Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024
- Código
- fg094950
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- AI, apenas.
- BI e II, apenas.
- CI, II e III.
- DI e III, apenas.
GabaritoA — I, apenas.
Gabarito: letra A. O paciente apresenta disfagia orofaríngea (retenção alimentar, tosse com líquidos, mas deglutição de pastosos preservada) e sarcopenia/desnutrição pós-internação prolongada — quadro que indica reabilitação multidisciplinar (nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia) para reduzir riscos nutricionais, de broncoaspiração e perda funcional. A afirmativa II erra ao condicionar a fonoaudiologia à videofluoroscopia (a avaliação clínica já indica a terapia), e a III erra ao negar tratamento por considerá-lo "evolução natural" da demência — a reabilitação é indicada mesmo em demência moderada, pois visa qualidade de vida e prevenção de complicações.
A disfagia orofaríngea é a dificuldade de conduzir o bolo alimentar da boca ao esôfago, frequentemente causada por doenças neurológicas como a doença de Alzheimer. No caso, o paciente apresenta sinais clínicos claros: retenção de alimento na cavidade oral (disfunção da fase oral) e tosse com líquidos (sinal de penetração laríngea ou aspiração na fase faríngea). A capacidade de deglutir alimentos pastosos indica que a disfagia é moderada e potencialmente tratável com terapia fonoaudiológica — não é uma contraindicação à reabilitação, mas sim o alvo dela.
A avaliação da disfagia é clínica em primeiro lugar: a anamnese e o exame físico (observação da deglutição com diferentes consistências) são suficientes para indicar a terapia. A videofluoroscopia é um exame complementar, útil para detalhar a fisiopatologia e guiar condutas específicas, mas não é pré-requisito para iniciar a reabilitação. Exigir o exame para só então tratar atrasaria o cuidado e contraria a prática clínica baseada em evidências.
A reabilitação multidisciplinar é o padrão-ouro no manejo do idoso frágil pós-internação prolongada. A fisioterapia atua na recuperação da massa muscular e da deambulação (o paciente perdeu a capacidade de andar); a nutrição combate a desnutrição (perda de 5 kg, >7% do peso) com adequação da dieta (consistência pastosa, suplementação); e a fonoaudiologia trata a disfagia com técnicas de compensação (postura, manobras) e reabilitação (exercícios motores). Essa abordagem integrada reduz mortalidade, tempo de internação e risco de novas complicações.
A demência de Alzheimer em fase moderada não contraindica a reabilitação. Pelo contrário: a literatura geriátrica recomenda intervenções precoces para prevenir declínio funcional e melhorar a qualidade de vida, mesmo em demências avançadas. A afirmativa III confunde "doença degenerativa progressiva" com "não tratar complicações agudas" — a disfagia e a sarcopenia são complicações tratáveis, não a evolução natural da demência em si.
A pegadinha central desta questão é a inversão do raciocínio clínico: a banca tenta fazer o candidato acreditar que (a) a videofluoroscopia é obrigatória antes da terapia e (b) a demência torna a reabilitação inútil. Ambas são falsas — a avaliação clínica é o ponto de partida, e a reabilitação é sempre indicada quando há potencial de benefício funcional.
A afirmativa está correta e é o núcleo da conduta adequada. O paciente tem indicação formal de reabilitação com equipe multidisciplinar (nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia) para abordar os três problemas identificados: risco nutricional (perda de 5 kg, >7% do peso), disfagia (retenção oral, tosse com líquidos) e perda funcional (incapacidade de deambular). Essa é a recomendação das diretrizes de cuidados ao idoso frágil e ao paciente com demência — a reabilitação precoce reduz complicações e melhora desfechos funcionais.
A afirmativa está incorreta ao condicionar a reabilitação fonoaudiológica à videofluoroscopia. A avaliação clínica da deglutição (observação da alimentação, teste de consistências) é o primeiro passo e já indica a terapia — o paciente apresenta tosse com líquidos, sinal clínico de disfagia que justifica intervenção imediata. A videofluoroscopia é um exame complementar, indicado em casos selecionados (disfagia grave, suspeita de aspiração silenciosa, falha terapêutica), mas não é pré-requisito para iniciar a reabilitação. Exigir o exame antes de qualquer terapia contraria a prática clínica e atrasa o cuidado.
A afirmativa está incorreta ao negar as terapias fonoaudiológicas e nutricionais sob o argumento de que o paciente apresenta "evolução natural da doença de base". A demência de Alzheimer é progressiva, mas isso não impede o tratamento de complicações agudas e reabilitáveis, como disfagia e desnutrição. A reabilitação visa melhorar a qualidade de vida, prevenir broncoaspiração (causa comum de óbito em demência) e manter a funcionalidade pelo maior tempo possível. Abandonar o tratamento seria negligência, não "evolução natural".
Conclusão: Corretos: apenas o item I → portanto a alternativa é a letra A.
Gabarito: letra A
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