Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024
- Código
- fg094952
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- Aa Manobra posicional de Dix-Hallpike.
- Bo Teste de Romberg.
- Ca Rotação de Báràny.
- Da Manobra de Valsalva.
GabaritoA — a Manobra posicional de Dix-Hallpike.
Gabarito: letra A. O quadro clínico descrito — vertigem intensa de início ao acordar, desencadeada por mudança de posição da cabeça, com duração de segundos e recorrência posicional — é clássico de vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), e o teste que confirma o diagnóstico quando positivo é a manobra de Dix-Hallpike, que reproduz o nistagmo típico da doença. As demais opções avaliam outros aspectos do equilíbrio ou da função cardiovascular, não sendo específicas para VPPB.
A VPPB é a causa mais comum de vertigem de origem periférica, especialmente em idosos. Ela ocorre quando otoconias (cristais de carbonato de cálcio) se deslocam do utrículo e migram para os canais semicirculares, geralmente o canal posterior, criando uma falsa sensação de movimento quando a cabeça muda de posição. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história típica e na reprodução dos sintomas e do nistagmo por meio de manobras posicionais.
A manobra de Dix-Hallpike é o padrão-ouro para o diagnóstico da VPPB do canal semicircular posterior. Nela, o paciente senta-se na maca, o examinador vira a cabeça 45° para o lado a ser testado e, rapidamente, deita o paciente com a cabeça pendente para fora da maca, aguardando cerca de 30 segundos. O teste é positivo quando surge um nistagmo típico (torcional, com batimento para o lado testado) associado à vertigem. A manobra deve ser realizada para ambos os lados, e, se positiva, o tratamento é feito com manobras de reposicionamento, como a de Epley ou a de Semont.
É importante diferenciar a VPPB de outras causas de vertigem. A duração das crises é um guia valioso: crises de segundos sugerem VPPB ou paroxismos vestibulares; crises de minutos podem indicar AIT ou enxaqueca; crises de 20 minutos a horas são típicas da doença de Ménière; e crises de dias a semanas podem ser neurite vestibular ou AVC. No caso da paciente, a duração de segundos e o caráter posicional apontam fortemente para VPPB.
A banca explora a confusão entre os testes de avaliação vestibular. Enquanto a manobra de Dix-Hallpike é específica para VPPB, o teste de Romberg avalia equilíbrio estático, a rotação de Bárány (ou prova rotatória) avalia a função vestibular por meio de estímulo rotatório, e a manobra de Valsalva avalia a resposta cardiovascular ao aumento da pressão intratorácica. Nenhum desses testes confirma VPPB.
Guarde a relação entre o teste e a condição que ele diagnostica: é exatamente essa correspondência que separa as alternativas correta e incorretas.
A manobra de Dix-Hallpike é o teste diagnóstico de escolha para VPPB. Ela reproduz o deslocamento das otoconias no canal semicircular posterior, desencadeando vertigem e nistagmo típicos. O contexto clínico da paciente — vertigem posicional de curta duração — é a indicação clássica para a realização dessa manobra, que, quando positiva, confirma o diagnóstico.
O teste de Romberg avalia o equilíbrio estático, verificando se o paciente mantém a postura com os olhos fechados. Ele é útil para detectar disfunções proprioceptivas ou vestibulares, mas não é específico para VPPB e não reproduz o nistagmo posicional característico. Sua positividade indica instabilidade postural, não a presença de otoconias nos canais semicirculares.
A rotação de Bárány (ou prova rotatória) é um teste de estimulação vestibular que avalia a função dos canais semicirculares por meio da rotação do corpo ou da cadeira. Embora possa provocar nistagmo e vertigem, não é o teste de escolha para o diagnóstico de VPPB, pois não reproduz especificamente o mecanismo posicional da doença. O teste de Dix-Hallpike é o padrão para esse fim.
A manobra de Valsalva consiste em expirar forçadamente com a glote fechada, aumentando a pressão intratorácica. Ela é utilizada para avaliar a função autonômica cardiovascular e pode desencadear síncope em alguns pacientes, mas não tem relação com o diagnóstico de VPPB. Sua realização não reproduz a vertigem posicional nem o nistagmo típico da doença.
Gabarito: letra A
Link permanente: /questoes/fg094952