Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024
- Código
- fg094951
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- Aestágio 2.
- Bestágio 3.
- Cestágio 4.
- Dnão classificável.
GabaritoD — não classificável.
Gabarito: letra D. A lesão descrita — perda de espessura total do tecido, totalmente recoberta por tecido necrótico preto — não pode ser classificada em estágio 2, 3 ou 4, pois a presença de necrose impede a avaliação da profundidade real da lesão, condição essencial para a classificação. A classificação por estágios (1 a 4) exige que o leito da ferida esteja visível; quando há tecido necrótico cobrindo toda a lesão, ela é classificada como não classificável (ou não estadiável), conforme os critérios do National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP), adotados internacionalmente.
A lesão por pressão (LPP) é um dano localizado na pele e/ou tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante de pressão ou combinação de pressão com cisalhamento. A classificação em estágios é uma ferramenta clínica que descreve a profundidade do dano tecidual — do estágio 1 (pele íntegra com eritema não branqueável) ao estágio 4 (perda total da espessura do tecido com exposição de osso, tendão ou músculo). O estágio 2 caracteriza-se por perda parcial da espessura da pele (derme), apresentando-se como úlcera rasa, sem exposição de tecido mais profundo. O estágio 3 envolve perda total da espessura da pele, com dano ou necrose do tecido subcutâneo, mas sem exposição de fáscia, músculo ou osso. O estágio 4, por sua vez, é o mais profundo, com exposição de estruturas como osso, tendão ou músculo.
O ponto central desta questão é a limitação da classificação quando há necrose. A presença de tecido necrótico (escara preta) recobrindo toda a lesão impede a visualização do leito da ferida, impossibilitando determinar se a lesão é estágio 3 ou 4. Por isso, a classificação correta é "não classificável" — o que não significa que a lesão seja menos grave, mas sim que a avaliação da profundidade está comprometida. Na prática clínica, essa lesão só poderá ser estadiada após o desbridamento do tecido necrótico, que expõe o leito da ferida e permite a avaliação da extensão do dano.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode ser tentado a classificar a lesão como estágio 3 ou 4 pela descrição de "perda de espessura total", mas a presença de necrose total é o fator decisivo que a torna não classificável. É uma pegadinha clássica que testa o conhecimento da regra de ouro da classificação: nunca estadiar uma lesão coberta por necrose ou escara sem antes desbridá-la.
A banca descreve uma lesão com "perda de espessura total" para induzir o candidato a marcar estágio 3 ou 4, mas a presença de tecido necrótico preto cobrindo toda a lesão é o detalhe que muda tudo. A regra é: lesão com necrose total = não classificável, independentemente da profundidade aparente. O estadiamento só é possível após o desbridamento.
O estágio 2 é definido por perda parcial da espessura da pele, envolvendo epiderme e derme, apresentando-se como úlcera rasa e superficial. A lesão descrita tem perda de espessura total, o que já exclui o estágio 2. Além disso, a presença de necrose total impede qualquer classificação.
O estágio 3 envolve perda total da espessura da pele com dano ao tecido subcutâneo, mas sem exposição de fáscia, músculo ou osso. Embora a lesão descrita tenha perda total de espessura, a necrose que a recobre totalmente impede a visualização do leito, impossibilitando confirmar se há ou não exposição de estruturas mais profundas. Portanto, não pode ser classificada como estágio 3.
O estágio 4 é o mais profundo, com perda total da espessura do tecido e exposição de osso, tendão ou músculo. A lesão descrita pode até ser um estágio 4, mas a necrose total impede a confirmação dessa exposição. A classificação exige visualização do leito da ferida, o que não é possível com a escara preta cobrindo tudo.
A lesão é classificada como não classificável porque está totalmente coberta por tecido necrótico preto. A presença de necrose impede a avaliação da profundidade real da lesão, condição essencial para o estadiamento. Após o desbridamento, a lesão poderá ser reavaliada e classificada adequadamente. Esta é a conduta correta e o gabarito da questão.
Gabarito: letra D — a lesão por pressão com perda total de espessura, totalmente recoberta por tecido necrótico, é classificada como não classificável.
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