Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024
- Código
- fg094954
- Banca
- FGV
- Órgão
- SES-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- ACeftriaxona.
- BFosfomicina.
- CCefuroxima.
- DCiprofloxacina.
GabaritoD — Ciprofloxacina.
Gabarito: letra D. A ciprofloxacina é a fluoroquinolona com maior potencial epileptogênico entre as opções, podendo precipitar crises convulsivas e piorar o quadro de delirium — exatamente o que se quer evitar neste paciente com demência frontotemporal e epilepsia secundária. As demais alternativas (ceftriaxona, fosfomicina e cefuroxima) são opções mais seguras do ponto de vista neurológico.
O quadro descrito é um delirium — uma síndrome confusional aguda, de início rápido (dias), com flutuação, redução da atenção e da consciência, alucinações visuais e uma causa orgânica identificável (infecção urinária). Em idosos com demência, o delirium é uma intercorrência comum e grave, e a escolha do antimicrobiano deve considerar não apenas a eficácia contra o patógeno, mas também o perfil de efeitos adversos neurológicos, especialmente em pacientes com epilepsia de base.
As fluoroquinolonas (como a ciprofloxacina) são conhecidas por seu potencial de neurotoxicidade, que inclui desde tontura e insônia até convulsões, delirium e psicose. O mecanismo envolve o antagonismo do receptor GABA-A e o bloqueio de canais de sódio e potássio, reduzindo o limiar convulsivo. Esse risco é dose-dependente e maior em idosos, em pacientes com doença neurológica prévia (como demência e epilepsia) e naqueles com insuficiência renal. Por isso, em um paciente de 80 anos com demência frontotemporal e crises epilépticas, a ciprofloxacina deve ser evitada.
As demais opções apresentam menor risco neurológico: ceftriaxona e cefuroxima são cefalosporinas (beta-lactâmicos) com baixo potencial epileptogênico, e fosfomicina é um antibiótico de outra classe, também sem risco significativo de convulsões. A banca explora a confusão entre o risco real da ciprofloxacina e a segurança relativa das outras opções.
A banca troca o antibiótico com maior risco de piorar o quadro neurológico (ciprofloxacina) por opções mais seguras (ceftriaxona, cefuroxima, fosfomicina). O candidato pode ser induzido a escolher uma cefalosporina por ser "mais comum" para infecção urinária, mas a questão pede exatamente o que deve ser evitado — e a ciprofloxacina é a única com risco relevante de convulsões.
A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração, amplamente usada para infecção urinária em idosos. Seu potencial de neurotoxicidade é baixo, e não é a droga associada a crises convulsivas neste contexto. A banca a inclui como distrator por ser uma opção comum, mas ela não é a que deve ser evitada.
A fosfomicina é um antibiótico de outra classe (derivado do ácido fosfônico), com mecanismo de ação distinto e baixo risco de efeitos neurológicos. Não é a droga que precipita convulsões, sendo uma opção segura para o paciente.
A cefuroxima é uma cefalosporina de segunda geração, também com baixo potencial epileptogênico. Embora possa causar efeitos adversos, não é a droga associada a crises convulsivas neste cenário. A banca a inclui como distrator por ser outra cefalosporina, mas o risco é menor que o da ciprofloxacina.
A ciprofloxacina é uma fluoroquinolona com conhecido potencial de neurotoxicidade, incluindo convulsões, especialmente em idosos com doença neurológica prévia (demência, epilepsia) e em uso de outros fármacos que reduzem o limiar convulsivo. O mecanismo envolve antagonismo do GABA-A e bloqueio de canais iônicos, o que pode piorar o delirium e precipitar crises. Por isso, deve ser evitada neste paciente.
Gabarito: letra D — a ciprofloxacina é o antibiótico a ser evitado pelo risco de piorar o quadro neurológico e induzir crises convulsivas.
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