deglutição de pastosos preservada) e sarcopenia/desnutrição pós-internação prolongada — quadro que indica reabilitação multidisciplinar (nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia) para reduzir riscos nutricionais, de broncoaspiração e perda funcional. A afirmativa II erra ao condicionar a fonoaudiologia à videofluoroscopia (a avaliação clínica já indica a terapia), e a III erra ao negar tratamento por considerá-lo "evolução natural" da demência — a reabilitação é indicada mesmo em demência moderada, pois visa qualidade de vida e prevenção de complicações.

A disfagia orofaríngea é a dificuldade de conduzir o bolo alimentar da boca ao esôfago, frequentemente causada por doenças neurológicas como a doença de Alzheimer. No caso, o paciente apresenta sinais clínicos claros: retenção de alimento na cavidade oral (disfunção da fase oral) e tosse com líquidos (sinal de penetração laríngea ou aspiração na fase faríngea). A capacidade de deglutir alimentos pastosos indica que a disfagia é moderada e potencialmente tratável com terapia fonoaudiológica — não é uma contraindicação à reabilitação, mas sim o alvo dela.

A avaliação da disfagia é clínica em primeiro lugar: a anamnese e o exame físico (observação da deglutição com diferentes consistências) são suficientes para indicar a terapia. A videofluoroscopia é um exame complementar, útil para detalhar a fisiopatologia e guiar condutas específicas, mas não é pré-requisito para iniciar a reabilitação. Exigir o exame para só então tratar atrasaria o cuidado e contraria a prática clínica baseada em evidências.

A reabilitação multidisciplinar é o padrão-ouro no manejo do idoso frágil pós-internação prolongada. A fisioterapia atua na recuperação da massa muscular e da deambulação (o paciente perdeu a capacidade de andar); a nutrição combate a desnutrição (perda de 5 kg, >7% do peso) com adequação da dieta (consistência pastosa, suplementação); e a fonoaudiologia trata a disfagia com técnicas de compensação (postura, manobras) e reabilitação (exercícios motores). Essa abordagem integrada reduz mortalidade, tempo de internação e risco de novas complicações.

A demência de Alzheimer em fase moderada não contraindica a reabilitação. Pelo contrário: a literatura geriátrica recomenda intervenções precoces para prevenir declínio funcional e melhorar a qualidade de vida, mesmo em demências avançadas. A afirmativa III confunde "doença degenerativa progressiva" com "não tratar complicações agudas" — a disfagia e a sarcopenia são complicações tratáveis, não a evolução natural da demência em si.

A pegadinha central desta questão é a inversão do raciocínio clínico: a banca tenta fazer o candidato acreditar que (a) a videofluoroscopia é obrigatória antes da terapia e (b) a demência torna a reabilitação inútil. Ambas são falsas — a avaliação clínica é o ponto de partida, e a reabilitação é sempre indicada quando há potencial de benefício funcional.

Disfagia orofaríngea no idoso
  • 1Avaliação
    • Clínica (primeiro passo)
    • Videofluoroscopia (complementar)
  • 2Reabilitação multidisciplinar
    • Fonoaudiologia (disfagia)
    • Nutrição (desnutrição)
    • Fisioterapia (perda funcional)
  • 3Demência de Alzheimer
    • Não contraindica reabilitação
    • Não é evolução natural (complicações tratáveis)
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Item I — ✅ Correto

A afirmativa está correta e é o núcleo da conduta adequada. O paciente tem indicação formal de reabilitação com equipe multidisciplinar (nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia) para abordar os três problemas identificados: risco nutricional (perda de 5 kg, >7% do peso), disfagia (retenção oral, tosse com líquidos) e perda funcional (incapacidade de deambular). Essa é a recomendação das diretrizes de cuidados ao idoso frágil e ao paciente com demência — a reabilitação precoce reduz complicações e melhora desfechos funcionais.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmativa está incorreta ao condicionar a reabilitação fonoaudiológica à videofluoroscopia. A avaliação clínica da deglutição (observação da alimentação, teste de consistências) é o primeiro passo e já indica a terapia — o paciente apresenta tosse com líquidos, sinal clínico de disfagia que justifica intervenção imediata. A videofluoroscopia é um exame complementar, indicado em casos selecionados (disfagia grave, suspeita de aspiração silenciosa, falha terapêutica), mas não é pré-requisito para iniciar a reabilitação. Exigir o exame antes de qualquer terapia contraria a prática clínica e atrasa o cuidado.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa está incorreta ao negar as terapias fonoaudiológicas e nutricionais sob o argumento de que o paciente apresenta "evolução natural da doença de base". A demência de Alzheimer é progressiva, mas isso não impede o tratamento de complicações agudas e reabilitáveis, como disfagia e desnutrição. A reabilitação visa melhorar a qualidade de vida, prevenir broncoaspiração (causa comum de óbito em demência) e manter a funcionalidade pelo maior tempo possível. Abandonar o tratamento seria negligência, não "evolução natural".

Conclusão: Corretos: apenas o item I → portanto a alternativa é a letra A.

Gabarito: letra A

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