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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2024

MedicinaGeriatria
Código
fg094958
Banca
FGV
Órgão
SES-MT
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Os bloqueadores de bomba de prótons (IBP), como o omeprazol e o pantoprazol, estão entre os fármacos mais prescritos para idosos em todo o mundo. Em publicação recente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), em parceria com o Choosing Wisely Brasil, a entidade traz uma recomendação específica contra a prescrição de IBP de uso crônico para idosos.Assinale a opção que indica por que os bloqueadores da bomba de prótons não devem ser prescritos de forma contínua para idosos, para proteção gástrica.
  1. APodem estar associados a potenciais desfechos indesejáveis, como o aumento do risco de infecção por Clostridium dificille, assim como a má absorção de vitamina B12 e ferro.
  2. BExistem fortes evidências que demonstram o aumento do risco de demência de Alzheimer, de angiodisplasia duodenal por hipogastrinemia e neoplasia intestinal.
  3. CPodem estar associados a desfechos negativos, como aumento do risco do risco de câncer gástrico, aumento da infecção por H. pylori e doença hepática não cirrótica.
  4. DExistem evidências de aumento da incidência de infecções respiratórias, infarto agudo do miocárdio, osteoporose e neoplasia hepática, devido à infecção crônica por H. pylori.
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GabaritoA — Podem estar associados a potenciais desfechos indesejáveis, como o aumento do risco de infecção por Clostridium dificille, assim como a má absorção de vitamina B12 e ferro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso crônico de inibidores da bomba de prótons (IBP) em idosos

Gabarito: letra A. Os IBPs, quando usados de forma contínua e desnecessária, podem estar associados a desfechos indesejáveis, como o aumento do risco de infecção por Clostridioides difficile e a má absorção de vitamina B12 e ferro — exatamente o que a alternativa A descreve. Essa recomendação consta da publicação da SBGG em parceria com o Choosing Wisely Brasil, alinhada à literatura médica sobre os riscos do uso crônico de IBPs.

Os inibidores da bomba de prótons (IBP) são fármacos que bloqueiam a enzima H+/K+-ATPase das células parietais gástricas, reduzindo drasticamente a secreção ácida. São amplamente prescritos para condições como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), dispepsia e proteção gástrica durante o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). No entanto, o uso prolongado e sem indicação formal — que pode chegar a 20–50% das prescrições — expõe o paciente, especialmente o idoso, a uma série de riscos.

O mecanismo central desses riscos é a hipocloridria (redução do ácido gástrico), que tem duas consequências principais: (1) compromete a absorção de nutrientes que dependem do meio ácido, como vitamina B12 (que precisa do ácido para se desligar das proteínas alimentares) e ferro (cuja forma ferrosa é melhor absorvida em meio ácido); e (2) altera a microbiota intestinal, favorecendo o supercrescimento bacteriano e a proliferação de patógenos como o Clostridioides difficile, causador de colite pseudomembranosa. Além disso, o uso crônico de IBP está associado a hipomagnesemia, osteoporose e fraturas, nefrite intersticial aguda e, de forma mais controversa, a doença renal crônica, demência e câncer do trato digestório superior — associações ainda não confirmadas por estudos prospectivos.

A recomendação da SBGG e do Choosing Wisely Brasil é justamente evitar a prescrição crônica de IBP para proteção gástrica em idosos, salvo indicações precisas (como esôfago de Barrett, DRGE com recidivas frequentes ou alto risco de úlcera péptica). A conduta correta é reavaliar periodicamente a necessidade do fármaco, usar a menor dose eficaz e, ao suspender, fazer a retirada gradual para evitar o fenômeno do rebote ácido (hipergastrinemia com secreção ácida exacerbada).

A pegadinha da questão está em distinguir os efeitos adversos bem estabelecidos (infecção por C. difficile, deficiência de B12 e ferro) daqueles que são controversos ou não comprovados (demência, câncer gástrico, infarto, doença hepática). As alternativas B, C e D misturam associações especulativas ou incorretas, enquanto a A traz os riscos mais sólidos e documentados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os efeitos adversos comprovados e os controversos do uso crônico de IBP. O candidato pode ser atraído por alternativas que citam demência ou câncer gástrico (associações ainda não confirmadas por estudos prospectivos), mas a alternativa correta é a que menciona os riscos mais bem estabelecidos: infecção por C. difficile e má absorção de vitamina B12 e ferro. Fique atento: a questão pede o motivo mais sólido para evitar o uso contínuo, não o mais alarmante.

1Mecanismo central
Hipocloridria (redução do ácido gástrico)
2Efeitos bem estabelecidos
Infecção por Clostridioides difficile
Má absorção de vitamina B12
Má absorção de ferro
3Efeitos controversos/não comprovados
Demência
Câncer gástrico
Osteoporose/fraturas
Doença renal crônica
4Conduta recomendada
Reavaliar periodicamente
Menor dose eficaz
Retirada gradual (evitar rebote ácido)
Riscos do uso crônico de IBP em idosos
LEVELsoulevel.com.br
Riscos do uso crônico de IBP em idosos: Mecanismo central (Hipocloridria (redução do ácido gástrico)); Efeitos bem estabelecidos (Infecção por Clostridioides difficile, Má absorção de vitamina B12, Má absorção de ferro); Efeitos controversos/não comprovados (Demência, Câncer gástrico, Osteoporose/fraturas, Doença renal crônica); Conduta recomendada (Reavaliar periodicamente, Menor dose eficaz, Retirada gradual (evitar rebote ácido))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque descreve com precisão os principais riscos do uso crônico de IBP: o aumento do risco de infecção por Clostridioides difficile (decorrente da alteração da microbiota intestinal pela hipocloridria) e a má absorção de vitamina B12 e ferro (que dependem do meio ácido gástrico). Esses são efeitos adversos bem documentados na literatura e na recomendação da SBGG/Choosing Wisely Brasil.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que existem fortes evidências de aumento do risco de demência de Alzheimer, angiodisplasia duodenal por hipogastrinemia e neoplasia intestinal. Embora haja estudos observacionais associando o uso crônico de IBP à demência, essas associações são controversas e não confirmadas por estudos prospectivos. Além disso, a angiodisplasia duodenal por hipogastrinemia não é um efeito adverso reconhecido dos IBPs.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta ao afirmar que o uso de IBP aumenta o risco de câncer gástrico, infecção por H. pylori e doença hepática não cirrótica. O uso de IBP não aumenta a infecção por H. pylori (na verdade, pode até dificultar seu diagnóstico); a associação com câncer gástrico é controversa e não comprovada; e a doença hepática não cirrótica não é um efeito adverso reconhecido dos IBPs.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao listar infecções respiratórias, infarto agudo do miocárdio, osteoporose e neoplasia hepática como consequências da infecção crônica por H. pylori induzida pelo IBP. O IBP não causa infecção crônica por H. pylori; a osteoporose é uma associação controversa do uso de IBP, mas não mediada por H. pylori; e infarto agudo do miocárdio e neoplasia hepática não são efeitos adversos estabelecidos dos IBPs.

Gabarito: letra A

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