Os bloqueadores de bomba de prótons (IBP), como o omeprazol e o pantoprazol, estão entre os fármacos mais prescritos para idosos em todo o mundo. Em publicação recente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), em parceria com o Choosing Wisely Brasil, a entidade traz uma recomendação específica contra a prescrição de IBP de uso crônico para idosos.Assinale a opção que indica por que os bloqueadores da bomba de prótons não devem ser prescritos de forma contínua para idosos, para proteção gástrica.
APodem estar associados a potenciais desfechos indesejáveis, como o aumento do risco de infecção por Clostridium dificille, assim como a má absorção de vitamina B12 e ferro.
BExistem fortes evidências que demonstram o aumento do risco de demência de Alzheimer, de angiodisplasia duodenal por hipogastrinemia e neoplasia intestinal.
CPodem estar associados a desfechos negativos, como aumento do risco do risco de câncer gástrico, aumento da infecção por H. pylori e doença hepática não cirrótica.
DExistem evidências de aumento da incidência de infecções respiratórias, infarto agudo do miocárdio, osteoporose e neoplasia hepática, devido à infecção crônica por H. pylori.
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GabaritoA — Podem estar associados a potenciais desfechos indesejáveis, como o aumento do risco de infecção por Clostridium dificille, assim como a má absorção de vitamina B12 e ferro.
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Uso crônico de inibidores da bomba de prótons (IBP) em idosos
Gabarito: letra A. Os IBPs, quando usados de forma contínua e desnecessária, podem estar associados a desfechos indesejáveis, como o aumento do risco de infecção por Clostridioides difficile e a má absorção de vitamina B12 e ferro — exatamente o que a alternativa A descreve. Essa recomendação consta da publicação da SBGG em parceria com o Choosing Wisely Brasil, alinhada à literatura médica sobre os riscos do uso crônico de IBPs.
Os inibidores da bomba de prótons (IBP) são fármacos que bloqueiam a enzima H+/K+-ATPase das células parietais gástricas, reduzindo drasticamente a secreção ácida. São amplamente prescritos para condições como doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), dispepsia e proteção gástrica durante o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). No entanto, o uso prolongado e sem indicação formal — que pode chegar a 20–50% das prescrições — expõe o paciente, especialmente o idoso, a uma série de riscos.
O mecanismo central desses riscos é a hipocloridria (redução do ácido gástrico), que tem duas consequências principais: (1) compromete a absorção de nutrientes que dependem do meio ácido, como vitamina B12 (que precisa do ácido para se desligar das proteínas alimentares) e ferro (cuja forma ferrosa é melhor absorvida em meio ácido); e (2) altera a microbiota intestinal, favorecendo o supercrescimento bacteriano e a proliferação de patógenos como o Clostridioides difficile, causador de colite pseudomembranosa. Além disso, o uso crônico de IBP está associado a hipomagnesemia, osteoporose e fraturas, nefrite intersticial aguda e, de forma mais controversa, a doença renal crônica, demência e câncer do trato digestório superior — associações ainda não confirmadas por estudos prospectivos.
A recomendação da SBGG e do Choosing Wisely Brasil é justamente evitar a prescrição crônica de IBP para proteção gástrica em idosos, salvo indicações precisas (como esôfago de Barrett, DRGE com recidivas frequentes ou alto risco de úlcera péptica). A conduta correta é reavaliar periodicamente a necessidade do fármaco, usar a menor dose eficaz e, ao suspender, fazer a retirada gradual para evitar o fenômeno do rebote ácido (hipergastrinemia com secreção ácida exacerbada).
A pegadinha da questão está em distinguir os efeitos adversos bem estabelecidos (infecção por C. difficile, deficiência de B12 e ferro) daqueles que são controversos ou não comprovados (demência, câncer gástrico, infarto, doença hepática). As alternativas B, C e D misturam associações especulativas ou incorretas, enquanto a A traz os riscos mais sólidos e documentados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os efeitos adversos comprovados e os controversos do uso crônico de IBP. O candidato pode ser atraído por alternativas que citam demência ou câncer gástrico (associações ainda não confirmadas por estudos prospectivos), mas a alternativa correta é a que menciona os riscos mais bem estabelecidos: infecção por C. difficile e má absorção de vitamina B12 e ferro. Fique atento: a questão pede o motivo mais sólido para evitar o uso contínuo, não o mais alarmante.
Riscos do uso crônico de IBP em idosos: Mecanismo central (Hipocloridria (redução do ácido gástrico)); Efeitos bem estabelecidos (Infecção por Clostridioides difficile, Má absorção de vitamina B12, Má absorção de ferro); Efeitos controversos/não comprovados (Demência, Câncer gástrico, Osteoporose/fraturas, Doença renal crônica); Conduta recomendada (Reavaliar periodicamente, Menor dose eficaz, Retirada gradual (evitar rebote ácido))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve com precisão os principais riscos do uso crônico de IBP: o aumento do risco de infecção por Clostridioides difficile (decorrente da alteração da microbiota intestinal pela hipocloridria) e a má absorção de vitamina B12 e ferro (que dependem do meio ácido gástrico). Esses são efeitos adversos bem documentados na literatura e na recomendação da SBGG/Choosing Wisely Brasil.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que existem fortes evidências de aumento do risco de demência de Alzheimer, angiodisplasia duodenal por hipogastrinemia e neoplasia intestinal. Embora haja estudos observacionais associando o uso crônico de IBP à demência, essas associações são controversas e não confirmadas por estudos prospectivos. Além disso, a angiodisplasia duodenal por hipogastrinemia não é um efeito adverso reconhecido dos IBPs.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que o uso de IBP aumenta o risco de câncer gástrico, infecção por H. pylori e doença hepática não cirrótica. O uso de IBP não aumenta a infecção por H. pylori (na verdade, pode até dificultar seu diagnóstico); a associação com câncer gástrico é controversa e não comprovada; e a doença hepática não cirrótica não é um efeito adverso reconhecido dos IBPs.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao listar infecções respiratórias, infarto agudo do miocárdio, osteoporose e neoplasia hepática como consequências da infecção crônica por H. pylori induzida pelo IBP. O IBP não causa infecção crônica por H. pylori; a osteoporose é uma associação controversa do uso de IBP, mas não mediada por H. pylori; e infarto agudo do miocárdio e neoplasia hepática não são efeitos adversos estabelecidos dos IBPs.