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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094951
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Paciente de 90 anos, portador de Doença de Alzheimer em estágio avançado, restrita ao leito, portadora de síndrome de imobilidade, apresenta lesão por pressão sacra de 15 por 10 cm, com perda de espessura total do tecido que está totalmente recoberta por tecido necrótico de cor preta.

O estágio da lesão por pressão apresentada pela paciente é
  1. Aestágio 2.
  2. Bestágio 3.
  3. Cestágio 4.
  4. Dnão classificável.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — não classificável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lesão por pressão: classificação por estágios

Gabarito: letra D. A lesão descrita — perda de espessura total do tecido, totalmente recoberta por tecido necrótico preto — não pode ser classificada em estágio 2, 3 ou 4, pois a presença de necrose impede a avaliação da profundidade real da lesão, condição essencial para a classificação. A classificação por estágios (1 a 4) exige que o leito da ferida esteja visível; quando há tecido necrótico cobrindo toda a lesão, ela é classificada como não classificável (ou não estadiável), conforme os critérios do National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP), adotados internacionalmente.

A lesão por pressão (LPP) é um dano localizado na pele e/ou tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante de pressão ou combinação de pressão com cisalhamento. A classificação em estágios é uma ferramenta clínica que descreve a profundidade do dano tecidual — do estágio 1 (pele íntegra com eritema não branqueável) ao estágio 4 (perda total da espessura do tecido com exposição de osso, tendão ou músculo). O estágio 2 caracteriza-se por perda parcial da espessura da pele (derme), apresentando-se como úlcera rasa, sem exposição de tecido mais profundo. O estágio 3 envolve perda total da espessura da pele, com dano ou necrose do tecido subcutâneo, mas sem exposição de fáscia, músculo ou osso. O estágio 4, por sua vez, é o mais profundo, com exposição de estruturas como osso, tendão ou músculo.

O ponto central desta questão é a limitação da classificação quando há necrose. A presença de tecido necrótico (escara preta) recobrindo toda a lesão impede a visualização do leito da ferida, impossibilitando determinar se a lesão é estágio 3 ou 4. Por isso, a classificação correta é "não classificável" — o que não significa que a lesão seja menos grave, mas sim que a avaliação da profundidade está comprometida. Na prática clínica, essa lesão só poderá ser estadiada após o desbridamento do tecido necrótico, que expõe o leito da ferida e permite a avaliação da extensão do dano.

A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode ser tentado a classificar a lesão como estágio 3 ou 4 pela descrição de "perda de espessura total", mas a presença de necrose total é o fator decisivo que a torna não classificável. É uma pegadinha clássica que testa o conhecimento da regra de ouro da classificação: nunca estadiar uma lesão coberta por necrose ou escara sem antes desbridá-la.

NÃO CAIA NESSA!

A banca descreve uma lesão com "perda de espessura total" para induzir o candidato a marcar estágio 3 ou 4, mas a presença de tecido necrótico preto cobrindo toda a lesão é o detalhe que muda tudo. A regra é: lesão com necrose total = não classificável, independentemente da profundidade aparente. O estadiamento só é possível após o desbridamento.

1Estágio 1
Pele íntegra
Eritema não branqueável
2Estágio 2
Perda parcial (epiderme/derme)
Úlcera rasa
3Estágio 3
Perda total da pele
Dano ao subcutâneo
Sem exposição de fáscia/músculo/osso
4Estágio 4
Perda total
Exposição de osso/tendão/músculo
5Não classificável
Coberta por necrose/escara
Impede avaliar profundidade
Exige desbridamento prévio
Lesão por pressão (LPP)
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Lesão por pressão (LPP): Estágio 1 (Pele íntegra, Eritema não branqueável); Estágio 2 (Perda parcial (epiderme/derme), Úlcera rasa); Estágio 3 (Perda total da pele, Dano ao subcutâneo, Sem exposição de fáscia/músculo/osso); Estágio 4 (Perda total, Exposição de osso/tendão/músculo); Não classificável (Coberta por necrose/escara, Impede avaliar profundidade, Exige desbridamento prévio)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O estágio 2 é definido por perda parcial da espessura da pele, envolvendo epiderme e derme, apresentando-se como úlcera rasa e superficial. A lesão descrita tem perda de espessura total, o que já exclui o estágio 2. Além disso, a presença de necrose total impede qualquer classificação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O estágio 3 envolve perda total da espessura da pele com dano ao tecido subcutâneo, mas sem exposição de fáscia, músculo ou osso. Embora a lesão descrita tenha perda total de espessura, a necrose que a recobre totalmente impede a visualização do leito, impossibilitando confirmar se há ou não exposição de estruturas mais profundas. Portanto, não pode ser classificada como estágio 3.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O estágio 4 é o mais profundo, com perda total da espessura do tecido e exposição de osso, tendão ou músculo. A lesão descrita pode até ser um estágio 4, mas a necrose total impede a confirmação dessa exposição. A classificação exige visualização do leito da ferida, o que não é possível com a escara preta cobrindo tudo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A lesão é classificada como não classificável porque está totalmente coberta por tecido necrótico preto. A presença de necrose impede a avaliação da profundidade real da lesão, condição essencial para o estadiamento. Após o desbridamento, a lesão poderá ser reavaliada e classificada adequadamente. Esta é a conduta correta e o gabarito da questão.

Gabarito: letra D — a lesão por pressão com perda total de espessura, totalmente recoberta por tecido necrótico, é classificada como não classificável.

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